caro leitor! você já conhece a lady amélia clementine vallance? chegou ao meu conhecimento que ela tem vinte e dois anos, é natural de londres e está participando da sua primeira temporada. seu dote foi conquistado a partir do legado da família na política inglesa, e muitos dizem que ela se parece com kristine froseth. apesar de ser perseverante e sagaz, já chegou aos ouvidos desta escritora que ela também é geniosa e incorrigível.
amélia é a mais nova e única mulher de uma família que contém outros três irmãos mais velhos. infelizmente, na data em que deu a luz a filha, a saúde da mãe estava muito fragilizada, de forma que ela acabou vindo a óbito na mesma noite do parto. como era de se esperar, desde sempre foi criada com muita proteção e pouca liberdade pelos homens da casa, sendo um tesouro muito bem guardado por estes. era um certo paradoxo, já que, sendo criada apenas com figuras masculinas ao seu redor, mia acabou amadurecendo de forma muito mais enérgica e menos delicada do que as outras meninas que conhecia. atuando como um diplomata por vários anos, benjamin vallance, o patriarca da família, sempre voltava para casa de suas viagens com muitas histórias para contar, o que alimentava o espírito livre e sedento por aventura de sua caçula. por outro lado, sendo tão zelada pelos mais velhos, amélia tinha pouco espaço para conseguir deixar fluir essa necessidade intrínseca pela própria liberdade.
outra coisa que favorecia a criação mais severa era o fato dos vallance serem uma família com grande proximidade da coroa, já que, por anos a fio, benjamin vallance atuou como conselheiro pessoal do rei william. dessa forma, havia uma etiqueta estrita que eles deveriam seguir, principalmente mia, que era a única mulher da casa. passando tanto tempo trancada dentro da residência, tal como o tesouro escondido dos vallance — sendo esta a forma que a sociedade apelidou a pequena garota de cabelos dourados que era pouco vista em público —, ela precisava buscar formas alternativas de se distrair, e foi aí que se conectou com o mesmo hobby que era exercido pela mãe: a pintura. encontrou em um cômodo trancado da casa suas telas, seus pincéis e suas tintas, já que a família se recusava a livrar-se de uma parte tão importante da falecida matriarca. aprendeu sozinha a fazer mistura de cores e começar a preencher as primeiras telas em branco, apaixonando-se completamente pela arte de forma quase instantânea. porém, não foi algo tão incentivado pelo pai e pelos irmãos, que treinavam-na para ser uma pretendente desejável, e assim, empurravam-na para aprender outros dotes bem vistos para damas, como o bordado e o piano.
entrar na adolescência foi sinônimo de cansar-se de vez de tantas amarras. já que não podia ter a liberdade que tanto almejava, passou a fazer as coisas escondida. e mia era muito boa nisso. esperando o pai e os irmãos irem dormir ou simplesmente saírem de casa, ela surrupiava-se para fora da cama, vestia trajes que disfarçavam sua essência feminina e se aventurava pelas ruas e vielas de londres. apesar de aprontar algumas coisas, seu real interesse era mesmo aprender mais sobre arte, de forma que, finalmente, conseguiu passar a frequentar uma classe onde pode aprender mais sobre o que tanto amava. as telas de mia ficaram cada vez melhores, e logo o seu professor de pintura notou que o potencial dela era grande demais para ser tão podado. após alguns meses de negociação, o acordo estava fechado: as telas de amélia seriam comercializadas. para não atrair tanto escândalo — afinal, uma mulher ganhando dinheiro dessa forma?! que afronta! —, suas obras eram assinadas por tal professor, para que o trabalho pudesse ser exposto e ganhar popularidade sem ser acompanhado pelo peso da polêmica que seria se descobrissem que quem fazia aquilo, desviando-se totalmente do plano que era traçado para si, era uma jovem dama da alta sociedade.
algo importante a se mencionar: mia não iria debutar. para o desespero de alguns cavalheiros que esperavam pela chance de entrar para a família do agora primeiro ministro inglês, benjamin vallance, a mão de amélia já estava prometida há muito tempo para michael ruddick, o filho mais velho de uma família amiga dos vallance. anos se passaram dessa forma, mas quanto mais se aproximava da data que amélia completaria seus 21 anos e, consequentemente, ficaria oficialmente noiva, mais ela se revoltava com aquela obrigação. e aí, veio o escândalo. todo o prestígio da família vallance, cultivado por tantos anos e tantas gerações passadas com membros da família sendo políticos exemplares e honrados, foi pelo ralo com o escarcéu que mia causou quando simplesmente decidiu que não se casaria com michael. o último ano para ela, então, foi muito complicado, já que seu ato de rebeldia abalou o respeito social dos vallance, além de causar também um conflito palpável entre as famílias que anteriormente eram amigas. por conta disso, amélia foi obrigada a realizar o seu debute agora, aos 22 anos. porém, ela não poderia estar menos interessada em se casar, já que seu real interesse é encontrar uma forma de conseguir receber o crédito pela sua arte, que se torna cada vez mais popular pela capital, mas as pessoas sequer fazem ideia de quem é a real autora por de trás daqueles quadros.
BOATOS.
mia teria rompido seu noivado com michael ruddick pois, na verdade, estaria mantendo um caso com seu irmão mais novo ( @thzodore ) — falso.
teriam visto mia saindo da casa de um professor de arte da cidade, tarde da noite, e mais do que uma vez — verdadeiro, mas ela jura de pé junto que é falso.
mia não é mais pura e casta, e seu noivado não se concretizou porque o cavalheiro teria descoberto isso — falso.
ela vive saindo de casa tarde, escondida com trajes que preservam sua identidade e frequentando ambientes considerados impróprios para damas — verdadeiro.
mia já teve um relacionamento com a sua própria estilista — falso. mas bem que ela queria.












