Natal, 25 de dezembro – Madrugada na mansão
Eu ainda estou tremendo inteira quando ele me vira de frente pra ele.
As pernas fracas, o corpo mole, encostada na pia fria do banheiro. o vestido azul está todo amassado na cintura, as marcas de mordida ardendo no pescoço e no ombro. eu sinto ele escorrendo entre minhas coxas, quente, possessivo.
Jack me olha como se quisesse me devorar viva outra vez. os olhos azuis escuros, quase pretos de desejo. ele passa o polegar no meu lábio inferior, borra o resto do batom vermelho.
— De joelhos, Doce Coelhinha.
A voz dele é rouca, baixa, uma ordem que faz meu corpo obedecer antes mesmo do cérebro processar. eu deslizo devagar pelo mármore frio até ficar de joelhos no chão, olhando pra cima. ele ainda está com a calça aberta, o pau meio duro de novo, brilhando com nós dois.
Eu lambo os lábios sem pensar. sempre faço isso quando ele manda.
Ele pega meu cabelo com uma mão, guia minha boca até ele. eu abro devagar, pego a cabeça com a língua primeiro, lambo tudo que é nosso, depois engulo o quanto consigo. Ele solta um gemido grave, a mão apertando meu cabelo com mais força.
Eu chupo devagar no começo, saboreando, olhando pra ele o tempo todo. ele adora quando eu olho. adora ver meus olhos verdes marejados enquanto eu engulo ele inteiro.
Ele começa a mexer o quadril devagar, fodendo minha boca com calma, mas fundo. eu engasgo um pouco, lágrimas escorrendo, mas não paro. nunca paro. eu amo isso. amo ver ele perder o controle por minha causa.
Depois de alguns minutos ele me puxa pra cima de repente, me levanta no colo como se eu não pesasse nada. me leva pro quarto, joga meu corpo na cama com cuidado bruto.
Ele sobe em cima de mim, arranca o vestido de uma vez, rasgando o tecido fino no decote. Fica só de olhar pro meu peito nu. os seios estão inchados, sensíveis, vazando um pouco de leite desde que engravidei. ele sabe. ele sempre sabe.
Jack se inclina devagar, pega um seio com a mão grande, aperta de leve até o leite pingar. ele geme baixo, como se doesse de vontade.
— Porra, Doce Coelhinha… olha isso…
Ele abaixa a boca, chupa o mamilo devagar, lambendo o leite doce que sai. eu arqueio as costas, gemo alto, as mãos no cabelo raspado dele. ele mama com força agora, alternando entre os dois seios, sugando como se fosse viciado, como se precisasse disso pra respirar.
Eu sinto ele duro de novo contra minha coxa, esfregando devagar enquanto mama. é tão íntimo, tão errado e tão certo ao mesmo tempo. eu acaricio o rosto dele, as lágrimas voltando.
— Jack… eu te amo… tanto…
Ele levanta a cabeça um segundo, leite ainda nos lábios, olhos vidrados.
— Você é minha. esse leite é meu. esse corpo é meu. tudo seu é meu.
Ele volta a chupar, mais forte, me fazendo gemer e tremer inteira. uma mão dele desce entre minhas pernas, enfia dois dedos fundo, mexendo rápido enquanto mama.
Eu gozo de novo, rápido, intenso, apertando os dedos dele, choramingando o nome dele.
Ele sobe, beija minha boca, me faz provar meu próprio leite nos lábios dele.
E ali, na cama bagunçada, com o cheiro de sexo e Natal ainda no ar, eu me aninho no peito dele, exausta, marcada, cheia dele.
— Melhor Natal da minha vida. - sussurro, voz rouca.
Ele ri baixo, beija minha testa.
— O nosso primeiro de muitos, Doce Coelhinha.
E eu durmo nos braços dele, sabendo que sim.
Porque eu nunca vou deixar ele ir.
E ele nunca vai me soltar.
