As Páginas que Ainda Te Procuram
Em verdade, não sei o que poderia escrever nestas páginas, claras como neve, sinto uma breve tristeza misturadas com nostalgia e um senso de o que vem a seguir, por preenchê-las - mesmo que isso seja para cumprir seu propósito inicial - devaneios. Sendo mais franco nessa questão, nem se quer penso no que posso escrever aqui, além do que, perdi a tempos meu hábito - não que fosse uma habilidade realmente louvável - e quando revejo ideias antigas de manuscritos, como tenho dito, vejo a existência de um forte traço adolescente em expressão, dramático, sincero, equivocado, exaltado, sonhador, e tudo mais que nos afeta mental e emocionalmente em uma fase um tanto quanto duvidosa e formação emocional e biológica. Trançava ideias e pensamentos lúdicos sobre assuntos e sentimentos, ou sem real maturidade, ainda que, no tempo, considerava ser a uma obra justa. Olhos fixados demais, eu diria. Alguns dias em preto e branco, e de repente aquela coloriu tudo. Nesse quesito espero que as águas confusas não te façam pular, isso é um convite. Então buscarei falar do grande amor que eu tive a proeza, passível de repúdio, de perder por ímpeto próprio. Não me odeie. Sem o clichê de “perdi o amor da minha vida pois tínhamos caminhos diferentes” - não acredito nisso ao pé da letra como regras "hipernaturais" como frações das entrelinhas da vida. O amor vívido, em seus traços, se caracteriza por escolhas e sacrifícios, até mesmo para a manutenção de tal. Quantos de nós perdemos - e desafio a você pensar nisso - por medo, pelas circunstâncias, pela imaturidade de um tempo que não voltará mais, apesar de por vezes acabar se repetindo como vício ultrajante na vida de alguns dos que aqui estão, e de uma pessoa que não somos mais. Até que ponto estamos bem com isso ao longo da vida? Então suponho, até aqui, que esse livro é sobre o amor que eu vivi, apenas um palpite, e vivifiquei, e o que poderíamos ter vivido, como o grande conto do sonhador que fui. Como poderia não dedicar minhas melhores páginas a isso? Essa é um assunto do coração - mais profundo do que imaginei ao começar a escrever nessa página - de um pensante ser escritor, "achista" por natureza, que começa pelo perdão. Dito isso: Luana me perdoe, e - para além - um desejo. Me ame novamente. Fui um tolo. E foi a isso que começar aqui me levou? Tolo.












