“O Filho da Puta Que Eu Amei”
Eu o amei.
Sem meio-termo, sem defesa, sem filtro.
Me joguei inteira, de peito aberto —
e ele só queria o corpo, o abrigo, o vício.
Disse que o casamento era um inferno,
que vivia no tédio, no erro, no inverno.
E eu, trouxa, fui o verão dele por um tempo.
Um tempo curto, sujo, e violento.
Falava “você é diferente”,
e eu acreditava, burra e carente.
Enquanto ele ria, mentia, fingia…
E eu? Morria.
Morria de amor, de espera, de ilusão,
de colocar o coração nas mãos erradas.
Ele só queria o sabor do proibido,
o gozo, o abrigo, o ego inflado.
E eu dei tudo — corpo, alma, e o meu sagrado.
E o que ele deu?
Desprezo, silêncio e nada.
Foi embora como quem apaga uma vela,
deixando a fumaça da minha entrega.
E eu chorei —
caralho, como eu chorei.
De raiva, de amor, de vergonha também.
Por ter acreditado num homem pequeno,
num mentiroso, num filho da puta sem pena.
Hoje, se lembro, não é saudade — é náusea.
Porque amar quem te usa é ferida que não fecha.
E o pior de tudo?
Eu ainda sei o cheiro dele.
Mas juro, um dia isso vai sumir.
E quando sumir,
ele vai ser só o nada
que um dia eu achei que fosse tudo.


















