Állítólag a szerelem mindent legyőz... Akkor hol van a kardja és miért nem áll harcba?

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Állítólag a szerelem mindent legyőz... Akkor hol van a kardja és miért nem áll harcba?

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Viadal: - Fotos para mais tarde recordar.
PARTE V: - Mais recantos de Viadal.
Antigamente estas alminhas, com tábua votiva, estavam colocadas no lado oposto do caminho.
Festa de Viadal: - Banda de Vale de Cambra. Ano de 2022.
Estêvão T. Coutinho era natural de Couto de Esteves. Tinha as profissões de agricultor, canastreiro e capador. Sabia ler e escrever.
Estes santos, protetores das trovoadas, foram oferta de Estêvão T. Coutinho à ermida.
O seu nome era José de Almeida, vindo de Paço de Mato. Foi mobilizado para França durante a I Guerra Mundial.
A gravura, em destaque, encontra-se inserida na pedra de cima duma janela.
Em primeiro plano a saudosa tia Lina, seguida do Avelino do Alqueve.
As últimas três fotos são aproximadamente do mesmo local, embora de ângulos diferentes. As duas primeiras respeitam ao caminho medieval e esta à estrada que se lhe sobrepôs. De costas o saudoso Aristides e esposa.
De costas e ao centro o saudoso tio Fernandes, rodeado de familiares.
Viadal: - Fotos para mais tarde recordar.
Parte III - Pela Serra da Freita.
Sobre esta romaria ver a VC nº 617 de 15 de Fevereiro e 1997.
Romeiros de Viadal, reconhecendo-se em primeiro plano o tio Vigário e o Matos madeireiro.
Neste local verificou-se grande atividade de mineração do volfrâmio durante a II Guerra Mundial, que ainda hoje são recordadas por toda a serrania, como se induz da quadra seguinte recolhida, em Viadal, pela Sandra Lopes:
Adeus ó rio de Frades/Adeus ó Vale da Sardeira./Tu foste a mãe dos pobres,/Que lhe encheste a carteira.
Habitação que, parece, é conhecida pela casa do brasileiro.
Sobre a construção desta capela no Curro dos Lobos e outra no Chão do Monte, junto a Vilar, ver a VC nº 616 de 1 de Fevereiro de 1997.
UM GALINHEIRO EM VIADAL, CERCA DE 1960.
. Prólogo.
Até à década de cinquenta do século que findou as aldeias da Serra da Freita, viviam, pode dizer-se, com os costumes e valores do século XIX. Contudo, com o rasgar das estradas, a chegada da luz em finais de 1965, a emigração e a guerra colonial, um mundo diferente começou a emergir. Fazendo foco na freguesia de Cepelos, constata-se que, com a ligação por asfalto do Porto a Viseu, com passagem pelo sítio da Pontinha, os viajantes foram deslocados para esta via, com o abandono da milenar “estrada romana” por Manhouce e planalto da Freita.
Talvez imbuídos, primeiro, pelas ideias do Estado Novo e depois pela dinâmica do padre Correia, vêm-se instalar na Pontinha duas serrações, posto de leite, forja, alguns estabelecimentos comerciais e uma feira mensal, chamada dos 16. Esta, aí por volta de 1954.
Das casas comerciais destacavam-se a padaria, duas lojas de bebidas e bens alimentícios, chamadas de vendas, e outra de comes e bebes (1), sobretudo aos dias de feira e fins de semana. Era proprietário ou arrendatário desta António Fernandes, também dito de Matos, natural de Carvalhal do Chão, casado com a tia Lina e residente em Viadal. Era empreendedor o tio Matos, já que também negociava em madeira, vendia nas festas das aldeias, os famosos pirolitos e, mais importante de tudo, fundou um galinheiro com fins comerciais, que, julgo, terá sido o primeiro na freguesia, senão mesmo na Serra da Freita. Disseminou também a plantação de eucaliptos, árvores estas de que existiam poucos exemplares, embora de grande porte em Viadal e Vilar. Uma era da nossa família no sítio do Chão do Moinho e umas duas ou três à entrada de Vilar, antes de se chegar ao Rio. Estas duas últimas atividades – aviários e plantio de eucaliptos - vieram a revelar-se bastante rendosas nas décadas seguintes, como é sabido.