Algumas semanas antes do Natal
Eu já sabia que algo estava errado há dias.
No começo, achei que era só o estresse: as compras de Natal, os preparativos da festa, a tensão de ter tanta gente na mansão. mas depois virou rotina. eu mal conseguia terminar o café da manhã sem sentir o estômago revirar. um cheiro forte de comida, um gole de suco, qualquer coisa… e eu já corria pro banheiro mais próximo, ajoelhada no chão frio, vomitando até os olhos arderem.
E então percebi outra coisa.
Minha menstruação estava atrasada.
Não um ou dois dias. quase três semanas.
Eu contei no calendário do celular umas cinco vezes, como se fosse mudar alguma coisa. não mudou.
Naquela tarde, saí escondida enquanto Jackson estava na empresa. fui à farmácia mais distante que encontrei, de boné e óculos escuros, coração batendo tão forte que achei que a farmacêutica ia ouvir. comprei três testes de gravidez diferentes. três marcas. só pra ter certeza.
Voltei pra mansão com as mãos tremendo dentro do bolso do casaco. os seguranças me cumprimentaram como sempre, eu sorri forçado e subi correndo as escadas.
Tranquei a porta do nosso quarto. fui direto pro banheiro master, fechei também essa porta, como se alguém pudesse me ouvir pensar.
Coloquei os três testes alinhados na pia de mármore preto. li as instruções de cada um duas vezes. fiz xixi em cada palitinho, tampei, deixei ali. E esperei.
Os três minutos mais longos da minha vida.
Eu andei de um lado pro outro no banheiro, mordendo a unha, olhando pro espelho e vendo uma menina assustada me encarando de volta. Cabelo loiro bagunçado, olhos verdes grandes demais, pele pálida.
O primeiro teste mostrou duas linhas quase imediatamente.
O segundo, o símbolo de positivo clarinho, mas crescendo.
O terceiro, a palavra “Grávida” em letras digitais, sem margem pra dúvida.
Eu sentei no chão, encostada na banheira, e comecei a chorar.
Era tudo ao mesmo tempo: medo, alegria, pânico, amor, terror.
Um pedacinho do Jackson Morningstar crescendo dentro de mim.
Eu toquei a barriga, ainda lisa, ainda sem nada pra ver. mas já tem alguém ali. alguém nosso.
Eu ri no meio das lágrimas, imaginando ele descobrindo.
Ele, que mata sem piscar, que comanda Londres inteira com um olhar… segurando um bebê minúsculo. nosso bebê.
Eu sei que ele vai surtar.
Vai querer me trancar em casa, contratar mil médicos, mandar matar qualquer um que respire perto de mim.
Mas também sei que ele vai amar esse bebê com a mesma loucura que me ama.
Eu enxuguei o rosto, guardei os testes na caixinha de novo, escondi no fundo da gaveta de maquiagem. ainda não sei como vou contar. quero que seja especial. quero ver a cara dele.
Eu me levantei, olhei pro espelho de novo e sorri de verdade dessa vez.
— Oi, pequenino. - sussurrei pra barriga. — sou a sua mamãe. e o seu papai… bom, ele é complicado. mas ele vai te amar mais que tudo no mundo.
Eu respirei fundo, abri a porta do banheiro.
E Jackson Morningstar vai ser pai.
Deus queira que o mundo aguente.
26 de dezembro – Manhã após o Natal
Eu entro em casa mais cedo do que o normal.
A empresa pode esperar um dia. depois da noite passada, eu só queria voltar pra ela.
A mansão está silenciosa, o cheiro de pinheiro e comida ainda pairando no ar. os funcionários já começaram a desmontar as decorações com discrição. eu subo as escadas sem fazer barulho, tiro o sobretudo no corredor, abro a porta do quarto.
Catthyerine está sentada na beira da cama, de pernas cruzadas, vestindo uma das minhas camisas pretas grandes demais pra ela. o cabelo loiro bagunçado de quem acabou de acordar, olhos verdes fixos em algo pequeno que segura nas mãos trêmulas.
