tenho tanto pra falar mas me falta força de dizer

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tenho tanto pra falar mas me falta força de dizer

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cheguei no limite.
eu desisto.
vivendo ou existindo ?
me pergunto se cheguei no ponto onde viverei de fato ou se apenas existirei até onde me for permitido ? talvez seja efeito do remédio agindo no meu cérebro, amortecendo todas as sensações sejam elas boas ou ruins. talvez demore um pouco pro meu corpo acostumar com a sensação de quietude. sentir nada é melhor que sentir muito ? ainda não sei dizer. só sei que paira sobre mim essa sensação de amortecimento, meu andar é suave, minha respiração é lenta, meu coração bate devagar, o mundo gira mais lentamente e os pensamos se forçam a existir dentro da minha cabeça. sinto certo alÃvio em não pensar tanto, mas ao mesmo tempo nunca me senti tão sozinha.
a volta de quem não foi.
hoje foi um dia difÃcil. senti que a esperança que ainda restava em mim caiu junto comigo no fundo do poço.
senti que chorava sangue, de tão pesadas que as minhas lágrimas eram e ainda estão, na verdade. estar nessa situação é a grande e cruel piada divina
minha ÚNICA maneira de escapar e desabafar é escrevendo todas essas crueldades nesse espaço quase anônimo. chegou num ponto onde não consigo explicar a dor que eu sinto é como se o mundo inteiro continuasse girando enquanto o meu continua aqui parado, estagnado cruel e dolorido.
só sei sentir raiva na boca só resta o amargor de um futuro que é me negado e eu sei que tenho direito.
a vida é cruel, uma hora ou outra essa crueldade te enlaça
te devora
quando você menos espera
chega a sua hora.

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como pode um vazio ocupar tanto espaço.
vivendo pequenos lutos todos os meses. lutos de uma vida que eu sempre desejei.
sinto a falta de alguém que nunca conheci.
todos os dias. sinto falta de uma risada que nunca ouvi, de um cheiro que nunca senti, de uma voz que nunca falou. e de um amor que nunca amei. sinto um vazio no meu ventre que nunca foi preenchido. sonho um sonho que os outros realizam.
é uma dor uma falta que nunca tem fim. não aguento mais
buscando a cura em meio ao caos.
a compreensão de que a cura realmente está ligada a encarar de frente o que se faz doer, ir de encontro e abraçar onde machuca, caiu aos poucos na minha mente.
hoje consigo ver com clareza, que todo o tempo em que neguei e fugi do meu caos, as feridas não se cicatrizam, elas foram se aprofundando cada vez mais em mim. e quase viraram parte de uma pessoa que não gostaria de me tornar, o amargor que sentia em mim, de maneira nenhuma poderia se tornar real.
precisei reagir.
quando tive que lidar com meus problemas, praticamente gritando coisas na minha cara, foi quando eu resolvi abraçar
o caos.
foi quando eu senti um conforto pela primeira vez em anos. disse a mim mesma que não adiantava mais nadar contra a maré. foi chegada a hora de mergulhar.
mergulhei em mim e vi as feridas abertas, todas sangrando sentimentos que tanto fugi de encontra-los. era como se todo aquele mar agitado, toda aquela natureza avassaladora e descontrolada, fosse parte de mim.
a água era no final das contas, tudo o que queria falar, tudo o que precisava desabafar. era um afogamento sim, só que em palavras.
a maré sobe quando me calo , quando busco abrigo de um passado que hoje, não existe mais. é por isso que me sinto tão diferente, não sou mais a mesma, não sinto mais o que sentia, existe outra versão de mim, que tanto neguei por querer conforto de uma epoca que não existe mais.
é tempo de ser uma nova versão.
de mim
ter fé muda vidas, escreve histórias, trilha caminhos, nos aproxima do maior energia existente no universo. é chegar ao divino sendo humano.
queria muito saber e sentir como é chegar nesse ponto da vida, onde a força do querer e da crença é tão imensa que o impossÃvel passa ser apenas uma ideia e não uma certeza.
ciclo vicioso.
li um livro esses dias que descrevia que a origem do sofrimento psiquico é o pensamento, o famoso "overthinking". que somos facilmente acostumados a sentir confortáveis nessas zonas e cenários conhecidos, pois vivemos 24h por dia nos sentindo assim.
não tem como não concordar.
me propus a mais uma reflexão sobre como eu penso demais a todo momentos. é exaustivo, e acredito que seja uma das razões que me faz sentir tão exausta sobre tudo.
li que essa zona de sofrimento é uma zona segura e isso me fez pensar em quanto sou facilmente levada à um caminho de culpa. procuro me culpar pelos erros das pessoas ao meu redor a todo momento. procuro migalhas de razões pra chegar a conclusão de que tudo de ruim que acontece, é minha culpa.
talvez a sensação de afogamento que sinto, quando minha ansiedade me domina, tenha a ver com essa busca incesante de culpabilização que eu, infelizmente, busco inconscientemente. afinal, é isso que se sentir culpado faz, pelo menos na minha consciência.
é extremamente doloroso se dar conta disso, porque passei mais da metade da minha vida procurando razões para pensar que certas coisas acontecram por culpa minha, sendo que lá no fundo do meu ser, eu sei que não tem como me culpabilizar pela atitude dos outros.
é exaustivo me condicionar aos pensamentos ruins porque é uma zona confortável para o meu cérebro. passei tanto tempo na vida me sentindo um lixo que minha mente acha normal se sentir assim.
o pior de tudo é se dar conta disso e não saber como agir e o que fazer.
e agora, a culpa é de quem ?