Era o tio António ainda agricultor, mas desta atividade são-lhe conhecidos poucos atributos, já que era tarefa quase exclusiva da sua esposa, a tia Lina. A esta, cabia-lhe ainda cuidar dos filhos (2), Manuel Augusto, Camilo, José e Adão.
. A localização do galinheiro.
Naquele tempo, pelos caminhos das aldeias deambulavam muitas galinhas - vigiadas pelos altaneiros galos - que passavam o tempo a depenicar aqui e acolá e a esgaravatar o chão em busca de bicharada. Por vezes, punham os ovos por ali, sobretudo onde houvesse ervas secas altas e alguns arbustos, para tristeza das donas e gáudio da garotada. Engraçado era ver os pintos atrás das mães, também a depenicar e a encherem o papo com a bicheza e até pequenos vidros. À noite, recolhiam às capoeiras, que raposas era coisa que não faltava por aquelas bandas. Viadal não fugia à regra.
Sabedor destes desmandos dos galináceos, não terá sido por acaso que o tio Matos foi erigir, cerca de 1960, o seu galinheiro fora da aldeia, na ribeira, abaixo da Bouça do Outeiro, ali onde o caminho faz uma curva, na Cavada Velha, mais ou menos a meio do trajeto que levava ao rio Caima no Pisão. Tinha então na sua residência uma chocadeira, para a reprodução dos pintos.
A estrutura em tabuado, mas com telhado, tinha uma parte para os franguitos e outra mais ampla onde estavam as poedeiras, que eram alimentadas com regularidade. Havia, porém, alturas em que o dono ou os seus familiares abriam as portas e as aves vinham depenicar cá para fora, tal como as suas congéneres do lugar. Só que, mantendo a tradição, as galinhas não conheciam as regras e descuidavam-se pondo os ovos por ali, incluindo nas cavadas (3) dos vizinhos, que fronteiras não era com elas. Como o sítio era ermo, à noite e mesmo de dia, as manhosas raposas não despegavam dali e, de quando em vez, lá ficava o proprietário sem mais uma ou duas.
Apesar de todos estes dissabores, o tio Matos lá ia ganhando para as despesas, com a venda dos ovos na feira da Gândara e a outros clientes fixos. Assim foi durante alguns anos, até que abandonado o galinheiro para ali ficou, sozinho, no meio dos eucaliptos que foram crescendo em seu redor, como é visível nas fotos ilustrativas, datadas de 2005.
.A “estória” do “desvio” dos ovos.
Como referido, quem tinha propriedades por perto se encontrava os ovos, nomeadamente a rapaziada, escusado será dizer que os traziam para casa, senão mesmo os bebiam por lá, fazendo-lhes um buraquinho de cada lado, prática muito corrente então. Conhecedor destas peripécias, por as ter ouvido contar, um neto do tio António Matos, o Marco, em cavaqueira recente com este escriba, que lhe deu conta da existência das fotos, perguntou:
“- O tio Manel também roubava os ovos ao meu avô?
- Não era preciso, Marco. As galinhas é que eram finas – espertas - e me conheciam e aos outros vizinhos”, respondi.
Obtendo uma risada do Marco, continuei dizendo: - “Talvez não saibas, mas a cavada ao lado do galinheiro era do meu avô paterno. Logo, se lá apareciam os ovos havia que dar-lhes destino apropriado, está bom de ver. Olha que o teu pai, garanto eu, também fazia sociedade nas tainadas - patuscadas - em casa do tio Aristides, que bem conheceste. Deixa lá, vou compensar-te, mostrando-te as fotografias”.
Como o prometido é devido, aqui se deixam as fotos do primeiro galinheiro, com fins comerciais, que existiu na Serra da Freita, estou em crer.
SERAFIM SANTOS DE FUNÇÃO, OUTRO EMPREENDEDOR.
Já que o Marco gosta de saber coisas dos tempos passados do lugar de Viadal, aqui se dá nota de mais um empreendimento que existiu, pela mesma altura, ali muito perto do galinheiro, no sítio do Moinho de Carvalheda e que julgo pouco conhecido. Tem, mais uma vez, como personagem central um agricultor, comerciante e madeireiro chamado Serafim Fernandes dos Santos, meu tio materno.
Nascido em Vilar, mas casado e residente (4) em Função, à beira da estrada principal e da que leva ao santuário de Nossa Senhora do Desterro, também se dedicava à compra e venda de madeira. Acontece que, naquela altura, a estrada em Cepelos só chegava a Gatão e em Roge findava junto à sua venda em Função. Tendo adquirido madeira na margem esquerda do rio Caima, ou seja, na ribeira de Viadal, teve uma ideia genial e que pôs em prática.