Ela levanta o olhar quando me vê. e eu paro na porta.
Não é choro alto. é aquele choro quieto, lágrimas escorrendo devagar, nariz vermelho, lábios tremendo. mas os olhos… estão brilhando. de um jeito que eu nunca vi.
Eu cruzo o quarto em três passos, ajoelho na frente dela, pego o rosto dela com as duas mãos.
— Que foi, Doce Coelhinha? fala comigo.
Ela respira fundo, pega minha mão direita e coloca algo pequeno e plástico na minha palma.
Duas linhas. Símbolo de mais. A palavra “Grávida” em letras claras.
Eu sinto o coração bater tão forte que parece que vai explodir o peito. olho pros testes, depois pra barriga dela – ainda lisa, ainda sem nada pra ver –, depois pros olhos dela de novo.
Ela assente, mordendo o lábio, mais lágrimas caindo.
— Eu descobri há umas semanas… eu tava passando mal, atrasada… fiz os testes ontem de manhã, antes da festa. eu queria te contar de um jeito especial, mas… eu não aguentei mais guardar.
Eu, que sempre tenho resposta pra tudo, que comando reuniões com chefes de cartel sem piscar, que mato sem hesitar… fico sem palavras.
Minha mão vai devagar até a barriga dela. toco de leve, como se fosse quebrar. a camisa sobe um pouco, expondo a pele branca, macia.
Eu fecho os olhos um segundo, sinto um troço apertar a garganta. quando abro, ela está me olhando assustada, esperando reação.
Eu puxo ela pro meu colo com cuidado, abraço forte, mas sem apertar a barriga. enterro o rosto no pescoço dela, respiro o cheiro dela – doce, de baunilha e de casa.
— Porra, Catthyerine… - Minha voz sai rouca, quebrada. — você tá grávida. Você está carregando um filho meu.
Eu rio. um riso baixo, quase engasgado, afasto ela um pouco pra olhar no rosto.
— Puto? Eu tô… - eu balanço a cabeça, procurando palavra que caiba. — eu estou destruído, Doce Coelhinha. de um jeito bom. você me deu a única coisa que eu nunca achei que merecia.
Eu beijo a boca dela devagar, salgado de lágrimas dela e minhas – porque, caralho, eu tô chorando também, e nem ligo.
— Você vai ser a melhor mãe do mundo. - sussurro contra os lábios dela. — e eu… eu vou ser o pai que esse bebê precisar. vou proteger vocês dois com a vida.
Ela sorri no meio do choro, toca meu rosto.
— Você vai ser um pai incrível, Jack. Eu sei.
Eu coloco a mão na barriga dela de novo, espalmada, possessiva.
— Meu filho. - digo baixo, quase pra mim mesmo. — Meu sangue. Minha família de verdade.
Eu beijo a barriga dela por cima da camisa, devagar, com reverência.
E ali, ajoelhado no chão do quarto, com ela no meu colo e nosso bebê entre nós…
eu entendo, pela primeira vez na vida, o que é salvação de verdade.
Agora ela carrega a minha também.
E ninguém – ninguém – vai tocar nessa família.
26 de dezembro – tarde após a revelação
Eu ainda não acredito que ele chorou.
Jackson Morningstar, o homem que faz Londres tremer só de ouvir o nome, ajoelhado no chão, com lágrimas nos olhos azuis enquanto beijava minha barriga.
Agora estamos na cama, as cortinas semi-cerradas deixando entrar uma luz suave de inverno. ele tirou a camisa, o paletó ficou jogado em algum canto. eu continuo com a camisa dele, aberta, só de calcinha branca de renda.
Ele está deitado de lado, apoiado no cotovelo, olhando pra mim como se eu fosse a coisa mais preciosa e frágil do mundo. a mão grande dele descansa na minha barriga, espalmada, protegendo.
— Você está bem? - Jackson perguntou baixo, voz rouca de emoção. — está sentindo alguma coisa? Náusea? Dor?
Eu nego com a cabeça, sorrindo. toco o rosto dele, passo os dedos na barba áspera.
— Só estou feliz, Jack. muito feliz.
Ele se inclina devagar, beija minha boca com uma delicadeza que quase me faz chorar de novo. lento, profundo, como se estivesse provando cada segundo. a língua dele encontra a minha, calma, carinhosa, sem pressa.
As mãos dele sobem pelas minhas costelas, afastam a camisa de vez. ele desce os beijos pelo pescoço, mordisca de leve a pele sensível logo abaixo da orelha. não é mordida forte como das outras vezes. é leve, quase uma carícia com dentes. só pra arrepiar.
— Você agora é duas pessoas que eu amo. - Jackson murmura contra minha clavícula, descendo mais. — tenho que cuidar direitinho das duas.
Ele chega nos seios, já inchados e sensíveis. beija em volta do mamilo, mordisca bem de leve, só o suficiente pra eu arquear as costas e soltar um suspiro. depois chupa devagar, lambendo, como se quisesse aliviar qualquer dor antes mesmo dela existir.
Eu passo as mãos no cabelo curto dele, puxando de leve pra mais perto.
Ele desce mais, beijando cada centímetro da barriga. para ali, encosta a testa na pele, respira fundo.
— Oi, pequenino. - Jackson sussurra tão baixo que quase não ouço. — Papai está aqui.
Eu sinto as lágrimas voltarem, mas são de felicidade pura.
Ele sobe de novo, se posiciona entre minhas pernas com cuidado, como se eu fosse de vidro. tira minha calcinha devagar, joga pro lado. os olhos dele não saem dos meus enquanto entra em mim bem devagar, centímetro por centímetro.
É profundo, sim, mas lento. carinhoso. cada movimento feito pra sentir, pra conectar.
Ele segura minhas mãos acima da cabeça, entrelaça os dedos nos meus. o corpo grande dele cobre o meu, protegendo.
Mordisca meu lábio inferior de leve, depois o pescoço de novo, o ombro. marcas suaves, só pra lembrar que sou dele, mas sem machucar.
— Eu te amo. - Jackson diz contra minha boca, voz quebrada. — te amo pra caralho, Catthyerine. você e esse bebê… vocês são tudo pra mim.
Eu envolvo as pernas na cintura dele, puxando mais fundo, sentindo ele me preencher inteira.
— Eu também te amo. - sussurro, beijando o canto da boca dele. — sempre vou amar.
Nós gozamos juntos, quietos, só gemidos abafados e respirações misturadas. ele fica dentro de mim o máximo que consegue, como se não quisesse nunca sair.
Depois me puxa pro peito dele, me aninha como se eu fosse pequena. a mão volta pra barriga, acariciando em círculos lentos.
Eu fecho os olhos, ouvindo o coração dele bater forte e firme.
E eu nunca me senti tão segura em toda a minha vida.
Início de fevereiro – Primeira consulta médica
Odeio o cheiro de desinfetante, o barulho das máquinas, as luzes brancas demais, as pessoas de jaleco que fingem que sabem o que estão fazendo. mas hoje eu não ligo pra nada disso.
Eu dirijo a Range Rover preta eu mesmo, sem motorista. Uma mão no volante, a outra na coxa dela o caminho inteiro. Catthyerine está no banco do passageiro, vestindo um vestido florido curto que abraça a barriguinha que mal começou a aparecer. decote longo, como ela sabe que me deixa louco. All Star preto nos pés, confortável, porque eu não deixei ela colocar salto. Gloss rosa nos lábios, brilhando toda vez que ela sorri nervosa.
Ela não para de mexer nas mãos.
— Está tudo bem, Doce Coelhinha. - digo baixo, apertando a coxa dela de leve. — vai ser perfeito.
