Dizem que o tempo cura tudo. Eu não acredito. O tempo não cura; ele ensina a esconder. Ensina a sorrir enquanto o peito ainda pesa, a seguir em frente mesmo quando uma parte de nós ficou presa em um instante que nunca mais voltou. Algumas dores não desaparecem, apenas aprendem a fazer menos barulho.
É estranho perceber que as pessoas mais intensas também são as que deixam os maiores vazios. Elas entram na nossa vida como um incêndio, aquecem tudo o que estava frio, iluminam lugares que nem sabíamos existir e, quando partem, deixam apenas fumaça, silêncio e a difícil tarefa de reconstruir o que sobrou.
A verdade é que ninguém sai ileso depois de sentir de verdade. Amar, sonhar, confiar, entregar a alma… tudo isso tem um preço. E, às vezes, esse preço é carregar lembranças que insistem em viver mesmo quando a história já acabou. Há noites em que a saudade pesa mais que o sono. Há dias em que um simples cheiro, uma música ou uma palavra têm força suficiente para derrubar todas as muralhas que passamos tanto tempo construindo.
Mas talvez a beleza da vida esteja justamente nisso: nas marcas que ela deixa. Cicatrizes são a prova de que sobrevivemos às batalhas que quase nos destruíram. Elas não nos tornam fracos; nos lembram de que tivemos coragem de sentir, mesmo sabendo que sentir também dói.
Hoje já não corro atrás do que foi embora. Aprendi que algumas pessoas foram feitas para ser capítulo, não destino. Ainda assim, agradeço por tudo o que me transformou, até pelas dores. Porque elas me ensinaram que a alma nunca volta a ser a mesma depois de viver algo intenso. E, sinceramente, talvez esse seja o verdadeiro significado de existir: colecionar pedaços de quem fomos, enquanto tentamos descobrir quem ainda podemos nos tornar.












