TEMPESTADE
E se eu te dissesse...
que o problema
nunca foi
o teu gĂȘnio?
Foi o jeito
que ninguém
soube permanecer
quando vocĂȘ
virava tempestade.
Eu ficaria.
NĂŁo porque sou herĂłi.
Mas porque aprendi
que existem pessoas
que gritam
o que nunca conseguiram
pedir em voz baixa.
VocĂȘ diz
que nĂŁo precisa
de ninguém.
Repete.
Repete de novo.
Mas os teus olhos...
esses nunca conseguem mentir.
E eu vejo.
Vejo o cansaço.
Vejo a armadura.
Vejo a mulher
que aprendeu
a endurecer
para nĂŁo quebrar.
E isso...
isso me desmonta.
Porque eu nĂŁo queria
vencer a tua força.
Queria merecer
a tua confiança.
Queria ser
o lugar
onde vocĂȘ
nĂŁo precisasse
estar em guerra.
NEM POR UM MINUTO.
Se eu pudesse...
seguraria
a tua mĂŁo
antes
das tuas defesas.
Abraçaria
o teu silĂȘncio
antes
da tua explosĂŁo.
E lembraria,
quantas vezes
fosse preciso...
que ser intensa
nĂŁo Ă© defeito.
Ă verdade
transbordando.
CHEGA DE PEDIR DESCULPAS
PELO TAMANHO
DO QUE VOCĂ SENTE.
Porque quem nasceu
para amar de verdade...
nĂŁo foge
das tempestades.
Aprende
a dançar
na chuva.
E talvez...
se exista
alguma forma
de acalmar
um coração ferido...
ela nunca tenha sido
a força.
Sempre foi
a presença.
O AMOR NĂO DOMA TEMPESTADES. ELE ESCOLHE FICAR.
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Poesia de Gilson Rodrigues
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