UTAU COLLEGE; Capítulo Um
ps antes do texto: achei esse projeto em um pendrive e resolvi ajeitar, para ficar lealzinho. Mudei algumas coisas no plot, e no desenvolvimento, mas cá estamos. A tag para encontrar sempre será #utaucollege :3
Capítulo Um
- Reiji ajuda sua irmã – ordenou a mulher de cabelos negros curtos, usando roupas de grife. Ela e os filhos, um garoto de quinze anos e uma jovem de dezoito, pareciam-se clones; cabelos negros liso e olhos dourados. O garoto com certa implicância, pegou as malas, e as colocou no chão, causando um acesso de caretas feias por parte da dona. – Filha, tem que certeza que não quer aquele tapete? Ele seria útil, justo nestes dormitórios...
Yuuki puxou as duas malas para próximo do corpo, fazia calor no campus e se deixasse a conversa lhe atrapalhar, com certeza escolheria retornar para a casa dela, voltando para a suíte gigantesca. Pegou os itens recém comprados em uma loja de móveis – um abajur em formato de Torre Eiffel, dois porta-lápis e algumas toalhas, juntando todos os pertences necessário – e um pouco de exagero nas roupas.
A escolha de campus fora difícil e ao saber que teria de morar, dividir quarto, Yuuki quase desistiu. A ideia não lhe parecia muito boa, tampouco tão divertida quando Axl, seu melhor amigo, havia dito em conversas. Dividir o quarto com alguém que ela jamais vira na vida era arriscado, e se pessoa fosse louca? Ou drogada? Que tipo de atitudes Yuuki teria de tomar?
- Tem certeza? – perguntou a mãe enquanto abraçava a menina. – Podemos voltar aqui outro dia, não é melhor?
- Não mãe – respondeu Yuuki caçando o celular no bolsos da bolsa tira colo preta que carregava. Havia prometido que mandaria uma mensagem ao Axl assim que chegasse, e quanto menos tempo passasse sozinha, menos teria de problemas. – ‘Tá tudo bem, ok? Eu vou entrar para poder arrumar tudo, ‘tá?
- Ok – retrucou a mãe, quase como um lamento. – Qualquer coisa, liga lá em casa.
- Ligo mãe – reclamou Yuuki lhe destinando um semblante irritado. A mulher entrou no carro com o filho menor, ligou e não disse nada além de um aceno positivo. Yuuki distanciou um pouco da guia e gritou para a mãe – Tchau!
A fachada do dormitório misto do Leste não parecia nada com a imaginação dela; Não havia espaço livre no gramado, sendo o ponto de encontro de vários jovens. Quase todos com cigarros, violão e roda de conversa. Yuuki não era o tipo de garota acostumada com aquilo, afinal sua família inteira era tradicional, mas com o tempo, conseguiria acostumar-se com a frequência de pessoas. A entrada do prédio contava com a beleza estudantil; mesas para o lado de fora, duas lojas com diversos itens e uma cafeteria – qual tornou-se em pouco tempo o local favorito dela.
Outro tipo de jovens se reuniam por ali; os com roupas caras, óculos de grau e livros. Não lembravam em nada dos de fora, sendo um grupo mais seleto e comandando por um único homem; O moreno mais alto, com óculos de armação verde escura. Conforme Yuuki caminhara, o homem de óculos a encarou, do lado de dentro; Yuuki sentiu as bochechas arderam e a única opção fora abaixar o rosto e andar mais rápido, tentando evitar ao máximo qualquer aproximação.
Tentando recuperar-se do encontro de olhares, caminhou ao refeitório, que ficava à esquerda da segunda loja de conveniência, e a lavandeira à direita, próximo da biblioteca. E o melhor de tudo foi quando, ao ler o mapa do campus, descobriu que todas suas aulas estava ali, no máximo dez minutos de caminhada. O fato do prédio ser acolhedor lhe acalmou os nervos, evitando que ficasse mais estressada que na noite anterior, quando sonhou que sua companheira de quarto era uma barata gigante.
A entrada dos quartos ficava atrás da segunda cabine, onde uma guarda de cabelos castanhos e rosto silencioso a encarava sem graça. Yuuki deixou as malas no chão, e buscou pela carteirinha, qual a faculdade havia lhe enviado no semana anterior. Foram minutos procurando pela bendita, quando ao encontrar, a guarda disse:
- Essa carteirinha é da biblioteca, você não tirou do dormitório?
