Sobre aparĂȘncia:
Numa dessas conversas seculares, uma pessoa me disse que eu pareço patricinha, e disse que mesmo quando acho que nĂŁo estou arrumada, eu ainda estou arrumada. Eu talvez pareça muitas coisas das quais nĂŁo sou. Recusei usar maquiagem atĂ© os 20. JĂĄ fugi de casa. Morei na casa de uma amiga por 2 meses na adolescĂȘncia. Dei trabalhos por nĂŁo andar conforme o protocolado pela pessoa que por algum ironia eu mais amo. Minha mĂŁe nunca me disse como eu devia falar ou me vestir. Minha vĂł sempre criou normas para tudo. SĂł se dorme de pijama, calcinha e sutiĂŁ tem que combinar e bla blå⊠eu cresci com referĂȘncias tĂŁo antagonista. Meu avĂŽ era calmo, sem grandes ambiçÔes, suave. Sempre com um sorriso discreto no rosto, tĂmido. O melhor amigo e pai da minha mĂŁe. E o melhor avĂŽ que ele pode ser. Adorava cantar, talvez quisesse ter sido cantor, mas soube administrar seu pequeno negĂłcio. Eu aprendi tantos detalhes com esses humanos. De mĂĄquina de escrever, peças de carro. Hospital. LaboratĂłrio. Toca fitas. Era sobre aparĂȘncia, mas agora Ă© sobre saudade. Ah mente inquieta. O fato Ă© que eu cortei minhas roupas durante alguns bons anos. Usava as mesmas peças atĂ© enjoar. Minha alma era um misto de hippie com punk. Minha vĂł resignou apĂłs longos anos conflitivos. Eu era a âmassaâ de modelar mais difĂcil que ela teve. Eu puxei seu temperamento. Hahaha. NĂŁo foi fĂĄcil pra nenhum dos lados. Eu rompi com ela durante um ano, apĂłs apanhar de forma desmedida por lhe dizer coisas que guardei por 13 anos, ouvindo absurdos. Ela achava que amar era aquilo. E a vida segue sendo sobre passado, presente e futuroâŠ














