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Frederico Morais parte hoje ansioso para o regresso ao circuito mundial de surf

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SUSTANÇA SERTANEJA
Farofa d’água fortalece a família e a memória afetiva
Ao lembrar da infância vivida em São José do Egito, no Sertão do Pajeú, a 404 quilômetros da capital pernambucana, Risoneide de Cássia traz consigo duas palavras: resiliência e criatividade. Sua mãe, Luzia Adelaide Zeferino Silva, precisou incrementar bastante o pouco que tinha para dar conta de quatro filhos, em meio às inúmeras secas que iam e vinham ao longo dos anos. Nas noites onde a fome se mostrava mais arredia, Risoneide e seus irmãos pediam para Dona Luzia fazer Bolinho de Cancão, receita simples cujos protagonistas são o feijão e a farinha de mandioca.
O nome utilizado para esta receita encontra-se em franco desaparecimento. Tanto, que quase não há registros dele sob essa alcunha. Mas quem tem mais de 40 anos e pôde viver o agreste e o sertão pernambucano das décadas passadas lembra muito bem dele. “O cancão era a salvação das famílias numerosas daquela região. Mesmo quando a quantidade não fosse suficiente, esse petisco ajudava a enganar um pouco a fome e permitia que a gente conseguisse dormir um pouco melhor”, recorda a sertaneja Risoneide.
O Cancão também conhecido como Bolinho Capitão, ou Capitão de Feijão, tem como base o feijão macassar, ou fradinho. Sua simplicidade é tamanha, que não precisa de talheres para ser consumido. Ele também é uma receita que combate o desperdício, por aproveitar o feijão e o caldo que sobra das refeições anteriores. No dicionário Aurélio, ele está presente como “bocado de comida que tenha molho, amassado com farinha, entre os dedos, à moda de bolo, e levado com a mão até a boca.”
QUANDO A MÁGICA ACONTECE
Hoje, Risoneide, que é doutoranda em Engenharia Agronômica, reconhece as propriedades do bolinho e entende o porquê da sua força. “Eu posso dizer sem sombra de dúvida que a mandioca é um dos elementos mais brasileiros de nossas mesas. Ela está presente em boa parte daquilo que construímos em nosso paladar e ajudou na fixação dos povos à medida em que essas terras eram desbravadas. O conhecimento indígena é de suma importância para o que temos hoje. A farinha que se faz a partir dela, aquela fininha, é a mais indicada para essa receita, pelo fato dela ter uma forte absorção de água e caldos, deixando a comida encorpada, como todo mundo conhece.”
Como a farinha é um ingrediente tão presente há várias gerações, as medidas em torno da confecção do bolinho são um mistério, variando de família para família. “Isso é curioso. Quando recorro a receitas já conhecidas, principalmente as que vêm de fora do país, é fácil encontrar as medidas certas, devidamente registradas em livros e ensinadas nos cursos de gastronomia por aí. Mas a cozinha popular, não. Ela sobrevive graças à oralidade, se entranha nos hábitos das pessoas e morre quando novos costumes vão sendo absorvidos. Por isso que eu faço sempre que posso, e ainda ensino meus sobrinhos a fazer. O bolinho de cancão é algo que faz a gente lembrar do quanto precisamos ser fortes e continuar seguindo.”
O Bolinho de Cancão é uma receita que nos conta a realidade do povo sertanejo já a partir da sua lista de ingredientes e seu modo de preparo. Comê-lo é um ato de respeito, conscientização e reverência ao que a terra nos dá.
Bolinho de Cancão
Ingredientes:
Feijão macassar (a quantidade pode ser a que você tiver em casa. Geralmente as mães sertanejas faziam com sobras)
1 cebola picada
Coentro picado a gosto
Tomate picado
Modo de Fazer:
Caso o feijão utilizado não seja o das sobras, cozinhe-o da forma tradicional e depois escorra o caldo num recipiente à parte.
Após escorrido, acrescente a cebola, o coentro, e o tomate.
Com uma colher de pau, amasse o feijão e acrescente a farinha, amassando a mistura até que ela ganhe consistência. Vá acrescentando um pouco do caldo em separado, se notar que a mistura esteja ficando muito seca. O ideal é que ela alcance o ponto de uma massa robusta, que permita ser moldada com as mãos.