Amarrado num penedo, existente na cavada do tio Américo, um pouco à frente da presa dos Toretes e abaixo da quelha do Moinho de Carvalheda, fixou um cabo em aço que transpôs para a margem direita, fixando-o, sensivelmente à mesma altura, lá em cima, junto às leiras.
Transportados os toros por carros de bois ou ao ombro, pelos homens contratados, eram depositados, junto ao embarcadouro, chamo-lhe assim. Amarrados com duas ou três cordas espaçadas, eram pendurados numas outras tantas roldanas presas ao cabo e empurrados sobre o Caima. Era fácil esta primeira fase, já que até à curvatura do cabo a carga ia embalada. Mais ou menos a meio do trajeto parava e ficava para ali a baloiçar. Pouco depois, os trabalhadores, que estavam da outra banda, acionavam um maquinismo que enrolava uma corda presa à carga e, a custo, a madeira lá chegava ao lado de Função.
Esteve algum tempo em atividade esta modalidade engenhosa de transporte de madeira entre um lado e outro das escarpas do Caima, só que um belo dia chegou a triste notícia. O cabo tinha-se partido ou mesmo sido cortado, como se ouvia dizer à boca pequena, mas de que desconheço as conclusões. Do lado de Viadal, talvez ainda por lá esteja o pedregulho com as marcas da fixação. Situava-se muito próximo da parede da cavada que foi do tio Fernandes, meu pai.
Novembro de 2022.
Tio Manel
ANOTAÇÔES
– Situava-se na estrada para Gatão, frente à escola, visível na fotografia da feira dos 16, datada, parece, de 1968. Era a terceira a contar de cima. A título de comparação, publica-se uma foto, do mesmo local, datada de 5 de Agosto de 2001. Trata-se da procissão em honra de Nossa Senhora das Neves. Foi dia de comunhão solene.
– O Manuel Augusto, que foi madeireiro, e o Camilo já são falecidos. A ascendência materna de António Fernandes de Matos consta, muito resumidamente, nos anexos à Monografia de Viadal, texto dactilografado, da minha autoria, Genealogia dos Fernandes. Era irmão de Manuel e do saudoso Sr Adão Tavares, agricultor, cantador e poeta popular, que viveu em Carvalhal do Chão.
- Courelas de pastagem de gado e obtenção de lenha, delimitadas por parede/muro de fácil transposição.
- A casa em granito ainda lá está. Aqui viveram os seus filhos, nomeadamente o saudoso António, que também se dedicou à compra e venda de madeira, entre outras atividades. A ascendência de Serafim dos Santos pode ser consultada num trabalho, por mim redigido, intitulado O Tabelião da Serra.
FOTOS: - Galinheiro, Feira dos 16 em Cepelos, Procissão na Pontinha, bem como do Marco e tio Manel.
Galinheiro em Viadal na Cavada Velha
Galinheiro, visto de outro ângulo.
Galinheiro, mais uma foto. Ano de 2005.
Bouça do Outeiro. Ano de 2005.
Feira dos 16 na Pontinha, Cepelos. Cerca de 1968.
Procissão na Pontinha. Ano de 2001.
Marco e tio Manel em dia de confraternização. Ano de 2022.
Ver acima publicidade ao estabelecimento de Serafim Santos de Função, em finais da década de 40 do século que findou. (in, A. Martins Ferreira - Vale de Cambra).
S. MATEUS DE BAIXO OU S. MATEUS DE CIMA. Qual o Santo verdadeiro, em Sever do Vouga?
(in, Voz de Cambra nº 725 de 1 de Novembro de 2001)
Introdução:
Desde criança fomos habituados a ouvir falar das virtudes milagrosas do S. Mateus, lá para as bandas de Sever do Vouga. Fizemos, inclusive, essa viagem a pé – finais dos anos cinquenta – através do Arestal. Recordamos de então uma pequena ermida numa das aldeias e as ramadas cheias de cachos com uvas maduras.
Já então, como hoje, visitava-se o S. Mateus de Baixo e o S. Mateus de Cima, persistindo sempre a dúvida sobre qual seria o Santo verdadeiro. Pensava-se que num dos lados estaria o S. Matias e noutro o S. Mateus. À falta de verdade histórica ofertava-se os dois santos e regressava-se a casa com a noção do dever cumprido.