- Não – suspirou Yuuki quase quebrando o cartão azul com sua foto sorridente. – Como posso tirar?
- Aqui mesmo – respondeu a mulher pegando um pequeno aparelho com tela brilhante. Ela apontou para Yuuki, batendo uma foto digital. Poucos minutos, após pegar os documentos da menina, a guarda retornou ao posto, de onde voltou com uma carteira verde. – A carteira azul é geral; bibliotecas, entradas. A azul é da sua zona; azul para Leste, vermelho para Oeste, amarelo para Sul e verde para o Norte.
- Ah – Yuuki respondeu, quase surpresa – Nunca haviam me falado disso...
- Você não tem um veterano? – perguntou a mulher arregalando os olhos verdes – Quase todos novatos aqui tem um.
- Ah, não. – Yuuki puxou a carteira, mas a mulher levantou o braço, quase como um não. – Não tive tempo para encontrar um.
- Nossa que pena, você vai ficar perdida. – A guarda olhou em volta, e ao perceber uma outra estudante que passava pela catraca, lhe puxou o braço – Ei, Chipper.
- O que eu fiz dessa vez? – perguntou Chipper. Tinha cabelos ruivas desgrenhados, era tão pálida quanto uma luz branca e alta, tão alta quanto qualquer homem que Yuuki conhecera. Cruzou os braços em cima da camiseta de banda, e mediu Yuuki, de cima a baixo. – Não roubei nada dela.
- Sei que não – respondeu a guarda também cruzando os braços. – É que ela é novata, e ‘tá sozinha.
- E o que tenho a ver com isso?
- Você ‘tá aqui há um ano – retrucou a guarda sem perder a compostura enquanto Yuuki pensava em qual buraco conseguia enfiar-se. – Ajuda ela.
- Como vou ajudar alguém quando eu mesma preciso de ajudar? – Chipper questionou jogando os cabelos para trás da orelha. Yuuki abafou um risinho de canto, recebendo uma expressão confusa como respostas – Não estou aqui para ser amiguinha de ninguém, não.
- Não precisa, sério – disse Yuuki tentando tomar o poder da própria vida. – Não preciso de veterano nenhum, sério.
- Custa você ir na lavandeira com ela? – a guarda levantou a voz, quase como se fosse algo da menina. – Custa ir na biblioteca?
- Custa sim. – Chipper levantou a voz junto, forçando a pose a ficar ereta. – Porque não chamou o presidente do grêmio daqui? Ele ‘tá na cafeteria, lançando a nova proposta e mi mi mi.
- Não consigo acreditar que o Yohji é seu primo. – reclamou a mulher entregando a Yuuki os documentos. Ela parecia um pouco desconfortável, mas Chipper continuava da mesma maneira, sem importar-se com nada. – A bondade da família ficou só daquele lado?
- Com certeza – retrucou a ruiva sorrindo -, agora se posso, estou indo para o meu quartinho. Posso?
A mulher de uniforme azul nada disse, então Chipper passou por elas com a cabeça erguida. Yuuki sentiu-se mal com toda a cena, e por principalmente ter sido tratada daquela forma, como uma criança perdida. Pegou a carteirinha verde e a guardou no bolso, junto do celular. Apesar de querer mandar uma mensagem para Axl, Yuuki estava cansada das malas, da conversa e todas mudanças. Antes de chegar ao elevador, a guarda pediu desculpas e que não esperava tamanha babaquice da outra menina; Yuuki respondera que estava tudo bem, e só bastava a ela um banho e roupas confortáveis.
Quando embarcou no elevador, Yuuki sentiu-se bem para escrever algo ao amigo. Talvez conseguisse companhia para o jantar, ou quem sabe conversar um pouco sobre o campus. Axl era mais comunicativo e já havia conhecido o companheiro de quarto. Talvez ele pudesse apresentar eles, e então Yuuki teria amigos para conversar, evitando ficar tão sozinha.
“Yuu [13:20]: acabei de chegar no campus...’Tá lotado aqui, e já presenciei um barraco, acredita? Como estão as coisas aí?”
Quando estava no décimo andar, o celular tocou recebendo a resposta do amigo:
“Axl [13:25]: ‘Tô no meu dormitório ainda. Meu companheiro de quarto não chega hoje, que tal a gente passar o resto do dia juntos?”
