Na Roma antiga o homem quando flagrava sua mulher com um amante, ele tinha que matar a mulher e o parceiro, caso contrário, o Estado penalizava esse marido traído.. Esse era um dispositivo Legal no Código Penal da época daquele país.Na noite do dia 24 de dezembro de 2020, uma mulher é assassinada pelo próprio marido a facadas na frente das filhas menores …No Brasil, a cada 8 horas, uma mulher é assassinada só pelo fato de “ser mulher”! A jurista dra Luisa Eluf, é autora da Lei do Feminicídio que foi aprovada pelo Congresso no Governo da Presidenta Dilma.Rousseff. Ela nos aponta que atualmente o STF reconhece a legítima defesa da Honra, sendo essa uma tese antiga do início do século passado, onde se justificava o assassinato das mulheres mesmo contrariando o Código Penal e a Constituição Federal. Com essa decisão, o Supremo legitima tal ação absurda, não condenando o assassino, desrespeitando a Constituição Federal, que diz: “homens e mulheres têm direitos iguais” e isso quer dizer, que ambos têm direito à vida!Com essa introdução gostaria de ampliar um pouco mais essa discussão, para uma auto reflexão.. O isolamento social tem provocado impactos negativos na vida de mulheres, que já eram vítimas de violência doméstica. Com o isolamento social, os conflitos familiares têm exacerbado, obrigando-as a permanecerem em convivência com seus agressores por períodos mais prolongados. O número de casos de feminicídio também apresentou aumento em diversos estados do Brasil e no mundo, quando comparado com o mesmo período do ano de 2019. Apesar do aumento do número de casos, os dados mostram redução no número de denúncias, seja por receio da mulher em denunciar, pela proximidade com o agressor ou por medo de descumprir as medidas de isolamento social.Autoridades de diversos países, preocupados com a redução das denúncias, tomaram algumas medidas para facilitar a realização destas e proteger as mulheres em episódios de violências. Em países como Itália, Espanha e França, o governo destinou quartos de hotéis para servirem de abrigo temporário para essas mulheres, permitindo então, sua segurança, além disso, foram disponibilizados aplicativos como whatsapp para facilitar o socorro dessas mulheres.A violência contra a mulher se origina na construção da desigualdade entre homens e mulheres em diversas sociedades. Assim, a desigualdade de gênero é a base de todas as formas de violência e privação contra mulheres.As causas, portanto, são estruturais, históricas, político-institucionais e culturais, e ao longo do tempo se estruturaram, legitimando e perpetuando nesse papel, chegando ao ambiente doméstico.O assédio, o comportamento vigiado e controlado, a impossibilidade de vestir a roupa que desejar, repressão da própria sexualidade, ciúmes doentio da parceira, são considerados SINTOMAS e não causas, de violações dramáticas, tais como, estupro - inclusive do prórprio marido - a violência psicológica e o feminicídio.A violência doméstica não é exclusivamente fruto de um infortúnio ou escolhas ruins. Ela tem bases socioculturais mais profundas, e principalmente quando a mulher decide denunciar, sente com força a reação estrutural da desigualdade de gênero, na suspeita lançada sobre a vítima ao invés do agressor. Alguns fatores são agravados quando a vulnerabilidade à violência se potencializa pela pobreza, xenofobia e o racismo. Também o abuso psicológico, sexual ou físico, habitual, ocorre entre pessoas relacionadas afetivamente, como marido e mulher ou adultos contra menores ou idosos.Neste contexto, de ampla discussão, venho acompanhando e acolhendo através da psicoterapia, o sofrimento de várias mulheres de todas as gerações e classe social, além de aprofundar nos estudos de caso sobre Violência de Gênero, pude concluir, que o feminicídio é a etapa final da relação abusiva. Essa “relação abusiva” pode ser considerada em 4 fases:Observe se você está inserida em alguma delas…Ofensas Verbais: Xingamentos, humilhações, gritos, crises de