GÊNERO: Cisgênero masculino.
CARGO: Chefe da segurança na Universidade Valhalla.
DIVINDADE: Amon (mitologia hebraica).
FACE CLAIM: Mads Mikkelsen.
+ GOSTOS: Vodka russa, fogo, violência, escuridão, neve, mecânica, fumaça.
- DESGOSTOS: Toque, falhas, cruzes, leitura, muitas roupas, desistentes, ser observado.
Em idade precoce, foi inserida no cerne de um pequeno Tomislav a ideia de que seu país era o melhor. O maior, o mais poderoso, o que estava sempre certo. Alienado pelo que a mãe o ensinava constantemente e a imagem do pai que constituía apenas uma lembrança na sala de casa — um homem resumido a um retrato emoldurado com uma placa metálica exibindo medalhas de um soldado caído em prol da defesa de sua pátria mãe —, Tomislav crescia para ser um legítimo cidadão russo, honrado e respeitável. Apesar dos sete irmãos mais velhos e o frio desapiedado, a fome ameaçando suas existências constantemente e a rigidez que foram obrigados a desenvolver desde berço para evitar o abuso de transeuntes não tão inocentes, ele amava a União Soviética de todo seu ser. Orgulhosa do comportamento exemplar de seu caçula, Tomislav acabava sendo alvo das atenções e poucas demonstrações de afeto da progenitora constantemente, para irritação dos irmãos. Não que ele acreditasse no fundo cruel que as brincadeiras violentas escondiam, apenas entendendo que os irmãos estavam lhe ensinando mais sobre como o mundo realmente era — em fato, nem os próprios irmãos sabiam exatamente a razão de reterem tanta mágoa do garotinho que deveriam proteger, e não conseguiam entender a necessidade de machucá-lo. Eles apenas conseguiram fazê-lo quando cresceram um pouco mais e Tomislav mostrou ser uma aberração.
Tomislav tinha dez anos quando ele e seus irmãos — nesta época já eram seis ao invés de oito crianças na casa, duas delas tendo morrido devido o frio e a fome — iniciaram campanhas sangrentas contra os que ousavam ameaçar sua família. Sempre com as roupas esfoladas, punhos doloridos e dentes sanguinolentos, o mais novo acabou revelando talento para a violência. Tinha raiva fluindo em suas veias como fogo líquido, algo incompreensível. Necessitava apenas de um segundo para assumir comportamento irascível e avançar em seus oponentes como um lobo faminto. Ele nunca matava, porque a fé cega implantada em seu coração para com a Igreja Ortodoxa Russa não o permitiria, mas deixava danos físicos consideráveis em suas vítimas. Em pouco tempo, Tomislav não era mais o doce irmãozinho da família Dragonov. Ele era o cão de guarda, que permanecia escondido por trás dos irmãos, tão pequeno que mal sabiam de onde vinha tanta fúria apaixonada, até mandarem-no atacar, como uma besta descontrolada.
Foi também nesta idade que passou a frequentar a igreja de fato, firmemente agarrado à mão materna, olhos de pássaro agitado procurando ameaças ao redor e músculos tensos como se prontos para iniciar uma fuga, indicando a criaturinha arisca que era. As visitas iniciaram devido problemas dentro da própria casa, pois todas as cruzes com as quais seus dedos entravam em contato quebravam imediatamente, por mais que não fizesse coisa alguma para provocar o prejuízo. Na sala do padre superior, enquanto Oksana conversava sobre os acontecimentos estranhos com a prole, Tomislav estendeu uma mão para tocar a pintura de uma santa na parede mais próxima. Ao passo que o sangue começou a jorrar dos olhos da imagem e o padre automaticamente começou a entoar cânticos em eslavo eclesiástico, o garoto afastou-se e observou a beleza estética da cena. Como sua mãe diria alguns anos depois, Tomislav sempre gostou de observar o circo pegar fogo.
O caso do garoto que fazia pinturas chorarem sangue e quebrava cruzes acabou sendo encaminhado ao bispo daquela eparquia, quase chegando ao Patriarca de Moscou. A partir daquele momento, as memórias do jovem Dragonov se tornaram um borrão, pois fez questão de apagar os flashes mais perturbadores. Contudo, ainda hoje poderia descrever com detalhes os rituais de exorcismo pelos quais foi obrigado a passar e os horrores que chocaram sua mãe. Suficientemente traumatizado, por mais que fizesse o possível para esquecer, o rapaz nunca mais chegou perto de sacerdotes em outros momentos de sua vida, também acabando por ter problemas em adentrar igrejas, monastérios e outros locais sacros sem se sentir extremamente desconfortável — ofendido até, com uma dor tão grande em seu peito que quase transponha a barreira emocional e se tornava física. Finalmente, sua mãe convenceu que o sofrimento da progênie não valia isto — nesta época, já eram apenas quatro irmãos e ela queria proteger as crias que restavam.