“Yuu [13:27]: Eu adoraria! Não conheci minha companheira, mas algo que diz que será horrível.”
“Axl [13:30]: Será nada horrível, pensamento positivo SEMPRE!”
O elevador, que constava com uma voz eletrônica, apitou o décimo sexto andar. Com certo receio de estar fazendo algo muito errado, Yuuki desceu arrastando as malas junto do corpo. Conseguia pensar, e até ver a cena ao conhecer a pessoa; Seria rejeitada e ignorada, sendo quase como um peso morto na vida da outra pessoa.
Para mais surpresas, no corredor dos quartos não havia jovens, no máximo pessoas indo e voltando do elevador. Pelo menos, perto do gramado e dos jardins, acalmava Yuuki. O silêncio do local e a tranquilidade de poder caminhar sem olhares curiosos a deixava mais relaxada, menos nervosa com a ansiedade.
A porta do quarto 504b ficava no final do corredor, próximo da área de lazer estudantil. Yuuki sentiu o coração bater forte ao abrir a porta e dar de cara com o quarto. O fato das travas serem com o cartão estudantil verde a tranquilizou da possibilidade de invadirem o quarto.
Por dentro o layout incrível; havia um guarda-roupa com portas espelhadas ao lado esquerdo dela, e ao direito outra porta. Pela fresta, conseguiu ver o banheiro; com um chuveiro alto, espelho, pia e um vaso sanitário. Ali também havia um quadro de recados de cor marrom, e algumas informações como horário de comida, aulas, prédios e localizações.
Saindo o pequeno corredor de acesso ao quarto de tamanho médio com paredes cor de aveia, Yuuki encantou-se com a janela. Era a visão do campus inteiro, de todos gramados, parques e lojas. Conseguia ver dali o outro prédio de aulas, e o museu. Havia duas camas de solteiro, a da esquerda estava com lençóis e cobertores. Por impulso Yuuki colocou as coisas dela na cama direita, e na mesa que unia a cama da parede.
Na mesa paralela, a que pertencia a cama de lençóis, havia uma jaqueta jeans masculina apoiada na cadeira e um notebook branco aberto. Yuuki sentiu violando algum espaço, por isso forçou-se a não ir ver qual jogo ou a quem pertencia, bastava o sentimento de estar ali, quieta no quarto tentando não respirar acelerado.
Pegou as malas e levou para o guarda roupa, pensando em organizar tudo ante de encontrar-se com Axl. Enquanto tirava as roupas de qualquer forma e tacava dentro do espaço, a porta do banheiro abriu-se.
- Ah! – gritou a menina com cabelos ruivos jogando o corpo para dentro do banheiro. – Quem é você?
- Calma! – berrou Yuuki de volta, pulando dentro do armário – Eu sou desse dormitório.
A mulher de cabelos ruivos voltou para a entrada do banheiro, apoiando-se no patente de madeira clara. Vendo o rosto – com traços vampirescos – Yuuki lembrou-se quem era; A mesma qual havia discutido com a guarda.
- Chipper, não? – perguntou Yuuki largando um punhado de saias e shorts quais havia colocado na mala por estar sobrando espaço. – Meu nome é Yuuki.
- A novata. – Chipper passou por Yuuki sem cumprimentar, evitando qualquer contato. – A que ‘tava na catraca.
- É... – Yuuki sentiu as bochechas queimarem, tal como o corpo voltar a retorcer por vergonha. Não era culpa dela aquela cena boba, não? – E pedi que ela não fizesse isso...
- Ela nunca escuta – avisou Chipper sentando-se na cadeira estofada com encosto alto. Não era igual a outra, a normal do dormitório com estofado branco de couro sintético e detalhes em prata. Talvez Chipper havia trazido uma cadeira para usar um modelo tão especial. – Principalmente quando for comida. Pelo contrário, ela rouba tua pizza.
- Sério? – perguntou Yuuki voltando a guardar as roupas nos espaços livres.
- Sim. – Chipper colocou fones vermelhos gigantesco e encarou Yuuki com uma careta tediosa. – Se caso quiser comer pizza, vai ter que ficar lá na entrada. Ah, e ela também não te avisa de cartas ou encomendas.
- E como faz?
Chipper puxou os fones para o pescoço, e com um olhar perdido, disse a Yuuki;
- Pelo jeito querendo ou não, serei sua veterana.










