Estava em Grandview, tarde da noite, finalmente tendo convencido uma das enfermeiras novatas a emprestar um telefone celular por uma noite. A clínica de reabilitação funciona para tratamento de dependência de álcool, drogas, distúrbios de pânico e ansiedade, estresse pós-traumático, depressão, distúrbios bipolares e alimentares. Atende no máximo doze pessoas por vezes, todas cheias da grana, cercadas por profissionais da saúde e tipos de terapia, mas solitárias. Freya estava lá há dois meses e até então não recebeu nenhuma visita, nem mesmo de Alexander e Francine, que a deixaram lá e não voltaram mais. Grandview tem uma política muito rigorosa quanto à presença de familiares dos hóspedes, para que estes não sejam distraídos nos primeiros meses de tratamento. Telefones não são permitidos, somente correspondência postal. Mas não é do estilo da Greene se aquietar e simplesmente seguir as regras. Depois de duas quinzenas bem conturbadas, conseguiu consolidar uma amizade com uma enfermeira mais ou menos da sua idade, e acabou ali algum tempo depois, sozinha em seu quarto depois de todas as luzes serem apagadas, com um aparelho de celular muito medíocre nas mãos, mas que serviria para a função. Era pura sorte ter decorado o número de Vincent, porque ele era a primeira pessoa com quem gostaria de falar. Vinham se correspondendo por cartas, mas era pouco e a Greene faria qualquer coisa para ouvir a voz do mais velho. “Alô?” Sua voz soou bem baixinho depois das chamadas, quando pensou ter sido atendida por alguém.