ciúme, manipulação e Controle - Aqui a vítima começa a ter seu psicológico abalado. Já aparece a violência psicológica sutilmenteViolência psicológica para Agressões físicas : beliscões, empurrões, tapas, socos, chutes, etc..Abusador Arrependido: Ele se arrepende,pede perdão, promete não agredir mais, fazem a mulher acreditar que perderam a cabeça sem querer e quando são perdoados voltam para a fase 1.Feminicídio! A quarta fase é a finalização do agressor, onde ele tira a vida de sua companheira, depois de passar por todas as fases de forma recorrente. Tendo em vista que tudo isso pode ser evitado quando o primeiro passo da vítima deve ser procurar ajuda psicológica. O (a) Psicólogo (a) poderá encorajá-la na busca de ajuda jurídica, além de encaminhá-la para um núcleo de apoio através das Redes, até mesmo acompanhá-la à delegacia, se for o caso.Convido o leitor a observar o que alguns filósofos e teóricos psicanalistas dizem em seus estudos sobre pensamentos e comportamento de gênero. No livro “VIDA É ARTE” do escritor Tokuchika Miki capítulo III diz que “O ser humano possui “makoto” e egoísmo. Isto quer dizer como um sentimento verdadeiro e falso”. No livro “O AMOR” do mesmo autor, editado nos anos 60, ele cita que “Os homens ficam muito zangados, quando a esposa diz algo que fere seu orgulho, por não aceitarem a opinião de suas companheiras, sentem-se diminuídos e sem valor “Traçando um paralelo com a psicologia científica de Freud e Lacan, onde afirmam que “a mulher tem a necessidade de ser amada mais do que amar”. Os homens que preenchem essa condição terão sua estima, por outro lado, o narcisismo exacerbado das mulheres exerceria grande atração sobre os homens que renunciam uma parte de seu narcisismo em busca do amor objetal. Eis que as parcerias se fundem numa clássica referência às uniões típicas entre as histéricas que demandam amor a todo custo e os obsessivos sempre dispostos a "cobrir a oferta” de amor.Freud ainda revela que como a mulher é livre para escolher seu parceiro amoroso, tende a fazê-lo conforme o ideal narcísico de homem que quer tornar-se. Se porventura no Complexo de Édipo, a menina tiver permanecido vinculada ao pai, sua escolha dar-se-á segundo o tipo paterno. Seu marido seria o herdeiro do pai. Isto assegura um casamento feliz por algum tempo.Lacan (1998) confere à mulher o fantasma do desejo masculino, vindo a completar a parte faltante do sujeito. A mulher é objeto de fetiche de um homem, uma parte de seu corpo ou um acessório opera como causa de desejo, objeto. Na dinâmica amorosa, a mulher coloca-se como o objeto que falta ao outro. O homem ama a mulher na medida em que o significante do falo a determina como sendo o que dá no amor o que ela não tem. Observando os conceitos desses autores, voltamos ao eixo central: Ele Bate, fisicamente ou psicologicamente, Ela apanha e sofre o assédio psicológico…As mulheres em situação de violência materializam, em suas relações e em suas condições de vida, um modo de construção subjetiva marcada por avassaladora passividade, na qual as condições psíquicas que permitem o domínio das forças pulsionais pelos processos de simbolização não são dadas, mantendo tais forças submetidas à intensidade traumática, desencadeando um processo que chamarei de devastação subjetiva. A violência representa não um sintoma interpretável, mas algo que resiste e insiste em não ser captado pelas malhas da linguagem. E essa problemática vivida por elas indica a presença de forças que chamamos de pulsionais que apontam para um gozo indizível.A presença insistente da submissão a atos recorrentes de violência, como mostram as estatísticas, evidencia que as mulheres submetidas a essa condição de violência colocam em ato, acontecimentos traumáticos que não vão possibilitar a construção de seu próprio nome. Com isso, a cada vivência com seu companheiro em que um ato de violência ganha destaque, ela nos coloca diante da repetição, de uma forma de relação, marcada pelo não