Passados todos estes anos quis a sorte que visitasse-mos novamente os locais, no decurso do “pagamento” de uma promessa de um familiar nosso.
A CHEGADA A S. MATEUS DE CIMA (Paçô, Sever do Vouga).
Chegados ao pequeno recinto fronteiro à ermida, encontramo-la fechada, em virtude de ser dia útil da semana. Procurada a chave e feita a promessa, inquirimos umas habitantes da aldeia sobre qual dos Santos era o mais verdadeiro. A resposta veio rápida:
“É o nosso. Saiba o Sr. que a maior festa é aqui”
e ainda
“Vem aqui constantemente gente de Vale de Cambra pagar promessas”
(duas informantes com mais de 70 anos).
Trocadas ainda palavras de circunstância sobre o S. Matias e a sua proveniência, nenhuma das senhoras se mostrou conhecedora ou interessada a prestar tal esclarecimento. Certo é que a imagem principal é do S. Mateus, estando mesmo afixada em painel de azulejo na frontaria da capela. Azulejaria esta que datará de inícios da década de 70 do século XX e contemporânea da ampliação da ermida, aliás carecida de nova reparação.
NO S. MATEUS DE BAIXO (Gândara, Pessegueiro do Vouga).
Não muito distante, embora pertencendo a outra freguesia, situa-se o S. Mateus de Baixo. A pequena capela encontra-se em terreiro elevado alguns metros em relação à estrada, a que se acede através de uma escadaria. Foi restaurada e ampliada por alturas da anterior e incorpora na frontaria elementos da antiga, inclusive uma pequena imagem que se supõe ser a primitiva.
Feitas diligências para localizar a chave fomos também amavelmente recebidos pela zeladeira, que se prontificou a esclarecer todas as nossas dúvidas. A resposta é que foi igual à anterior, ou seja:
“Diziam os antigos que lá em cima era o S. Matias. Agora é que fazem a festa no mesmo dia”.
e ainda
“Se este não fosse o verdadeiro, como se explicaria tantas dádivas em cera e as visitas constantes do povo de Vale de Cambra?”.
(informante com cerca de 50 anos)
Na verdade e como podemos constatar são muitos os ex-votos em cera guardados em sala anexa ao templo. Trata-se sobretudo de partes do corpo humano (pernas, pés, braços e mãos), o que indicia que as graças recebidas estavam relacionadas com a cura de doenças dos ossos. Há mesmo uma moldura, afixada numa das paredes com um ex-voto, que inclui um enfermo na cama o que pressupõe ter sido grande o milagre ocorrido a crente não identificado, no ano de 1844.
OS DOCUMENTOS.
Intrigados com tais factos efectuamos alguma pesquisa histórica, por forma a fazer luz sobre este enigma da fé. E a conclusão, como veremos, é que os dois Santos são verdadeiros, só que um mais antigo (o de baixo) que o outro. Com efeito, compilada a obra de António Henriques Tavares(1), sobre a freguesia de Pessegueiro do Vouga aí se demonstra que a ermida do S. Mateus de Baixo é anterior a 1691, por nesse ano estar já a ser reconstruída, como consta de relato de visitação então feita à freguesia.
Quanto ao S. Mateus de Cima, o de Paçô, o culto inicial terá sido em honra de Stº André, como vem descrito na Memória Paroquial da freguesia de Sever do Vouga, ano de 1732. Mais tarde, terá sido de S. Matias e hoje de S. Mateus. É aqui, e no dizer do autor que temos vindo a seguir, que se realiza, nos tempos modernos, a maior festa do concelho de Sever do Vouga.
S. PASCÁCIO, A GRANDE SURPRESA.
No decurso da visita ao S. Mateus de Baixo inquirimos sobre uma simpática imagem de um santo aí exposta. Foi-nos dito que se tratava do S. Pascácio, santo este muito venerado, em tempos, pelas gentes da beira-mar, pois que:
“Quando eu era pequena vinham cá os da Murtosa, montados em burros, em romagem ao S. Pascácio. Não se lhe faz festa”.
( a mesma informante).
Digno de registo é o modo como se homenageia este pequeno santo. Pega-se-lhe com uma das mãos, beija-se-lhe a cabeça, eleva-se e toca-se com a sua parte inferior (pés) na nossa testa. Ficam assim afastados os problemas da demência e da psique. Donde veio e a razão de ser do seu culto é que pouco conseguimos descortinar(2), dada a insuficiência de dados nas fontes consultadas.
