na lua, na rua, poesia nua.
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na lua, na rua, poesia nua.

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DiĂĄrio de um poeta esquecido (o retorno)
Ăcido escorre do canto de minha boca. O veneno que jogo em vocĂȘ denuncia minha dor. Mas vocĂȘ pouco se importa, nĂŁo Ă© verdade? Porque esse filme gira em torno de teu umbigo podre, de tua vida entregue ao destino. Da sua desistĂȘncia fraca. A vida jamais serĂĄ a mesma a partir de agora. EntĂŁo acorde! Reviva! Ela nĂŁo vai te esperar.Â
As vezes falar sĂł Ă© a melhor opção. Mas nĂŁo Ă© o que se dĂĄ, quando a tua voz apenas te condena. Mal sei eu que jĂĄ era condenado bem antes disso.Â
E a histĂłria, talvez, comece ai.Â
Muito mudou desde a Ășltima vez que estive aqui.
Eu tiro o vento para dançar e rodopio só à procura de uma queda que valha a pena.
dm.
Fight Club (1999)

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Desde os 35 anos eu vinha escrevendo poemas e contos. Decidi morrer no meu prĂłprio campo de batalha. Sentei-me em frente Ă minha mĂĄquina de escrever e disse, agora sou um escritor profissional. Ă claro que nĂŁo foi assim tĂŁo fĂĄcil. Quando um homem trabalha num mesmo emprego durante muitos anos, nĂŁo Ă© dono do seu tempo. Quero dizer, mesmo com uma jornada de oito horas, o dia estĂĄ tomado. Some o tempo que leva para ir e voltar do trabalho, mais o trabalho em si, mais comer, dormir, tomar banho, comprar roupas, carros, pneus, baterias, pagar os impostos, copular, receber visitas, ficar doente, sofrer acidentes, ter insĂŽnia, ter que se preocupar com a roupa suja e com assaltos e com as condiçÔes climĂĄticas e todo o resto que nĂŁo dĂĄ pra mencionar, nĂŁo sobra tempo algum para se gastar consigo mesmo. E, quando Ă© preciso fazer hora extra, muitas vezes algumas dessas necessidades tĂȘm que ficar de fora, atĂ© mesmo dormir, e, mais comumente, copular. Que porra Ă© essa? E tem semanas em que se trabalha cinco dias e meio, seis dias, e no domingo Ă© esperado que vocĂȘ vĂĄ Ă igreja ou visite os parentes, ou os dois. O cara que disse âo homem comum vive uma vida de silencioso desesperoâ tinha um pouco de razĂŁo. Mas o trabalho tambĂ©m acalma os homens, dĂĄ a eles alguma coisa pra fazer. E impede a maioria deles de pensar. Homens â e mulheres â nĂŁo gostam de pensar. Para eles o trabalho Ă© uma dĂĄdiva. Dizem a eles o que fazer e como fazer e quando fazer. Noventa e oito por cento dos americanos acima de 21 anos estĂŁo trabalhando, mortos-vivos. Meu corpo e minha mente me disseram que dentro de trĂȘs meses eu seria um deles. Eu me opus.
Charles BukowskiÂ
John Everett Millais, Ophelia, 1851-52, Detail
Mas atravĂ©s de tudo isso sua Ășnica preocupação fora manter-se disponĂvel. Para um ato. Um ato livre e refletido que empenharia o destino de sua vida e seria o inĂcio de uma nova existĂȘncia. Nunca pudera amarrar-se definitivamente a um amor, a um prazer, nunca fora realmente infeliz; sempre lhe parecera estar alhures, ainda nĂŁo nascido completamente. Esperava.
SARTRE, Jean-Paul. A Idade da RazĂŁo. Â
NĂŁo sou poeta e talvez nĂŁo haja poesia em minhas curvas
Não posso me auto-intitular tamanho talento e vocação despretensiosa. A alma de um poeta reflete diferente e os seus olhos enxergam o que os meus não conseguem ler. O poeta é feito de notåveis nuances, é aquele que se doa, vive e é poesia. Que cabe em nadas, mas mesmo beirando a miudeza consegue ser pesado. Eu sou leve demais. Um poeta nunca é leve.
dm.

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Os olhos dizem quando a boca cala. Quando o medo impede a articulação de qualquer verdade nĂŁo dita. Por isso meu bem, ouça este olhar suplicando tua atenção, e dizendo que o tempo nĂŁo volta e que atĂ© as estrelas com sua magnificĂȘncia se perdem e morrem na imensidĂŁo. Ouça a ternura em meu olhar, te pedindo um pouco de carinho, uma presença permanente, um perfume que fica. Um olhar de quem quer te ter para cuidar e cuidar para sempre te ter. Ter vocĂȘ debaixo das minhas asas mesmo que machucadas pelo peso da lua minguante dos meus sonhos estilhaçados. Feitos de vidro, feitos da poeira cĂłsmica que envolve as galĂĄxias. Feitos da mesma matĂ©ria que nos compĂ”e. FrĂĄgeis. VocĂȘ silenciou minha alma V. e me impediu de querer outros risos, outro toque, outro afago. VocĂȘ me impediu de querer olhar para qualquer um que nĂŁo seja vocĂȘ. E eu gosto disso. Ter vocĂȘ como uma salvação, esse parece o Ășnico jeito de vocĂȘ me pertencer. âYou got that medicine I need.â Como um grito nĂŁo dado querendo sair, eu sinto vocĂȘ agonizando, rugindo em meu peito; mas eu te aprisiono com essa melancolia e te selo a mim. Com toda essa hipĂ©rbole nĂŁo medida, infinito que estĂĄ presente em cada palavrinha que direciono a ti. Na esperança de que um dia vocĂȘ me leia, me ouça e venha para mim. Siga essa voz abafada pela saudade que eu sinto, e por toda essa vontade que eu tenho de cuidar de vocĂȘ. Por favor, ouça estes olhos que sĂł sabem ter olhos pra vocĂȘ.
Felipe Barros
Tudo era eternamente triste, sombrio, maldito. Até mesmo o tempo era insolente e mal-intencionado.
Charles Bukowski - Ham on RyeÂ
Hå quanto tempo não apareço aqui?
Mas cĂĄ estou eu. Como vĂŁo?Â
tĂŽ quase correndo louca pra lugar nenhum, porque deve ser lĂĄ que vocĂȘ habita agora.Â
eu quase consigo ver as luzes da cidade que vocĂȘ guarda no peito. ando te procurando nos muros, nos cantos e nos outros. nĂŁo te acho.
deste lado de plutĂŁo as coisas sĂŁo tristes. te vejo em 2015. new horizons, baby.
morreu sufocada com as palavras
tentando decifrĂĄ-las
D.

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Se for partir
Quando for embora NĂŁo esqueça de fechar a porta E de falar se vai voltar, Meu bem. Quando estiver lĂĄ fora NĂŁo me esqueça em tua rota Mesmo se vocĂȘ achar AlguĂ©m.
Ficar sozinho Faz descobrir outro homem no mesmo corpo