Sirva as porções e bom apetite!
#Tradicionalmente: M.A.K.O.N.D.E #Fotografia: @baybe_shyine #Assunto: Ritos de Iniciaçao 2016/17 ✔️ (em Capela da Zona Militar)
Esta pareja decidió viajar a Islandia en vez de casarse tradicionalmente
Cuando Jeremy y Rachelle se sentaron a planear su boda, el hecho de pensar en elegir un sitio, un menú, la lista de invitados y todas esas cosas se convirtió en una realidad, por no mencionar el gran coste financiero de todo ello. Pensaron sobre ello y Rachelle dijo: “¿Por qué no nos casamos en Islandia?”.
Unas semanas más tarde, sin nada planeado, Jeremy y Rachelle…
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Uma família da pesada
Gabriel Cadete, no blog Tradicionalmente - 23/5/2013
No começo dessa semana resolvi ver “Elena”, um documentário que está sendo super falado e premiado por aí. Eu não fazia ideia alguma do que se tratava o longa e fui surpreendido – não exatamente no bom sentido dessa palavra.
A menina do título, depois de muita experimentação com câmeras e dança, viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Para trás deixa o Brasil, a mãe e Petra, sua irmã de 7 anos. As coisas não vão como o planejado e ela deixa a cidade norte-americana apenas para descobrir, aqui, que foi aceita em um curso por lá. Então, volta ao país, agora com a família.
As coisas não vão bem: Petra não se acostuma com sua american life e, repito, aos 7 anos, costuma cortar seus pulsos com faca na volta da escolinha – e coloca band-ais em partes do corpo que estão perfeitas para chamar atenção. Em paralelo, Elena se sente triste e sozinha no mundo das artes e com as diferenças culturais – e por isso decide se matar (dedução minha, não ficam claros no documentário os motivos).
Até aqui já basta: é uma história digna de tirar lágrimas da plateia. Mas me surpreendeu que muita gente parou a análise por aí.
Quem dirige o longa, adivinhem só, é a própria Petra. Duas décadas mais tarde, foi ela quem se tornou atriz e embarcou para Nova York em busca de Elena – seguindo fitas de vídeo e áudio, recortes de jornais, trechos de diários e cartas da irmã.
Curioso ver ao longo do passar da história como elas se confundem. Já ouvi casos de gente que, depois de perder um irmão, herdou a personalidade do parente que se foi. Além disso, as duas partilhavam uma atração pela dor e a própria Petra lê um documento em que é avaliada como uma criança depressiva.
Mas o mais bizarro, para mim, veio no fim do doc: a mãe explica seu sofrimento de perder a filha contando que tinha vontade de se jogar de um precipício, de carro, com a outra filha no banco do passageiro. Além disso, lembra de um desenho feito por Elena dizendo que ele era “muito parecido com um que eu fiz aos 16 anos, quando também estava pensando em me matar”.
Fiquei pensando nessa hora se tendência a suicídio pode ser algo genético, se é alguma coisa que pode ser passada pela criação ou se cada pessoa toma sua decisão baseada em algo 100% diferente dos outros. Temos, no fim, três atrizes frustradas com desejos de colocar fim à própria vida. Isso não pode ser coincidência.
Para boa parte dos especialistas, a genética tem um efeito sobre o risco de suicídio sim. Mas tem mais a ver com a hereditariedade da condição e/ou doença mental que o causou. De qualquer forma, o filme trouxe essa reflexão para mim, além de ter trazido memórias ruins de momentos complicados e pesados que lidei na minha adolescência. Vai sofrer muito com este filme quem conheceu alguém que se matou, que tentou ou quem já quis finalizar a própria vida.
A cena final de Petra com a mãe flutuando na água é bizarra sob este ponto de vista: são as duas finalmente em paz com a perda de um ente querido, mas parece ser, ao mesmo tempo, a paz de terem conseguido, finalmente, estrelar um filme. É quase cruel.
“Elena” entrou com louvor na minha longa lista de filmes que eu gostei, mas que não recomendo para absolutamente ninguém.

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