NOTA FINAL:
Sendo o apóstolo S. Mateus um só, venerado em dois locais, de Sever do Vouga, que distam pouco um do outro, têm as gentes de Vale de Cambra razões suficientes de fé ou passeio, para continuar a afluir, em 21 de
Setembro, aos dois Santuários. Chegadas lá – S. Mateus de Baixo – podem visitar também o S. Pascácio que aguarda, a partir de agora, por todos nós.
Manuel de Almeida.
Ano de 2001
BIBLIOGRAFIA: (1) – TAVARES, António Henriques – PESSEGUEIRO DO VOUGA – Das origens à actualidade. Ano de 1989, pág. 116.
(2)- Quisemos também documentar-mo-nos melhor sobre este santo. Feitas as pesquisas, verificamos que alguns Dicionários de Santos o não incluem e os outros, nomeadamente o de Georges Daix, referem um S. Pascásio, Radbert que terá sido monge e viveu no século IX.
Também pouco encontramos nas Enciclopédias, a não ser na Grande Encyclopédia Portuguesa (ilustrada) de Maximiano Lemos, volume 8, pág. 330 que menciona um S. Paschasio, este de origem portuguesa e que se supõe natural de Coimbra. Terá vivido nos primeiros anos da fundação do convento de Santa Cruz.
ADENDA. Ano de 2016:
1) Na Voz de Cambra, acima citada, encontram-se publicadas algumas fotografias, nomeadamente do S. Mateus de Baixo e de S. Pascácio.
Aproveitamos para acrescentar que na Freita, quando éramos garoto, era usual apelidar-se de "Pascácio" alguém que proferisse palavras brejeiras a alguma jovem. Esta normalmente respondia: "parece que é (ou és) Pascácio". O mesmo para quem, sobretudo homem, andasse vestido de forma mais descuidada ou demonstrasse ter um comportamento simplório. Exemplos: - "Lá vem aquele Pascácio" ou "O Pascácio foi-se embora".
2) A viagem, a pé, referida no início do texto, foi pela Estrada dos Caramuleiros, várias vezes referida noutros escritos da nossa autoria, nomeadamente nos contos:
a) No Moinho de Tabaçó;
b) Um Roubo na Anta;
c) A Morte, na Anta, do Garoto Traquinas;
d) A Mulher, o Amante e a Morte do Marido;
e) A Pastorinha Encantada;
f) O Criado Enamorado (in, Voz de Cambra nº 825 de 25.4.2006).
3) Advertimos os leitores que o termo "estrada " não deve ser entendido no conceito actual. Apesar de nalguns troços poderem circular, depois da divisão do monte, nas primeiras décadas do século XX, carros de bois; o trajecto mais não seria do que um carreiro por onde transitavam as muares carregadas de mercadorias, guiadas pelos seus donos os almocreves, aqui designados de caramuleiros.
Depois da saída dos Romanos do noroeste peninsular, poucas seriam as estradas terrestres dignas desse nome. Viajar em Portugal, durante toda a Idade Média, era um pesadelo, sobretudo no inverno; como o atestaram vários viajantes que por cá tiveram necessidade de andar.
O panorama só começou a mudar lá para meados do século XIX, com Fontes Pereira de Melo.
4) Regressando à Anta, referimos que ainda hoje, pelo monte fora, não há estrada asfaltada. E como poderia haver, se as diversas aldeias, por lá espalhadas, não são servidas sequer de água canalizada e sistema de esgotos?
Barragens, lá em baixo, nos rios para abastecerem os centros urbanos há. Cá, em cima, na serra, só os incêndios no verão e outras calamidades naturais, de que 2016, está a ser fértil. A electricidade chegou em 1965, é verdade; mas os moradores, dos diversos lugares, tiveram de se quotizar se a quiseram ter, nas suas casas.
O mesmo sucedeu com as primeiras estradas para Viadal, Tabaçó e Carvalhal do Chão; entre outras, de que nos lembramos e a nossa pena registou na Monografia de Viadal; a disponibilizar oportunamente. Idem, Adão Tavares, in "A Minha Aldeia e os Seus Encantos". Ano de 2000, pág. 8.
Queluz, Setembro de 2016.
