“O carrossel não para de girar.”
O carrossel é uma metáfora para a vida. E a vida não para.
Ela não para porque você teve o coração partido. Não para porque alguém foi embora. Não para porque você perdeu um emprego, recebeu um diagnóstico difícil, está exausto, confuso, perdido ou tentando juntar os próprios pedaços.
Ela simplesmente continua.
Pessoas chegam. Pessoas vão. Algumas ficam por muito tempo. Algumas retornam. Algumas partem sem aviso. E algumas vão para nunca mais voltar.
Enquanto isso, o carrossel segue girando.
As contas continuam vencendo. Os compromissos continuam existindo. As mensagens continuam chegando. As urgências continuam aparecendo. Algumas pessoas compreendem os seus limites. Outras sequer percebem que você está em meio a uma tempestade.
E ainda assim, a vida continua.
Talvez seja essa a parte mais difícil de aceitar: não existe um botão de pausa.
Não existe um momento em que tudo para para que você possa respirar, se reorganizar, se reconstruir e só então voltar a viver. A vida acontece durante o processo. Enquanto você sofre. Enquanto você se cura. Enquanto você aprende. Enquanto você tenta entender o que fazer com aquilo que perdeu.
O carrossel continua girando quer você esteja pronto ou não.
E talvez por isso a frase carregue tanto peso.
Porque ela não fala apenas sobre seguir em frente. Ela fala sobre aceitar que não é possível descer do brinquedo. Não definitivamente. Sair dele seria desistir da própria vida.
Então seguimos.
Às vezes inteiros. Às vezes quebrados.
Às vezes cheios de certezas. Às vezes sem entender absolutamente nada.
Mas seguimos.
Porque o carrossel não para de girar.
E talvez a grande tarefa da vida não seja encontrar uma forma de pará-lo, mas aprender a permanecer nele, mesmo nos dias em que tudo o que gostaríamos era que ele diminuísse a velocidade por alguns instantes.
— Pamela Lima, @transbordoexcessos













