ConferĂȘncia âGĂȘnero, CiĂȘncia e Desenvolvimento SustentĂĄvelâ NaçÔes Unidas
Hello, adventurers!
No dia 11 de Fevereiro, comemorou-se internacionalmente o âDia das mulheres e meninas na ciĂȘnciaâe eu nĂŁo poderia deixar de atualizĂĄ-los sobre o assunto! A ideia de se criar uma data como essa surgiu no primeiro FĂłrum Mundial de Alto NĂvel sobre a SaĂșde das Mulheres e Desenvolvimento organizado pelo Royal Academy of Science International Trust (RASIT) e o Departamento de Assuntos EconĂŽmicos e Sociais das NaçÔes Unidas realizado em 2015.
Na 70ÂȘ Assembleia Geral das NaçÔes Unidas realizada ao final deste mesmo ano, uma resolução foi adotada (70/212) que proclamava o dia  11 de Fevereiro  como a data anual em que se celebraria o âDia Internacional das Mulheres e Meninas na CiĂȘnciaâ. O apoio de mais de 68 paĂses e a aprovação de todos os Estados Membros Ă resolução sinalizou o interesse da comunidade global em transformar nosso mundo atravĂ©s do alcance da paridade de gĂȘnero em oportunidade educacional e participação cientĂfica.
Tive a oportunidade de poder participar no Ăąmbito das NaçÔes Unidas de uma importante conferĂȘncia. Se chama âGender, Science and Sustainable Development: The Impact of Mediaâ. Na MissĂŁo Permanente do Brasil, somos credenciados como delegates e por isso temos acesso Ă grande maioria das reuniĂ”es que acontecem dentro da ONU (exceto as reuniĂ”es âfechadasâ ou restritas Ă membros especĂficos como embaixadores e ministros e Ă s do Conselho de Segurança, por exemplo. Mas todas as outras, em geral, sĂŁo liberadas). Estou preparando um post especial aqui no blog contando mais detalhes sobre como funciona o Programa de Capacitação AcadĂȘmica da MissĂŁo, preparem-se e acompanhem as minhas redes sociais!
Mas voltando Ă ConferĂȘncia, tive interesse em participar e pedi aos meus supervisores. Eles me autorizaram e pude preparar um relato sobre tudo que aconteceu para enviarmos ao Brasil.
NĂŁo poderia deixĂĄ-los de fora dessa experiĂȘncia! Discutir e aprender sobre gĂȘnero, ciĂȘncia e desenvolvimento sustentĂĄvel Ă© essencial. O entendimento de que mulheres e meninas DEVEM e PODEM contribuir e impactar a sociedade Ă© uma premissa bĂĄsica neste blog. Somos capazes de fazer histĂłria e de mudar estruturas. A coragem e a força fazem parte do nosso manifesto.  Fomos criadas para sermos revolucionĂĄrias em nossos contextos, em nossas relaçÔes e atitudes. Assim sendo... hahaha deixem-me contar como foi:
A conferĂȘncia foi organizada pelo Governo de Malta em parceria Ă Academia Internacional de CiĂȘncia Royal (RASIT), que tĂȘm trabalhado para assegurar a adoção da Resolução (70/212: Link A/70/474/Add.2 ) bem como a inclusĂŁo deste dia no calendĂĄrio oficial das NaçÔes Unidas. A temĂĄtica escolhida para 2017, possui como foco principal o impacto da mĂdia no empoderamento de mulheres e meninas na ciĂȘncia e sua contribuição para os Objetivos do Desenvolvimento SustentĂĄvel.
Fez uso da palavra, o Presidente da 71ÂȘ AGNU e RP da RepĂșblica de Fiji, Peter Thomson e recordou que a histĂłria global Ă© repleta de exemplos de mulheres que produziram impacto social atravĂ©s da ciĂȘncia e ressaltou que a importĂąncia de suas contribuiçÔes nos campos  da matemĂĄtica, da fĂsica e da biologia precisam ser resgatadas. Qualificou âalcançar a paridade de gĂȘneroâ,  um dos Objetivos do Desenvolvimento SustentĂĄvel preconizados pela Agenda 2030, como uma  grande conquista desta geração. Ressaltou ainda, que as mulheres possuem habilidade para atuar com diversas ĂĄreas do conhecimento e que estas habilidades devem ser valorizadas e reconhecidas.  Salientou a necessidade de se incentivar meninas a investirem em carreiras na ciĂȘncia e de aperfeiçoarem seus talentos nesses campos.
Em seguida, a Princesa Dr. Nisreen El-Hashemite, fundadora e presidente da Liga Internacional de Mulheres na CiĂȘncia, realizou intervenção na qual questionou quais sĂŁo os sonhos atuais para mulheres e meninas no contexto cientĂfico. Ressaltou a importĂąncia do trabalho conjunto das NaçÔes Unidas para a realização destes sonhos.
