[12/2025] [MENSAGENS Ñ ENVIADAS]
Dois anos sem saber de você.
Eu já não lembrava mais da sua voz.
Assim como na primeira vez que saímos, a primeira coisa que reparo é o boné. Eu queria muito ver seu cabelo, mas também sabia que aquele boné era uma tentativa de causar boa impressão.
E eu ali com minha roupa de bar de sempre, meu uniforme não-CLT.
“Nunca mais fico feio”, eu disse em algum momento, sem pretensão. Só a constatação de que não deixei a vaidade cair por terra em meio à depressão.
Ainda sorrio quando me olho no espelho.
Lá no fundo eu também queria que você me visse bem, apesar das dores e dos venenos que a vida estirou nesses últimos dois anos.
Entre conversas sobre a vida, verdades despudoradas e uma veia pulsando no seu pescoço enquanto você falava, eu conseguia enxergar exatamente por que, lá atrás, você foi o amor da minha vida por um tempo.
E mesmo depois de tantos erros cometidos e corpos acumulados, não existia um fio de rancor entre nós.
Existia paz.
E uma sede enorme de continuar ouvindo mais.
Um amor maior, que já não dependia de erotismo.
Você me disse que eu sempre te fiz sentir seguro. Que isso era tão grande que você nem sabia explicar.
E eu só queria te abraçar e apoiar sua cabeça no meu ombro mais uma vez.
Voltei sorrindo pro bar naquele dia.
Nada foi suficiente.
E talvez nada nunca vá ser.


















