arqueou a sobrancelhas e teve que concordar com ela. “imagino que isso tenha doído pra cacete.” deu mais uma boa olhada na ferida de aparência tenebrosa enquanto continuava a limpar como conseguia, ao menos até que parecesse parar de sangrar e então ele pudesse fazer um curativo apropriado. procurou dentro do kit que tinha pela pomada. kei não tinha muitas coisas, era tudo para cuidado pessoal já que ele vivia se envolvendo em umas situações meio peculiares e sua língua nunca tivesse freios.
abriu o tubo do produto e espalhou uma quantidade generosa na ferida para que transbordasse da medicação cicatrizante. usou uma toalha jogada sob a cama parar tirar o excesso dos dedos, para em seguida procurar por faixas, gazes e esparadrapos. “modos?” esboçou um sorriso e voltou os olhos claros em direção ao rosto dela. “você acha que eu tenho algum tipo deles?” gesticulou com a mão para si mesmo afim de que ela o encarasse, sua aparência não queria dizer em nada como ele era, contudo, kei queria que fosse deduzível. se o decote estava ali bem diante dele até parece que não olharia. “a ocasião pode não ser das melhores, mas seus peitos são lindos.” ergueu o polegar positivo e deu de ombros. “reclama menos, agradece mais, eu nunca cuido de alguém e ainda estou te elogiando.”
separou as gazes colocando sob o ferimento enquanto passava a faixa entorno do corpo dela de uma forma que tapasse a ferida e ele conseguisse faze-las parar aplicando os esparadrapos que colocaram a pele integra dela. “ótimo.” concluiu e então tornou a procurar dentro do kit por medicações. “um analgésico e um anti inflamatório…” entregou uma cartela de cada para ela. “é só tomar um de cada um, tem água ali.” apontou a garrafa d’água pela metade ao lado do colchão. “hm…” deu uma boa olhada nela de novo, dessa vez mais distante. “você é magrela… talvez alguma camiseta velha minha sirva em você.” e então abandonou a menina ali para ir para o outro lado do colchão fuçar dentro da mala de roupas afim de encontrar alguma camiseta que não gostasse tanto para dar a ela vestir.
Concordou com a cabeça, devagar. Não se lembrava com clareza pelo tempo também que se passara, e as novas experiências dolorosas que tivera desde então. ❝ Acho que acabei apagando depois de um tempo... por causa da dor. ❞ Mikyung não conseguia lembrar com detalhes, mas logo parou sua mente. A última coisa que precisava era ter algum flashback muito realista, e acabar atacando o rapaz. Sequer tinha controle sobre sua força ainda. O que se mostrava um grande problema pra ela.
A garota chiou, sentindo a ardência em sua pele. ❝ Talvez passar por um hospital não fosse ser tão ruim. ❞ Ela murmurou pra si mesma em coreano, ao menos de tal forma não estaria naquela situação, e sim tentando fugir dos médicos. Ou talvez fosse enviada pra ser um lato de laboratório. É, definitivamente hospital não era uma opção. Mas aqui também não é a melhor, ela se viu pensando, com certo pesar. Mikyung olhava para o rapaz, chocada para dizer o mínimo. ❝ Isso não é um elogio! Não dessa forma! ❞ A garota se arrependeu de segurar o corpo tão apertado, pois logo estava fazendo o machucado doer mais. Soltou-se devagar, os olhos fechados enquanto tentava digerir a dor.
Pegou as cartelas sem reclamar, se movendo com uma extrema lentidão. ❝ Obrigada. ❞ Disse de uma vez, olhando para o outro. ❝ Não era a ajuda que eu queria, mas... obrigada. Você... me salvou. ❞ De certa forma. Não da morte, é claro, mas Mikyung deixou aquele comentário somente para si. O rapaz era, sem dúvidas, mais rápido do que sua mente podia processar, mas tratou de pegar a garrafa d’água, abrindo-a antes de pegar um comprimido de cada cartela. A loira os jogou na boca de uma vez, e tomando um curto gole, para não desperdiçar muito da água do rapaz.