"Roleta" // nem sei se dá pra brincar, sinto que o Kanato se arrependerá disso auehue
Deliciosas são as tardes ensolaradas em seu covil. Sol? Na verdade o som vindo de um gramofone no fundo da sala claustrofóbica simulava risos de crianças, latidos de cães e canto de pássaros. Como o som era baixo, tudo parecia estar muito além da janela falsa com uma paisagem pintada. Apesar de há muito tempo ter se fechado no mundo da noite, Sophie havia nascido em mundo humano e até vivera como uma e, não poder voltar a ver a luz do dia a causava saudades. De fato, a noite e o dia lhe faziam mal agora. Para piorar, o que fazer quando se tem fome e indisposição?
Sussurrou consigo mesma enquanto seus olhos de tom tão escuros fitavam o teto pintado de azul gelo. O lustre de prata simples estava apagado, mas a sala simulava luz vinda da “falsa janela”, por isto a minúscula sala com dois sofás e uma poltrona pequena parecia tão iluminada.
- Eu deveria sair para brincar um pouco, mas o velho me mataria.
Se referia ao dono do covil, já que o mesmo era alugado. Ou melhor, era alugado na base da troca de favores: Enquanto ele saía e se divertia, ela cuidava do local como se fosse seu. De fato, poderia ser até chamado de seu, pois só havia seus pertences e o “velho” não aparecia há semanas.
A campainha tocou. Nada melhor podia acontecer! Quem sabe desta vez não fosse um “peixe grande” que tinha caído em sua rede? O gramofone, por sua vez, foi desligado rapidamente por estar ao lado da poltrona, exatamente onde a pequena estava sentada. Não se deu o trabalho de puxar o trinco, já que agora a porta residia sempre destrancada.
Mas, quem abriu uma porta em busca de diversão para ir parar no covil de Sophie? Seria alguém entrando em um game center ou algo assim? Tanto fazia! O que importava é que, seja quem fosse, não a veria de início.