Com dezoito anos, ingressou no Exército Vermelho na primeira oportunidade. Agarrou-se com unhas e dentes à perspectiva de um futuro melhor para os poucos parentes que o inverno havia deixado para trás. Suas economias eram enviadas à mãe sem hesitação, enquanto se engajava com prazer em todos os projetos militares que ofereciam. Por menos disciplinado que pudesse ser em seu passado, era um ótimo soldado. Não via problemas em seguir ordens de seus superiores e se esforçava em cada mínima tarefa, atingindo resultados exímios. Seu destaque no regimento lhe rendeu mais do que medalhas, mas participação na primeira direção-geral da KGB, atuando na área de serviços sujos como assassinatos, atentados, sequestros e bombas. Era bom no que fazia e não precisava de muito para realizar seus serviços. Lutou, ao lado de seus companheiros, até o regime soviético cair, participando da última guerra propriamente dita do Exército Vermelho, a Afegã-Soviética.
Com a já reunida influência entre outros militares de patentes mais altas, foi incluído como Sargento-Major nas novas Forças Armadas Russas, e em pouco tempo já estava galgando os degraus para a subida de patente. A partir de 1993, integrou o Destacamento de Reconhecimento Regimental, que mudou completamente sob o comando do Capitão Khrushchyov, ao qual Tomislav foi submetido dois anos após sua chegada. Dentro deste Regimento, eram treinados para operações de ação direta e exploração de campo. Entretanto, ainda assim contavam com equipes de três ou quatro soldados especializados em reconhecimento, capazes de sobreviver por dias atrás das linhas inimigas. Com a chegada do Capitão, o grupo se tornou ainda mais elitizado. Duas equipes de cinco pessoas foram selecionadas para um treinamento ainda mais intenso e sigiloso, que nos registros contavam apenas como encontros para aprimoramento. Na prática, as missões deles e o nome de cada membro dessas equipes nem entravam nos relatórios. O slogan era: 'um inferno por semana’. Treinavam com o SAS, com a Delta, com os Sayeret Matkal… Até incursões em favelas brasileiras fizeram, que foi uma aula de reconhecimento de território. O objetivo era simples: estar preparado para agir em qualquer tipo de terreno, em qualquer horário, em qualquer circunstância, mas ainda diferente. Diferente porque um soldado deste Regimento era capaz de carregar outro nas costas por horas sob fogo inimigo, só que o Capitão Khrushchyov queria transformá-los em uma espécie de “super esquadrão”, com homens capazes de sobreviver sozinhos uma missão, mesmo que os outros fossem eliminados. Em meio ao processo geral e não relatado, o Capitão estava treinando duas unidades de cinco selecionados que deveriam ser capazes de rastrear um campo inimigo, realizar uma ação direta e voltar com as informações… Em vinte minutos.
Vinte minutos. Esse era o tempo de ação após o reconhecimento. Se basearam em uma operação da marinha russa, quando o petroleiro foi interceptado por piratas somali ao seguir para a China. A equipe enviada resolveu a missão em vinte e dois minutos, mas eles queriam ser melhores. Ainda possuíam reforço, é claro, uma equipe de soldados de prontidão para ser enviada como reforço de combate convencional contra os homens que Tomislav se acostumou a chamar de monstros. Monstros porque eles tinham seus próprios códigos: o alvo era o monstro; o reforço era SD, os soldados-demônios; para a organização criminosa ou extremista usavam Império. Cada missão era chamada de um episódio. Cada episódio deveria durar até vinte minutos. Era impossível definir um padrão de tempo tão curto para missões com esse perfil, os próprios soldados também acharam… Mas mudaram suas opiniões quando isso começou a funcionar. A unidade de Tomislav era chamada de Flashmen, porque eram rápidos, e a outra de Maskmen. Juntar ambas em uma missão era chamado de crossover. E quando o primeiro crossover aconteceu, bem, a vida de Tomislav teve fim.
Tudo começou quando Tomislav completou 35 anos. O Capitão passou um briefing da missão com a denúncia anônima do esconderijo de monstro da semana: um traficante de armas do Paquistão chamado Fadel Afridi, que abasteceria uma célula do Afeganistão. Ao fazerem o reconhecimento da área, admitiram que um episódio não seria o suficiente para acabar com a missão, aumentando o tempo para quarenta minutos — estas situações eram chamadas de 'episódio duplo’. O reconhecimento de atividade ilegal e a movimentação de uma tropa hostil foi suficiente para dar início à incursão e eles tomaram o galpão. A mente de Tomislav, atualmente, pode passar como o trailer de um filme com cenas fragmentadas as imagens vistas durante a invasão: comandos militares para snipers, corridas, códigos de rádio, batimentos cardíacos, explosões, tiros, correrias, morte e fogo. Eliminaram toda a atividade hostil, pois um único sobrevivente poderia indicar um incidente internacional por estarem invadindo uma fronteira sem permissão, mas apenas encontraram a artilharia — coisa pesada, incluindo material radioativo. Foi necessária toda uma temporada — como chamavam um conjunto de ações — para encontrar o maldito paquistanês… Apenas para descobrir que ele não queria apenas negociar armas. Ele queria fazer uma denúncia em rede nacional, a denúncia de um traidor que estava negociando tecnologia militar com o próprio comando russo, revertendo a própria tecnologia soviete. Ele iria denunciar em rede nacional seu fornecedor, e por isso o 'super esquadrão’ de Khrushchyov foi enviado na missão de prioridade máxima.
