Quem muito espera jĂĄ tem a resposta de que deve esquecer. Quem muito esquece jĂĄ tem a resposta de que nĂŁo deve (fazer) esperar. Quem muito se irrita jĂĄ deu a resposta de que sempre vai ter: o que esclarecer e o que acalmar. Quem muito chora jĂĄ tem a resposta de que sĂł vai continuar lacrimejando. Quem muito pergunta jĂĄ tem a resposta de que sĂł vai continuar perguntando. Toda relação tem que ser pesada pelo que muito acontece, pelo que Ă© mais frequente, pelo que Ă© quando o outro sozinho estĂĄ. Toda relação tem que ser pesada pelo que o outro fala quando alguĂ©m de carĂĄter diferente vai escutar. A minha desconfiança nĂŁo Ă© sinĂŽnimo de desamor e nem de falta de admiração, mas o meu amor Ă© quase sinĂŽnimo de todo o horror que eu carrego na minha canção. Eu nĂŁo faço isso que tantos fazem, isso de repetir com o outro o que outros fizeram de ruim. Eu converso com a cicatriz e ela me diz o que trazem pra eu ver, no oposto, o que mais amo em mim. A cicatriz sempre tem a resposta do que lhe cura e do que nĂŁo deve mais suportar. Eu nĂŁo choro mais no canto da sala, eu choro o motivo uma vez sĂł: no sofĂĄ. A minha canção Ă© como aquelas bonitas que nos fazem lacrimejar com o ritmo triste, mas com uma letra que carrega esperança. Justamente por dar tudo de mim Ă© que sĂł sei ficar enquanto tudo avança. Se for para trĂĄs ou parar no meio, eu vou indo embora... querendo ou nĂŁo. Eu trago tudo o que tenho, porque sĂł bloqueio quem nĂŁo consegue ver beleza em fazer valer a letra da minha triste sanção. Ai, que pena, que pena quem vĂȘ o meu pĂ© atrĂĄs como loucura: porque ele sĂł fica assim quando estou com os dois dentro. E quem pensa assim Ă© retrĂłgrado e rebato chamando de frescura â e vendo que outra coisa estava no centro. Fresco Ă© quem tem medo do que Ă© grande, do que Ă© cobrança, do que Ă© demais. Tudo o que Ă© demais Ă© do tamanho normal do que Ă© sentimento e do que Ă© cartaz. Pra levantar um cartaz dĂĄ medo, Ă© preciso ficar a noite toda desenhando, puxando, pintando, fazendo. Quem diz uma vez que o amor precisa de confiança gratuita, hora certa e menos pergunta... jĂĄ estĂĄ se contradizendo. Em questĂŁo do coração, quem muito demora, jĂĄ foi, e quem muito vai, nĂŁo vai voltar. A Ășnica resposta para toda essa equação Ă© que quem muito, Ă© quem, perdendo ou nĂŁo, vai ter uma mĂșsica inteira e de verdade: para cantar.