Merece destaque, a posição defendida pela Ministra de DiĂĄlogo Social, RelaçÔes de Consumo e Liberdades Civis de Malta, Dr. Helena Dalli que afirmou que â a exclusĂŁo de mulheres dos campos de atuação profissional cientĂfica , limita o desenvolvimentoâ.  Ao citar o longa-metragem americano  âHidden Figuresâ (2017)  que protagoniza o papel de cientistas negras na corrida espacial norte americana, recĂ©m lançado no Brasil, Dalli salientou que as mulheres devem ser relembradas em seu papel imprescindĂvel para a ciĂȘncia.Â
*Assista o trailer do filme aqui:Â https://www.youtube.com/watch?v=wx3PVtrU-Os
Para isso, enfatiza a centralidade da mĂdia que num contexto histĂłrico, sempre exerceu impacto na construção de papĂ©is estereotipados de mulheres em seus comportamentos e ideias.  A ministra reconheceu que a criação destes estereĂłtipos afeta diretamente a perspectiva de jovens meninas sobre suas capacidades na ciĂȘncia como engenheiras, professoras e lĂderes. Diante das estatĂsticas que evidenciam mulheres como a minoria histĂłrica da ciĂȘncia  e que retratam ainda nos tempos atuais a desigualdade de salĂĄrios e no exercĂcio de suas funçÔes se comparadas aos homens neste contexto, a ministra destacou a necessidade de se romper com estes rĂłtulos e de se remodelar o papel feminino na ciĂȘncia.
A primeira sessĂŁo da ConferĂȘncia contou com outros discursos que acentuaram a importĂąncia de se ressaltar e difundir a capacidade intelectual de mulheres e meninas, a habilidade e a adequação feminina aos campos profissionais que envolvem a ciĂȘncia. A mĂdia foi realçada como um instrumento central para a difusĂŁo de informaçÔes sobre o assunto bem como para a promoção de campanhas que sejam aliadas no processo de conscientização e de representatividade social. âO mundo precisa da ciĂȘncia e a ciĂȘncia precisa de mulheresâ, conforme dito por Marie Paul Roudil, representante da UNESCO em discurso. Â
Em segunda sessĂŁo da ConferĂȘncia, o RP da RepĂșblica da BulgĂĄria, Georgi Velikov Panayotov fez especial menção ao fato de que mulheres ainda tĂȘm sido alocadas para cargos hieraquicamente inferiores aos dos homens no campo cientĂfico e tecnolĂłgico sob o pretexto machista de âincapacidadeâ mesmo quando possuem formação que comprove sua capacidade intelectual. Em concordĂąncia, o RP do CanadĂĄ, Marc- AndrĂ© Blanchard acentuou que devemos fazer mais e melhor do que jĂĄ tem sido feito com relação Ă s mulheres e meninas na ciĂȘncia. Acrescentou que a mĂdia deve  enfatizar a ciĂȘncia como um campo para muheres . O RP de Palau, Dr. Caleb Otto reiterou que atualmente jĂĄ obtivemos progresso e avanço na criação de oportunidades e na difusĂŁo de informaçÔes  à s meninas e mulheres quanto Ă ciĂȘncia, entretanto a desigualdade de gĂȘnero ainda se apresenta como um obstĂĄculo que precisa ser vencido para que haja desenvolvimento.
Ao final da conferĂȘncia, o painel âPerspectiva de Cooperação para o Desenvolvimento: Sobre o Papel da Mulher na CiĂȘncia e da MĂdia na Implementação dos ODSsâ trouxe intervençÔes e questionamentos  de mulheres da RepĂșblica de Malta ligadas ao campo acadĂȘmico, professoras e cientistas que via transmissĂŁo pela internet,descreveram a função da mĂdia de comunicar o papel  feminino histĂłricamente  e que neste sentido, deve integrar as mulheres e meninas ao avanço e ao desenvolvimento cientĂfico.  O acesso destas mulheres e meninas  à tecnologia , Ă© portanto nesta pespectiva um aspecto imprescindĂvel do desenvolvimento sustentĂĄvel.  Em discurso, a Diretora Adjunta do EscritĂłrio das NaçÔes Unidas para a Cooperação Sul-Sul, Dra. Inyang Ebong â Harstrup ressaltou  que o Brasil tem feito um grande trabalho nos esforços de se integrar mulheres aos campos da ciĂȘncia e da tecnologia principalmente em carreiras do setor energĂ©tico. Ainda hĂĄ muito o que ser feito. Precisamos lutar pela valorização das mulheres nesse campo, incentivar, estimular as meninas que desejam se inserir como pesquisadoras, professoras, lĂderes, estudantes na ciĂȘncia.Â
