Hoje eu sinto que estamos em um Loop eterno de tragédias, fixas e repetidas tragédias. Eu soube desde que tudo isso começou, mas não fazia ideia de que seria tão difícil. O valor que uma praia lotada tem, tantas pessoas com suas bagagens e histórias, tão semelhantes a nós pela dor da solidão, a dor da impotência. Acordo todos os dias e tento manter-me forte, fazer algo que gosto, me reconectar com minha essência. Digo a mim mesma que se não posso resolver todo esse caos, do que adianta me queixar dele ?! O que posso fazer é ficar aqui, no aconchego da minha casa, onde muitas vezes escolhi estar para silenciar o mundo e todas as suas cobranças e hoje é o único lugar que preciso estar. Cuido de todos quando respeito o lar de todos, que aquelas pessoas que encontro no mercado, assim como eu estão cansadas de estarem em suas casas, mas sabem que é preciso. Quando eu cuido de mim, cuido de todos um pouco. