CATTHYERINE PIETERSE MORNINGSTAR.
Eu acordei devagar, ainda sentindo o balanço suave do avião nos ossos, mesmo que jå estivéssemos em terra firme hå horas.
A primeira coisa que senti foi o calor dele.
Jackson estava deitado de lado, um braço forte passado por baixo da minha cabeça, o outro descansando pesado e protetor sobre a minha barriga. meu rosto estava encaixado perfeitamente no espaço entre o ombro largo dele e o pescoço, o cheiro familiar de pele, sabonete caro e um toque de uĂsque me envolvendo como um cobertor.
Eu sorri sem abrir os olhos.
EstĂĄvamos de volta em Londres. a mansĂŁo. Nossa cama. Mas parte de mim ainda estava em Florença â nas varandas com vista para o duomo, nos jardins onde ele dançou comigo devagar, nos momentos em que ele falava baixinho com o bebĂȘ como se o pequeno jĂĄ pudesse entender cada palavra.
Eu me mexi de leve e senti um chute forte logo abaixo das costelas. O bebĂȘ estava acordado tambĂ©m.
â Oi, meu amor⊠- sussurrei, colocando minha mĂŁo sobre a do Jackson na barriga. â vocĂȘ sentiu falta da sua cama?
Outro chute, mais forte. Eu ri baixinho.
Jackson se mexeu atrĂĄs de mim. a voz dele saiu rouca de sono, grave e quente contra meu cabelo. â ele estĂĄ brigando por espaço de novo?â
â Ou ela. - corrigi, virando o rosto pra olhar pra ele.
Os olhos azuis-escuros dele estavam semicerrados, mas jĂĄ me encaravam com aquela intensidade que nunca mudava. ele apertou a mĂŁo na minha barriga, sentindo o movimento. â se for menina, vai ser igualzinha a vocĂȘ. Teimosa pra caralho.
Eu ri, esticando o corpo contra o dele. â e se for menino, vai ser igualzinho a vocĂȘ. possessivo, mandĂŁo e louco por mim.
Ele deu um meio-sorriso perigoso e puxou meu corpo mais pra perto, atĂ© minha barriga ficar totalmente encostada no abdĂŽmen dele. â os dois vĂŁo ser loucos por vocĂȘ. Isso eu garanto.
Eu fiquei em silĂȘncio um instante, sĂł sentindo o calor dele, o peso reconfortante do braço tatuado me envolvendo. a viagem tinha sido mĂĄgica, mas voltar pra casa tambĂ©m tinha seu gosto doce. aqui era onde tudo começou. aqui era onde nosso filho ia nascer.
â Eu amei cada segundo em Florença. - confessei baixinho, traçando com o dedo a tatuagem do lobo no peito dele. â mas tambĂ©m amo voltar pra cå⊠pra nossa casa. pra nossa cama. pra vocĂȘ me segurando assim.
Jackson beijou minha testa, depois desceu os låbios até a ponta do meu nariz, depois até minha boca. O beijo foi lento, profundo, cheio daquele carinho bruto que só ele sabia dar.
â VocĂȘ merece o mundo inteiro, Coelhinha. Florença, Paris, onde vocĂȘ quiser. mas enquanto vocĂȘ estiver carregando nosso filho, eu vou te trazer de volta pra casa sempre que precisar. pra te proteger. pra te mimar. pra te foder devagar quando vocĂȘ estiver cansada demais pra qualquer outra coisa.
Eu corei, mesmo depois de tudo, e escondi o rosto no peito dele. â vocĂȘ Ă© impossĂvel.
â E vocĂȘ Ă© minha. - Jackson respondeu, voz baixa e definitiva, a mĂŁo descendo pra apertar minha coxa de leve. â minha pra carregar nosso bebĂȘ. minha pra dormir nos meus braços. Minha pra acordar toda manhĂŁ com essa barriga linda crescendo.
Eu suspirei feliz, entrelaçando nossas pernas. â eu te amo, Jack. mesmo quando vocĂȘ fica todo possessivo e mandĂŁo.
Ele riu rouco, o peito vibrando contra minha bochecha. â eu te amo mais. e vou amar ainda mais quando eu puder ver vocĂȘ segurando nosso filho no colo.
Ficamos ali mais um tempo, sem pressa de levantar. o bebĂȘ chutava de vez em quando, como se quisesse participar da conversa. Jackson falava com ele baixinho entre um beijo e outro na minha barriga, prometendo proteção, prometendo que ninguĂ©m nunca ia machucar a gente.
E eu, deitada ali, segura nos braços do homem mais perigoso de Londres, com nosso bebĂȘ crescendo dentro de mimâŠ
Eu nunca me senti tĂŁo completa.
Dia das MĂŁes â Londres
Eu nunca fui bom com datas comemorativas.
AniversĂĄrios, feriados, nada disso significava porra nenhuma pra mim antes dela. mas hoje era diferente. Hoje era o primeiro Dia das MĂŁes dela. e eu estava decidido a fazer com que ela nunca esquecesse.