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vontade de me desintegrar
queria aprender a ser feliz de novo.
maré subiu.
e dessa vez me arrastou pro meio do mar, sinto cada vez mais meu corpo afundando, logo perco a consciência
e deixo de existir.
~ sobretons.
incrÃvel o poder de palavra
fico inebriada quando consigo dar sentido a elas. tão bom enxergar o bonito onde não se vê beleza. queria poder enxergar os sons também, ver sentido em notas. a música que se cria elevando e baixando tons, melodiando a vida poetizando palavras, fazer da dor uma música bonita de encher os olhos e de esvaziar a alma. que lindo os detalhes que a gente se emociona quando se é possÃvel ver, quando se enxerga que em cada canto vive um mundo é a realidade que nos faz pequenos, mas é sentir que nos faz grandes.
queria poder cantar o que sinto, mas talvez escrever já seja um começo, dar sentido a caminhos que não percorri, mas que sinto nos pés as dores do caminhar.
transbordar é uma palavra que me visita. eu sempre estou transbordando. talvez eu tenha aprendido a sentir intenso, então tudo pra mim é muito.
encaro as coisas com sentimentos à flor da pele, isso sempre me faz transbordar, seja bom ou ruim, sinto que chego ao limite e sinto que se esvai aos pouco tudo que me habitava. se a tristeza bate na minha porta, eu abro e convido pra um chá, ela vem tipo visita sem relógio, nunca tem hora de embora. então ela inunda dentro de mim até que não exista mais espaço pra ela fluir e quando penso que não tem mais pra onde expandir, ela vai.
assim como a felicidade.
que me preenche dos pés e transborda pela bordas, me expande, me fascina, cada canto meu é luz, sou completamente maravilhada nesse processo.
acho que isso me faz uma lupa e não um copo.
eu aumento o que sinto, eu irradio o que vejo.
escrevendo aqui percebo que então eu não transbordo
eu expando.

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queria que o querer bastasse.
raiva.
experimentando viver os sentimentos ultimamente. e a raiva tem me descolado da realidade.
como pode? sentir raiva é realmente doloroso.
às vezes parece que sentir isso é diretamente ligado a fazer doer, seja em você mesmo ou em alguém.
e é doloroso o descontrole que a raiva traz, porque te fazer querer realmente que essa dor vá pra algum lugar, ela precisa sair de dentro de você de alguma maneira. *
a raiva vem em mim da frustração que ando sentindo em relação ao querer muito algo, a querer demais e ser negada.
já culpei Deus e a turma toda, mas vi que de nada adianta culpar quem não tem de fato, culpa.
apesar de tudo, fico mais tranquila que não esteja direcionando isso a mim mesma... uma tonelada a menos pra arrastar. apesar de estar tentando lidar com essa frustração toda e eu realmente estou aprendendo a me conformar com tudo isso, ainda sim, as pontadas de raiva estão ali pra me lembrar de que a vida é uma limonada azeda e amarga e que o açúcar nunca vai chegar no meu copinho.
bizarro, antes era a tristeza que vinha me visitar, agora é raiva quando eu finalmente consigo me conformar. parece que estou vivendo um luto, mas de quem?
talvez uma parte de mim morreu nesse processo e isso me enlutou de alguma maneira? não sei. talvez seja mais uma coisa pra tratar na terapia.