Ela assente, mas morde o lábio.
— E se… e se tiver algo errado?
Eu paro no sinal, viro pra ela, pego o rosto dela com a mão livre.
— Nada vai estar errado. e se estiver, eu resolvo. Entendeu?
Ela sorri pequeno, encosta a testa na minha palma.
Chegamos na clínica particular no centro de Londres – a melhor, a mais discreta, a que eu comprei metade das ações só pra garantir que ninguém respire errado perto dela. eu visto camisa social branca, mangas dobradas mostrando as tatuagens, calça jeans preta, sapato preto brilhante. Simples, mas ninguém ousa me olhar torto.
No consultório, a obstetra – Dra. Elena Voss, mulher de cinquenta e poucos anos, competente pra caralho – já nos espera. eu sento na cadeira ao lado da maca, pego a mão da Catthyerine na hora que ela deita.
Ela levanta o vestido até abaixo dos seios, expõe a barriga pequena, redondinha. a médica passa o gel frio, ela dá um pulinho, ri nervosa.
Eu aperto a mão dela mais forte.
A varinha do ultrassom toca a pele. a tela acende. Primeiro só estática, depois…
Um coraçãozinho piscando rápido.
O som enche o consultório.
— Aqui está. o embrião tem cerca de 8 semanas. Coração batendo forte, 165 batimentos por minuto. tudo perfeito.
Catthyerine vira o rosto pra mim, olhos cheios de lágrimas. — Jack… olha… é o nosso bebê…
Eu só olho pra tela. aquele ponto minúsculo, aquele coração acelerado. meu filho. meu sangue.
Eu me inclino, beijo a testa dela, depois encosto a minha na barriga dela, bem perto de onde a varinha está.
— Oi, pequenino. - sussurro rouco. — sou o seu pai.
A médica continua explicando medidas, desenvolvimento, tudo certo, mas eu mal ouço. Só vejo aquele piscar rápido na tela.
Quando ela imprime a primeira foto – um grãozinho preto e branco com um coração marcado –, eu pego com as duas mãos como se fosse a coisa mais valiosa do mundo.
No carro, de volta pra casa, Catthyerine encosta a cabeça no meu ombro.
— Você está chorando? - Catthyerine pergunta baixinho, surpresa.
Eu limpo o rosto com as costas da mão, sem vergonha nenhuma. — estou.
Ela ri, beija minha bochecha. — você vai ser o melhor pai, Jack.
Eu coloco a mão na barriga dela de novo, dirigindo com a outra. — e você vai ser a melhor mãe.
Eu guardo a foto do ultrassom no bolso da camisa, bem em cima do coração.
E pela primeira vez na vida, eu sinto que o mundo inteiro cabe ali.
E ninguém nunca vai tirar isso de mim.
31 de dezembro – Véspera de Ano Novo
Eu acordo com o sol de inverno entrando pelas frestas das cortinas pesadas.
A barriga já está mais redondinha, quase doze semanas agora, e eu passo a mão ali deitada, sorrindo sozinha. nosso bebê já tem o tamanho de uma ameixa, o coraçãozinho batendo forte como da primeira vez que ouvimos.
Hoje é Ano Novo, mas a nossa comemoração mesmo vai ser só nossa, mais tarde, quando todo mundo for embora. Jackson prometeu: fogos particulares no jardim, champanhe sem álcool pra mim, e ele só de cueca preta me carregando pra cama à meia-noite.
Mas antes disso… vem a casa cheia de novo.
Desde que contamos a notícia da gravidez, parece que o mundo inteiro quer nos visitar. hoje é a vez de todo mundo junto mais uma vez. Nicolaus ligou ontem, voz grossa de emoção: “vou ser avô, porra. Claro que eu venho brindar isso no Ano Novo.” Klarisse já mandou mensagem cedo: “Trago bolo e um presentinho pra você e pro bebê, querida.”
