O vira porco
Olha, quando eu era moleque, tinha lá meus 13, 14 anos, meu finado pai sempre me contara as suas histórias de viajante, e nessas viagens ele conheceu Marituba, gostou da terra e decidiu morar aqui, mas o que ele dizia pra mim e pro meu irmão mais novo era que ele não imagina que passaria o maior aperreio da vida dele aqui. Certo dia, ele tinha acabado de começar a trabalhar no que antigamente chamavam de leprosário aqui onde hoje fica o bairro da colônia. E tá, começou a trabalhar, se eu não me engano ele trabalhava de copeiro e era quase sempre um dos últimos a sair do leprosário e lá o trabalho ia até mais ou menos o meio da noite. Ele, o meu pai, já tinha sido avisado que não era bom ele sair na rua lá pelo horário de meia noite que pelos bairros andava rodando um tal de “Vira-Porco”, mas pois é, o meu pai se achando o esperto, levou os avisos na sacanagem e nem ligou. Tá, ai ele tava lá, saiu do leprosário e veio simbora no rumo de casa, ai ele tava lá por metade do caminho ele sentiu um negócio que era como se tivesse algo perseguindo ele, ai tá, mas ele continuou no rumo dele, até que ele ouviu um barulho quase que um grunido, ai ele ficou cabreiro né e olhou pra trás, no que ele vira, tá lá o porco gigante peludo quase que um javali, ai meu pai se pôs correndo no rumo de casa com o porco atrás dele, na época era tudo um matagal aqui na colônia que num tinha pra onde ele se esconder a num ser que ele fosse pra dentro do mato, e foi o que ele fez. Aí foi mato adentro até que ele não ouviu mais o porco, ai ele ficou lá no meio do mato até o sol raiar, quando ele pensou ter certeza de que o maldito porco não tava mais lá ele voltou pra estrada, ai ele andou, andou, e quando tava chegando perto de casa lá vem o porco de dentro do mato correndo e grunhindo atrás do pai... até que o pai chegou na porta de casa, bateu agoniado, até que a mãe abriu a porta pra ele perguntando: -- Eita homi, pra que essa aguinia toda eim? Ele disse: -- Egua mulher, fecha essa porta logo que o Vira-Porco tá atrás de mim. Ai ele explicou toda a história pra mãe e nunca mais desde então ele num saia no meio da noite.
INFORMANTE: José Ferreira Cardoso IDADE: 63 anos LOCALIDADE: Marituba BOLSISTA: Gabriel Henrique