A ConferĂȘncia âGĂȘnero, CiĂȘncia e Desenvolvimento SustentĂĄvel: o Impacto da MĂdiaâ reafirma a importĂąncia de uma participação equitativa das mulheres e meninas na ciĂȘncia  no intuito de se implementar de modo eficaz a Agenda 2030 e reitera o compromisso e o engajamento global  de todos os paĂses em ânĂŁo deixar ninguĂ©m para trĂĄsâ ao compasso das transformaçÔes desta era. Reconhecer a igualdade de gĂȘnero como um dos Objetivos do Desenvolvimento SustentĂĄvel Ă© tambĂ©m compreender o papel centralizador que mulheres e meninas podem exercer em seus contextos quando inseridas nos mĂșltiplos processos de construção da liberdade e da autonomia.Â
Existe uma tendĂȘncia generalizada de se invisibilizar o trabalho cientĂfico realizado por mulheres ao longo da histĂłria. Ă margem de grandes nomes (sempre masculinos) que permeiam descobertas e estudos cientĂficos, mulheres brilhantes sĂŁo esquecidas e desvalorizadas. Seus estudos e contribuiçÔes sĂŁo por (MUITAS) vezes atribuĂdos primordialmente Ă homens ao invĂ©s de suas prĂłprias criadoras. Quantos homens importantes na ciĂȘncia vocĂȘ conhece? Certamente jĂĄ ouviu vĂĄrios nomes: Einstein, Isaac Newton, Darwin, Galileu... E quantas mulheres? Fomos ensinados a nos esquecer de algumas das contribuiçÔes mais importantes da ciĂȘncia realizadas por mulheres. Simplesmente nĂŁo as conhecemos. NĂŁo ouvimos falar sobre elas nas escolas, nem mesmo na mĂdia, nos livros. E porquĂȘ? Porque sob o pretexto machista e excludente de que mulheres sĂŁo âINCAPAZESâ,  durante muitos anos mulheres foram desvalorizadas, consideradas inferiores e nĂŁo sĂł na ciĂȘncia, como em todos os demais aspectos da sua existĂȘncia. NĂŁo podĂamos estudar, nĂŁo podĂamos votar, nĂŁo podĂamos participar dos espaços de tomada de decisĂŁo e de influĂȘncia. A histĂłria nos comprova isso. O que vivemos hoje Ă© um resquĂcio machista e limitador de um passado no qual as mulheres vivĂam em sociedade mas completamente Ă parte dela, excluĂdas de exercerem seus direitos como cidadĂŁs, como trabalhadoras... Humanas. Dotadas de ideias, opiniĂ”es. Isso precisa mudar! Vejam sĂł quantas descobertas foram realizadas por mulheres cientistas ao longo da histĂłria:
Existem tantas outras para se adicionar Ă esta lista. Um dos discursos na segunda sessĂŁo, foi de uma representante da GE Global Research, chefe de âMulheres na Tecnologiaâ a Dr. Janeel Uzzell, que nos incentivou a imaginar como seria um mundo em que grandes cientistas fossem reconhecidas por seu trabalho e fossem famosas, grandes celebridades. Ela trouxe um vĂdeo fantĂĄstico de uma das campanhas da empresa sobre essa perspectiva falando sobre a cientista Millie Dresshaul, a primeira mulher a  ganhar uma medalha nacional em Engenharia. ASSISTAM NOW: https://www.youtube.com/watch?v=sQ6_fOX7ITQ
Esse vĂdeo me emocionou. Me fez pensar no quanto o esforço, a dedicação dessas mulheres e meninas brilhantes deve ser lembrado. O meu desejo Ă© de poder incentivar vocĂȘ que estĂĄ lendo, a tambĂ©m fazer parte desse movimento. #WomenInScience #MakeItHappen Ă© um desafio para o Brasil e para todos os outros paĂses. Ă uma campanha que todos nĂłs podemos participar. Podemos levar informação, difundir conhecimento, podemos incentivar meninas Ă estudarem, a lerem, a serem as melhores estudantes e futuras profissionais que puderem ser. Podemos desconstruir todos os dias esse sistema desigual em que nos inserimos e lutar por mais oportunidades, por acesso. Podemos questionar, provocar reflexĂ”es onde estivermos e contribuir de pouquinho em pouquinho para que outros e outras possam viver melhor. Estamos lutando por hoje e por um amanhĂŁ de dignidade e justiça para nossas filhas, netas e bisnetas. NĂŁo fique de fora.Â
With love,
Jade ChristinneÂ
Garota sem FronteirasÂ
LINKS MEGA IMPORTANTES PARA QUEM QUER COMEĂAR AGORA:
- âPasso a passo (de A a Z) de como ter atitudes prĂĄticas que colaborem com essa causaâ (em inglĂȘs):Â http://womeninscienceday.org/TakeAction-AZ.html
-Â âPor quĂȘ existem tĂŁo poucas mulheres na ciĂȘncia?â (em inglĂȘs):Â http://www.nytimes.com/2013/10/06/magazine/why-are-there-still-so-few-women-in-science.html
- âConheça a histĂłria de mulheres na ciĂȘncia: ontem e hojeâ (em portuguĂȘs): http://mulheresnaciencia-mc.blogspot.com/
-Â âEstudo sobre mulheres brasileiras na ciĂȘnciaâ (em portuguĂȘs):Â http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000300016
-Â âArtigo sobre a trajetĂłria de mulheres na ciĂȘnciaâ (em portuguĂȘs):Â http://files.dirppg.ct.utfpr.edu.br/ppgte/eventos/cictg/conteudo_cd/E5_Mulheres_na_Ci%C3%AAncia.pdf