Manuel de Almeida

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Viadal: - Ramo de maias/giestas afixado em porta de curral, na noite de 30 de Abril para o dia 1 de Maio do ano de 2002.. Esta tradição remonta ao tempo dos romanos, na Península Ibérica.
Viadal: Cruz e ferradura afixadas em porta de curral e Lucília com molho de maias/giestas à cabeça. As fotos são do ano de 2002.
TRADIÇÕES DO LUGAR DE VIADAL: AS Maias....
1. INTRODUÇÃO:
Ao longo de vários anos (1991 a 1996) o Jornal Paroquial de Cepelos “Ecos do Povo” publicou, baseado em estudo da nossa autoria, datado de 1984, a Monografia de Viadal.
Aí se descreve a povoação(1) e caracteriza a sua população, nomeadamente no que respeita ao seu número - 131 -, sexo, nível habilitacional, entre muitos outros indicadores. Dedicamos também várias páginas às actividades das gentes da aldeia e às suas crenças de índole religiosa ou pagã.
Outras houve, como o enfeite das portas com ramos de giestas, as maias, que foram então superficialmente descritas, ou não se lhe fez referência como seja o uso de símbolos nas portas das residências ou dos currais para afastar o “mau olhado”
Passados vários anos sobre o estudo inicial assistimos, em 2002, à tradicional afixação de ramos de giestas, enfeitados das referidas maias, na noite de 30 de Abril para 1 de Maio nas portas e janelas das casas da aldeia, conforme o relato seguinte:
2. AS MAIAS.
Quem conhece a região sabe que, na Primavera, os montes se enfeitam de flores e que as árvores e arbustos se tornam verdejantes. São os carvalhos e castanheiros que se enchem de folhas e sobressaem no meio dos muitos eucaliptos e pinheiros, hoje existentes um pouco por todo o lado e são sobretudo as giestas que se engalanam com as suas vistosas flores amarelas, as maias.
Não espanta, por isso, que o tempo das sementeiras, nomeadamente do milho, seja comemorado com alegria pelas gentes da aldeia e das que lhe ficam em redor, com a afixação de ramos de maias nas portas e janelas, dando um grande colorido às ruas e caminhos da povoação.
2.1. A tarde 30 de Abril.
Decorreu com normalidade o dia 30 de Abril em Viadal. Findo o trabalho nas fábricas foram ainda muitos os habitantes que se dirigiram aos campos, com os seus tractores carregados de estrume ou com as alfaias apropriadas para os lavrar(2). Ajudavam sobretudo os familiares mais idosos que ainda se dedicam à agricultura como actividade principal.
Porém, ao cair da tarde e pese embora o facto de chuviscar, começaram a aparecer, várias habitantes, com molhos ou braçados de ramos de giestas cheios de maias, colhidos nas redondezas. De seguida, dirigiram-se para as suas residências e pertences (currais e canastros) e afixaram nas portas ou nas paredes, junto das mesmas, os mencionados arbustos. Recordamos, sem ser exaustivos, a Lucília, as tias(3) Flávia, Lina, Eufémia e o tio Oliveira.
2.2. A manhã de 1 de Maio.
Já sem chuva, a aldeia acordou na manhã de 1 de Maio toda florida. A maioria das portas e janelas tinham a embelezá-las as coloridas maias. Como a maior parte dos moradores do lugar mantiveram a tradição, caminhos havia, sobretudo no sítio das Carreiras, que estavam todos engalanados com as vistosas flores das giestas.
2.3. Das origens desta tradição:
Inquirida uma habitante, de cerca de 70 anos, sobre a razão de ser deste costume, disse-nos:
“Olha, é tradição! Já os antigos assim faziam. Lembro-me de se enfeitarem as portas, desde quando eu era pequenina”.
Outros, sobretudo o tio Floriano Brandão, têm uma explicação mais racional para este procedimento anual. Ligam-no com a vida, de criança, de Jesus Cristo, a saber:
“Em nome dos romanos governava há muitos anos, na hoje Terra Santa, o rei Herodes. Este deu ordem para que matassem Jesus ainda menino. Alguém, a mando dos romanos, assinalou a sua residência com um ramo florido de giesteira, as maias, de modo a que só Este fosse morto. Sabedores os vizinhos enfeitaram todas as casas, de forma a protegerem Jesus.
O resultado foi que Herodes mandou matar todas as crianças, tendo então fugido Nossa Senhora e o S. José levando consigo o Menino Jesus, salvando-O”.