Passei a manhã inteira comandando tudo como se fosse uma operação militar.
Mandei os funcionĂĄrios decorarem o jardim de inverno da mansĂŁo com flores brancas e rosas â lĂrios, peĂŽnias e rosas pĂĄlidas, exatamente como ela gosta. no centro, uma mesa posta para dois: toalha de linho, velas, porcelana fina. Na cadeira dela, um enorme buquĂȘ de peĂŽnias cor-de-rosa com um cartĂŁo escrito Ă mĂŁo por mim.
Na mesa lateral, vĂĄrios presentes:
Um colar de ouro com um pingente de coelhinho segurando um coraçãozinho de diamante.
Um ĂĄlbum de fotos que mandei fazer com todas as imagens da gravidez atĂ© agora â incluindo as de Florença.
Um enxoval completo para o bebĂȘ: bodies, macacĂ”es, sapatinhos, tudo em tons neutros de branco, bege e cinza-claro, com o nome âMorningstarâ bordado em alguns.
E o principal: a chave de uma casa de campo nos Cotswolds, um lugar calmo, seguro e longe de tudo, pra quando o bebĂȘ nascer.
Eu vesti uma camisa social preta, calça jeans escura, e fiquei esperando no jardim de inverno. O coração batendo mais forte que o normal â algo que sĂł ela conseguia causar em mim.
Quando ela desceu as escadas, guiada por uma funcionĂĄria que eu instruĂ para nĂŁo falar nada, eu vi seus olhos se arregalarem. â JackâŠ? - a voz dela saiu tremida. ela parou no meio do caminho, mĂŁo na barriga arredondada de quase sete meses, olhando tudo ao redor como se nĂŁo acreditasse.
Eu me aproximei devagar, peguei a mĂŁo dela e beijei os dedos. â Feliz Dia das MĂŁes, Coelhinha.
Os olhos verdes dela encheram de lĂĄgrimas instantaneamente. ela cobriu a boca com a mĂŁo livre, olhando a mesa, as flores, os presentes. â vocĂȘ⊠vocĂȘ fez tudo isso?
â Pra vocĂȘ. - respondi, voz rouca. â pra minha mulher. Pra mĂŁe do meu filho.
Eu a puxei com cuidado para os meus braços, abraçando ela contra o peito. ela enterrou o rosto na minha camisa e começou a chorar de verdade â aquele choro bonito, de felicidade, que me desmontava inteiro.
â Eu nĂŁo esperava⊠eu nem lembrei que era hoje. - ela soluçou. â Jack, isso Ă© lindo demais⊠vocĂȘ Ă© lindo demais.
Eu segurei o rosto dela com as duas mĂŁos, enxugando as lĂĄgrimas com os polegares. â vocĂȘ merece muito mais. vocĂȘ estĂĄ carregando nosso filho, aguentando tudo com força, me amando mesmo eu sendo quem eu sou. o mĂnimo que eu posso fazer Ă© te mostrar todo dia o quanto vocĂȘ Ă© importante pra mim.
Ela ficou na ponta dos pĂ©s e me beijou, salgado de lĂĄgrimas, desesperado e grato ao mesmo tempo. â eu te amo tanto⊠tanto, Jack. obrigada. obrigada por tudo. pelos presentes, pela viagem, por cuidar de mim, por ser o pai do meu bebĂȘ⊠obrigada por me amar do jeito que sĂł vocĂȘ sabe.
Eu encostei minha testa na dela, mĂŁo descendo atĂ© a barriga. â vocĂȘ me deu uma famĂlia, Catthyerine. me deu um motivo pra acordar todo dia querendo ser melhor. Esse Dia das MĂŁes Ă© sĂł o primeiro de muitos. e eu vou passar o resto da minha vida te agradecendo por ter escolhido ficar comigo.
Ela sorriu entre as lĂĄgrimas, tocando o pingente de coelhinho que eu tinha colocado no pescoço dela mais cedo. â vocĂȘ Ă© o melhor presente que eu poderia ter ganhado na vida.
Eu a beijei de novo, mais devagar, mais profundo. depois puxei a cadeira pra ela, servi seu suco favorito e fiquei sĂł olhando enquanto ela abria cada presente, emocionada com cada detalhe.
Era melhor que qualquer poder, qualquer dinheiro, qualquer sangue derramado.
Porque essa mulher â carregando meu filho na barriga, sorrindo pra mim com os olhos marejados â era a Ășnica coisa capaz de fazer o diabo se ajoelhar.
E eu me ajoelharia mil vezes por ela.
Feliz Dia das MĂŁes, minha Coelhinha.
E eu vou te dar ele inteiro.
CATTHYERINE PIETERSE MORNINGSTAR.
O resto do Dia das MĂŁes foi como um conto de fadas que eu nunca quis que terminasse.
Depois do café da manhã surpresa no jardim de inverno, Jackson não me deixou fazer absolutamente nada. ele me carregou no colo até o quarto, me fez trocar de roupa e escolheu pessoalmente o vestido soltinho curto florido com flores vermelhas que eu usaria para a consulta. enquanto eu me arrumava, ele ficou atrås de mim, abraçando minha barriga e beijando meu pescoço.