Eu me levanto devagar, coloco um vestido leve rosa-claro soltinho na barriga, cabelo solto com ondas naturais, um pouco de gloss só pra ficar com cara de saudável. Jackson aparece na porta do quarto já pronto – camisa preta social aberta no peito, calça jeans escura, olhando pra mim como sempre olha: como se eu fosse a única coisa que existe.
— Todo mundo chega às sete. - Jackson diz, vindo me abraçar por trás, mãos grandes cobrindo a barriga. — você tá bem? não está cansada demais?
— Eu tô ótima. - respondo, virando o rosto pra beijar o canto da boca dele. — quero ver a cara deles.
E eles chegam, um depois do outro.
Primeiro Nicolaus e Klarisse, com Sebastian, Angéllyna, Dominic, Victoria, Isadora e Stephano correndo atrás. Nicolaus me abraça forte (cuidadoso com a barriga), barba grisalha roçando minha bochecha.
— Minha norinha mais linda. - Nicolaus rosna baixo, emocionado. — vai me dar um neto pra eu ensinar a ser homem de verdade.
Klarisse me envolve num abraço cheiroso, olhos verdes brilhando.
— Parabéns de novo, meu amor. Você está radiante. - ela coloca um pacotinho na minha mão: um macacãozinho branco minúsculo com um coelhinho bordado. eu quase choro ali mesmo.
Depois chega meu pai com Lindsay, que me abraça e já põe a mão na barriga falando “tia Lindsay vai mimar demais esse bebê”. Felícia – a mãe do Jackson – aparece em seguida, elegante como sempre, olhos azuis iguais aos dele marejados enquanto me beija as bochechas.
— Você está fazendo o meu filho feliz de um jeito que eu nunca imaginei. - Felícia sussurra só pra mim.
Ezequiel, o amigo antigo do Nicolaus, vem com Megan – a esposa dele e grande amiga da Klarisse. os dois trazem uma cesta enorme de frutas e chocolates sem açúcar pra mim. as crianças todas correm pelo salão, rindo alto, enquanto os adultos se espalham pelos sofás com taças de champanhe e uísque.
A mansão está quente, cheia de vozes, música baixa de fundo, cheiro de comida que os chefs prepararam: finger foods leves, salmão defumado, bruschettas, sobremesas delicadas.
Eu circulo entre eles, sentindo o bebê dar os primeiros chutinhos quase imperceptíveis – ou talvez seja só emoção. todo mundo quer tocar a barriga, todo mundo quer brindar “ao novo Morningstar” ou “à nova Pieterse”.
Jackson não sai do meu lado. uma mão sempre na minha cintura ou na barriga, olhos atentos em cada pessoa que se aproxima demais. mas ele está… leve. sorri de verdade quando Nicolaus dá um tapa nas costas dele e diz “finalmente um herdeiro de verdade, filho”.
Quando o relógio marca onze e meia, as crianças já estão dormindo nos quartos de hóspedes, os adultos mais calmos, conversas baixas. eu encosto a cabeça no ombro do Jack, cansada mas feliz.
— Foi lindo. - sussurro pra Jackson.
Jackson beija minha testa. — ainda não acabou, Coelhinha. a melhor parte é só nossa.
À meia-noite, os fogos estouram lá fora – os da cidade e os que ele mandou soltar no jardim. Todo mundo brinda, abraça, deseja feliz ano novo.
Mas quando a casa finalmente fica silenciosa de novo, ele me pega no colo como se eu não pesasse nada e me leva pro quarto.
— Agora sim. - Jackson rosna no meu ouvido. — Feliz Ano Novo de verdade.
E eu sei que 2026 vai ser o ano mais importante da nossa vida.
Porque vai ser o ano que o nosso bebê vai chegar.
E eu não poderia estar mais pronta.
31 de dezembro – Após a meia-noite, Ano Novo
A casa finalmente ficou em silêncio.