reconhecimento de sua condição enquanto sujeito.Então podemos ir a origem dessa posição subjetiva de manter-se enclausurada num devastador aniquilamento subjetivo pode estar relacionada a um impasse no desenvolvimento de uma relação primeira entre a menina e sua mãe que, ao invés de lhe garantir condições de inscrição na trama edípica e suas consequências para a constituição de sua feminilidade, lhe arrebata a uma posição de fixação numa relação organizada para além do desejo. E, justamente por não serem dadas condições de elaboração e simbolização que esse modo de relação se constitui em um núcleo traumático, não encontrando outra via de expressão senão na insistente repetição nas suas escolhas amorosas marcadas pela emergência da violência.Partindo para uma leitura mais sociológica, aqui no Brasil, o tema é pauta nas políticas públicas, que teve como resultado a aprovação da Lei 11.340 em 2006, a qual cria mecanismos para cobrir e prevenir a violência doméstica contra a mulher. Conhecida como Lei Maria da Penha Fernandes, mulher que viveu seis anos em situação de violência e tornou-se representante da luta contra a impunidade nestes casos depois de tornar-se paraplégica em 1983, devido a um tiro nas costas disparado por seu marido.Além da leitura sociológica do tema é oportuno entender o fenômeno a partir de certas particularidades, que cada caso nos permite construir. O elemento fundante das escolhas amorosas é possível de ser feito através de fragmentos colhidos a partir do início de uma relação. E nessa linha de construção das relações que finalizo meu texto deixando uma dica para quem está conhecendo um novo parceiro, Como diria Nise da Silveira - embora no contexto da loucura - “OBSERVE”… Preste atenção no comportamento, não nas palavras. Qualquer comportamento que lhe humilhe ou lhe envergonhe, seja publicamente ou na privacidade, não é um relacionamento só tóxico, trata-se de um relacionamento abusivo. Se ele está tentando mudar seus hábitos, não apoia seus sonhos e a sua auto expressão, isso é egoísmo abusivo - Essa é a base do confronto na 1a fase da relação. Para aqueles que estão numa vida conjugal, onde não há mais comunicação, diálogo, um desconsidera o outro, quando não há mais carinho, repense a relação! Busque ajuda de uma profissional da saúde mental. Se a relação não está no nível do abuso, a terapia de casal, bem como manter rotinas prazerosas, como aulas de dança , por exemplo, são boas ferramentas, comprovadas cientificamente para a saúde mental de ambos.. De acordo com os teóricos e filósofos, ninguém alcançará a harmonia conjugal perfeita, mas está tudo bem, porque a convivência é uma Arte! É um processo de trocas igualitárias. A responsabilidade implantada ao homem pela própria sociedade, como por exemplo do homem provedor, do homem que não chora e tem que ser forte, valente, viril, fez com que ele “bebesse do próprio veneno” , ou seja, o empoderamento da mulher no mundo contemporâneo, os remeteram às fragilidades do inconsciente, se sentindo inseguros, inferiorizados e com enorme dificuldade de lidar com isso. E essa mesma sociedade patriarcal que delegou esse “poder”, o fez acreditar, que ele tem o direito até de tirar a vida da sua parceira Pelo que tenho observado na clínica, dentre outros fatores, como o incentivo à misoginia, que vivemos atualmente, mas sem descartar os distúrbios e transtornos de personalidade, de fato, sugerem o aumento da prática da violência contra a mulher, tentando de alguma forma subjuga-la naquele papel do início da era medieval, ao qual a mulher era escravizada, submissa, onde suas subjetividades eram desconsideradas.Eu sobrevivi a uma história de abuso psicológico e além do conhecimento técnico e expertise na prática de atendimento e atenção à mulher na clínica, convido todos e todas a participarem do Workshop 100% gratuito, onde irei falar sobre minhas práticas, experiências e quais estratégias me utilizei para me livrar de um abusador. Confirme sua presença!