Eu olhei meu reflexo no espelho. meu cabelo agora estava curto â loiro claro, ondulado, na altura dos ombros. Jackson tinha pedido que eu cortasse hĂĄ algumas semanas, dizendo que ficaria mais prĂĄtico e leve com o final da gravidez. eu adorei. ele passava os dedos nele o tempo todo, dizendo que eu parecia um anjo.
â VocĂȘ estĂĄ perfeita. - Jackson murmurou contra minha orelha, mĂŁos grandes espalmadas na minha barriga.
A consulta era sĂł uma checagem de rotina, mas Jackson insistiu em ir junto, como sempre.
No consultório, eu deitei na maca, levantei o vestido e segurei a mão dele com força. A Dra. Voss passou o gel frio e começou o ultrassom. eu sorri quando ouvi o coraçãozinho acelerado, como sempre.
Mas a mĂ©dica ficou em silĂȘncio por alguns segundos a mais que o normal. franziu a testa, moveu a sonda devagar e depois olhou pra nĂłs dois com um sorriso enorme. â bom⊠parece que temos uma surpresa hoje.
Jackson apertou minha mĂŁo. â o que foi? - perguntou, voz tensa.
A Dra. Voss virou a tela pra nĂłs e ampliou a imagem. â vocĂȘs nĂŁo vĂŁo ter um bebĂȘ⊠vĂŁo ter dois. um casal de gĂȘmeos. um menino e uma menina.
Eu arregalei os olhos, sentindo as lĂĄgrimas subirem imediatamente. dois coraçÔezinhos batendo na tela. dois. â gĂȘmeos⊠- sussurrei, voz embargada.
Jackson ficou completamente imĂłvel ao meu lado. eu olhei pra ele e vi algo rarĂssimo: os olhos dele marejados, a boca entreaberta, sem conseguir falar. ele piscou algumas vezes, como se precisasse processar.
â Menino e menina? - a voz do Jackson saiu rouca, quase quebrada.
â Sim. - a mĂ©dica confirmou, sorrindo. â ambos estĂŁo Ăłtimos, crescendo bem. a menina Ă© um pouco maior, mas estĂĄ tudo perfeito.
Eu comecei a chorar alto, de pura felicidade. Jackson se inclinou sobre mim, encostou a testa na minha e soltou um riso baixo, emocionado, que eu raramente ouvia dele.
â Porra, Coelhinha⊠dois. - Jackson sussurrou, voz tremendo. â nĂłs vamos ter um menino e uma menina.
Eu segurei o rosto dele com as duas mĂŁos, chorando e rindo ao mesmo tempo. â vamos ser pais de gĂȘmeos, Jack⊠eu nĂŁo consigo acreditar.
Ele me beijou com força, sem se importar que a mĂ©dica estivesse ali. um beijo molhado de lĂĄgrimas, desesperado, cheio de amor e choque. â vocĂȘ me deu dois. - Jackson diz contra minha boca. â dois, Catthyerine. eu⊠eu nĂŁo mereço isso. nĂŁo mereço vocĂȘs.
â VocĂȘ merece sim. - respondi, ainda chorando. â vocĂȘ merece o mundo inteiro.
Ele beijou minha barriga vĂĄrias vezes, murmurando promessas baixinho pra cada um dos bebĂȘs. quando levantou, os olhos azuis dele estavam brilhando de um jeito que eu nunca tinha visto.
No caminho de volta pra casa, ele nĂŁo tirou a mĂŁo da minha barriga nem por um segundo. Dirigia com a outra, mas olhava pra mim a cada poucos segundos.
â Menina e menino⊠- Jackson repetia, como se ainda nĂŁo acreditasse. â uma coelhinha e um lobinho.
Eu ri, limpando o rosto. â eles vĂŁo ser uma bagunça, nĂ©?
â VĂŁo ser perfeitos. - Jackson respondeu firme. â e eu vou proteger os trĂȘs com a minha vida.
Chegando em casa, ele me carregou de novo pra dentro, me deitou na cama e ficou horas comigo. cabeça encostada na minha barriga, conversando com os bebĂȘs, acariciando meu cabelo curto ondulado.
â Eu te amo tanto. - digo, passando os dedos na cabeça dele. â obrigada por hoje. pelo cafĂ© da manhĂŁ, pelos presentes⊠e agora por isso. Melhor Dia das MĂŁes da minha vida.
Jackson levantou o olhar pra mim, sĂ©rio, intenso, completamente apaixonado. â esse Ă© sĂł o primeiro, Coelhinha. e eu vou passar o resto da minha vida te fazendo feliz. vocĂȘ, nossa menina e nosso menino.
Eu fechei os olhos, sorrindo, sentindo os dois bebĂȘs se mexendo dentro de mim.
Pela primeira vez, eu nĂŁo tinha medo do futuro.
Porque eu tinha Jackson Morningstar ao meu lado.