Os últimos carros sumiram pelo portão, as luzes da entrada foram apagadas, os funcionários desapareceram. só resta o eco distante dos fogos da cidade e o crepitar baixo da lareira no quarto.
Catthyerine está deitada no centro da nossa cama, iluminada apenas pela luz alaranjada do fogo. o vestido rosa-claro que usou a noite toda foi jogado no chão há minutos. ela está nua, deitada de costas, cabelo loiro espalhado no travesseiro, mãos descansando sobre a barriga pequena que já carrega nosso filho.
Eu nunca me canso de olhar pra ela assim.
Frágil. Minha. Grávida de mim.
Eu tiro a camisa devagar, deixo a calça cair. subo na cama só de boxer preta, me posiciono entre as pernas dela com cuidado. ela abre um sorriso sonolento, estende os braços pra mim.
Eu me inclino, beijo a boca dela devagar, profundo, sentindo o gosto doce do gloss que ainda resta. minha mão grande cobre a barriga dela por cima das dela, protege.
— Feliz Ano Novo, Doce Coelhinha. - sussurro contra os lábios. — o melhor da minha vida.
Eu desço os beijos pelo pescoço, clavícula, entre os seios que já estão mais cheios, mais sensíveis. paro ali um instante, lambo um mamilo devagar, depois o outro, ouvindo os suspiros baixinhos dela. ela arqueia as costas, pedindo mais sem palavras.
Mas hoje eu quero ir devagar.
Hoje é sobre carinho. sobre agradecer. Sobre adorar cada pedaço do corpo que está criando a nossa família.
Eu continuo descendo. beijo a barriga redondinha, fico ali um tempo, boca encostada na pele quente.
— Você está sendo tão forte. - digo baixo pra ela e pro bebê ao mesmo tempo. — tão perfeita…
Ela passa os dedos no meu cabelo curto, acaricia.
Eu desço mais. beijo o osso do quadril, a parte interna da coxa esquerda. abro as pernas dela com calma, mãos firmes mas gentis. ela já está molhada, brilhando pra mim.
Eu mordo de leve a carne macia da coxa interna, só o suficiente pra deixar uma marquinha rosada, pra arrepiar. ela solta um gemidinho, contrai os músculos.
Eu mordo a outra coxa, um pouco mais forte, mas ainda leve. depois lambo o lugar, acalmo com a língua. repito: mordisco, lambida, beijo. deixo uma trilha de marquinhas suaves das coxas até quase o meio das pernas.
Ela treme inteira, respira rápido.
Eu subo devagar, posiciono meu corpo sobre o dela sem apoiar peso na barriga. Entro devagar, centímetro por centímetro, olhando nos olhos verdes dela o tempo todo.
Cada movimento feito pra sentir ela inteira, pra mostrar sem palavras o quanto eu amo, o quanto eu preciso, o quanto eu sou grato.
Ela envolve minhas costas com os braços, pernas na minha cintura. nós nos movemos juntos, sem pressa, como se o tempo tivesse parado.
Eu beijo a boca dela de novo, engolindo os gemidos baixos. mordo o lábio inferior dela de leve, depois o pescoço, marcando só o suficiente pra lembrar amanhã.
Nós gozamos quase ao mesmo tempo, quietos, corpos colados, respirando o mesmo ar. eu fico dentro dela o máximo que consigo, não quero sair nunca.
Depois me deito de lado, puxo ela pro meu peito, mão na barriga de novo. ela encaixa a cabeça no meu ombro, suspira satisfeita.
— Você é o meu mundo, Catthyerine. - digo baixo, voz rouca de emoção. — você e esse bebê. não existe mais nada além de vocês dois.
Ela beija meu peito, bem em cima da tatuagem do lobo.
— E você é o meu, Jack. pra sempre.
Eu fecho os olhos, apertando ela contra mim.
E eu sei, no fundo da alma, que vai ser o ano que tudo muda.
Porque agora eu tenho os dois pra proteger.
E eu vou proteger com a vida.