O esquadrão colocou Khrushchyov contra a parede, pelo rádio mesmo, e ele lhes contou tudo. Se, diante disso, ele ordenasse a ação ainda assim, seria como assinar uma confissão de culpa. Khrushchyov, encurralado, passou a seus homens uma rota de encontro com o resto do Regimento, sob o falso pretexto de que a missão havia sido mudada com as devidas circunstâncias impostas. Aflição. Era como se iniciavam as memórias constantemente revividas na mente de Tomislav. O pássaro os levou até o local e seguiram as orientações superiores… Primeiro, uma calmaria dentro da aeronave de asas rotativas. Depois, a floresta de aveleiras e pistácias, povoada por cabras, faisões e ovelhas caracul sonolentas. A caminhada pela mata escura, a visão otimizada pelo infravermelho. As instruções gestuais. O deslocamento obedecendo um padrão de operação militar. Quando chegaram ao local indicado da rota de encontro… O primeiro tiro. E o segundo. No terceiro, a escuridão e um sobrenome argentino morrendo nos lábios do russo, como uma prece jamais respondida.
Quando Tomislav abriu os olhos novamente, estava em uma cama de uma aldeia afegã. Havia sido salvo por um criador de ovelhas caracul de um povo conhecido como pashtun. Por mais que estivesse arriscando o próprio pescoço por mantê-lo em sua residência, aquele povo seguia um senso de honra próprio chamado pashtunwali — significa respeito, respeito por aqueles que batem na porta, pedem ajuda ou precisam ser protegidos. O russo se regenerou rapidamente a partir do momento em que retornou à consciência, processo que muitos diziam ser responsabilidade de sua incrível força de vontade. E tal força, por sua vez, descendia dos poucos momentos solitários nos quais Tomislav vasculhava os bolsos de seu colete arruinado para apanhar a fotografia marcada de um rapaz de olhos cerúleos e óculos tortos. O homem se tornou alvo do Talibã por causa de Tomislav. Mataram seu irmão, explodiram seu carro e queimaram sua casa. Ele e seus três filhos levaram o soviético para uma caverna e depois para um hospital, onde foi internado com as roupas que deram à ele. Em tais momentos, o Dragonov aprendeu muito com o simpático criador de ovelhas, como a julgar inimigos pelos atos e não pela bandeira.
Levaram dias para que Tomislav fosse encontrado pelas forças americanas em mais um golpe de sorte do que qualquer outra coisa. Foi assim que descobriu que seu regimento estava morto, emboscados em uma killzone armada por seus próprios compatriotas russos, e ele já não era bem-vindo no país. A pátria que tanto amara, pela qual havia dedicado anos de sua vida e a própria sobrevivência, o recusou em prol de um traidor. Desde que aceitasse asilo no país americano e atendesse aos chamados para interrogatório, poderia viver como um cidadão comum e trabalhar normalmente. Tomislav aceitou, sem opções, e em alguns anos instalou-se em Olympia.
Confortável em New Hampshire, por mais que não gostasse daquela nação e da agitação da cidade universitária, arranjou emprego na segurança da universidade local. Em pouco tempo, já era chefe da segurança. Contudo, devido algumas ocorrências violentas nos últimos meses, foi posto sob a vigilância do psicólogo da Tríade devido o TEPT desenvolvido por suas experiências traumáticas no campo de batalha. Ele ainda recusa admitir precisar de terapia e tratamento, por mais que o estresse em suas costas aumente conforme cada dia passa e a data marcada para o primeiro interrogatório se aproxima. Tomislav não sabe se ainda está pronto para romper todos os laços com sua pátria, com o país que tanto amou desde o berço, e traí-lo na mesma moeda. O fato de não poder relatar isso a ninguém apenas piora sua situação psicológica, com os pesadelos ficando cada vez mais frequentes e a raiva pela própria fragilidade borbulhando em seu âmago.
+ Silencioso, diligente, honesto, firme, adaptável.
- Colérico, pétreo, orgulhoso, pessimista, rígido.
Regeneração: Muitos dizem que sua regeneração acelerada deve-se ao seu organismo saudável, sistema imunológico incrível e condicionamento físico acurado — voltariam atrás caso vissem quantos cigarros o soviete fuma e a quantidade de álcool que diariamente ingere. O corpo do Tomislav consegue se curar mais rapidamente que os demais e ele raramente fica doente. Contudo, o poder não se estende a níveis psicológicos, podendo muitas vezes ter o uso impedido por traumas e explosões emocionais muito intensas, causando as cicatrizes e machucados momentâneos do soviete. A adrenalina estimula a regeneração a agir mais rápido e Tomislav é praticamente imune a certos tipos de veneno, que muitos dizem ser devido sua constituição física (isso também indica que necessita de maiores doses de remédios e anestésicos, por mais que seu peso diga o contrário).