2.4. Os romanos e as maias.
Tudo indica que esta prática radica num costume pagão dos Romanos. Na verdade, eram famosas nos seus tempos as festas em honra de Flora. Decorriam de 28 de Abril a 4 de Maio altura em que a licenciosidade extravasava o que a moral tinha como sendo tolerada. Com tais práticas se desagradou Séneca, célebre filósofo romano.
2.5. Um ditado popular ouvido a vários habitantes de Viadal:
“Quem não puser o maio, fica com o maio no cú”.
ANOTAÇÕES:
(1) – Decorridas duas décadas sobre a primeira redação da Monografia é possível indicar, hoje, que o primeiro documento escrito que refere a povoação data de 1365 d.c. Pagava então de foro ao Mosteiro de Grijó a quantia de 30 soldos. No século XVI são já abundantes as referências ao lugar e àqueles que lhe ficam em redor, sobretudo Vilar. (In, A Voz de Cambra nº/s 550 e 553 de 1 de Abril e 15 de Maio de 1994 e nº 476 de 15 de Outubro de 1991). - Sobre a Festa em honra de Nossa Senhora da Ouvida, ver também a Voz de Cambra, anos de 1997 e 1998.
(2) – Em 1994, ainda se usavam, fazendo grandes chiadeiras, os carros puxados por vacas e se lavrava a terra com charruas ou arados.
(3) – O termo tio ou tia é usado com carinho, sobretudo para com as pessoas mais idosas, em vez da expressão Sr. ou Srª de cariz mais urbano.
3. O MAU OLHADO.
Crença comum à maioria dos habitantes, bastante viva em 1984, mas hoje praticamente desaparecida, relacionava-se com o “mau olhado” ou “afastar das bruxas” das casas de habitação ou locais de recolhimento dos gados. Era comum ouvir-se então expressões do género:
“A minha vaca adoeceu porque fulano ou fulana deitou-lhe o mau olhado”.
ou
“Isso são coisas de bruxas”
Com o fim de evitar tais males, colocavam-se na frente ou atrás das portas determinados símbolos que pintados ou afixados nas mesmas permitiam com que as “esconjuras” ou outros “mal-quereres” se afastassem para longe. Tais sinais eram a cruz de cristo pintada ou uma ferradura em ferro.
Se tais símbolos eram, no passado, visíveis um pouco por toda a aldeia, nos dias que correm já quase só os encontramos no sítio das carreiras, sobretudo nos currais de gado e em portas que ainda não foram substituídas. Os habitantes mais novos já não sentem a necessidade de se protegerem de tais bruxedos, talvez porque o seu modo de vida principal já não seja a agricultura e também por se sentirem mais racionais mercê da escolaridade.
Certo, é que em tempos idos, os “maus olhados” e as “bruxarias” eram levados a sério e para os afastar lá estavam a cruz redentora ou a ferradura em ferro. Se nem todos assumiam que tinham medo, pelo sim ou pelo não protegiam as suas casas ou animais. Rezava-se mesmo uma oração sempre que necessário e a saber:
ORAÇÃO PARA AFASTAR AS BRUXAS.
“De volta de mim, da minha casa e da minha gente toda, andam três senhores ‘constistas´(1): Sr. S. Pedro, Sr. S. Paulo e Sr. S. João Baptista.
Credo, abrenuncia! Ferradura no pé e freio na boca. Côca e recôca”. – Diz-se três vezes
Com tal reza era certo que qualquer “mau olhado” ou “efeito de bruxaria” ia para longe da pessoa em quem tinha recaído.
O SAL, O LUME E O MAU OLHADO.
Quando o lume arde muito forte e assopra(2), deve-se mandar sal para cima da fogueira e dizer:
“Se houver algum vivo que aqui me quer mal, se quebre este encanto com pedras de sal”
Logo que o sal “estalar” deve-se repetir a reza, pelo menos, mais três vezes.
ANOTAÇÕES:
(1) – Talvez a palavra não seja exactamente esta. Supomo-la relacionada com os apóstolos ou pessoas sábias.
- Muito agradecemos à tia Adelina do Grilo – cerca de 70 anos – a forma amável como nos recebeu e se dispôs a ensinar-nos esta reza.
(2) – Situação em que a fogueira, por vezes, se torna mais viva e a lenha faz algum zumbido.
NOTA GERAL: Matéria publicada no jornal Voz de Cambra, em Maio de 2004.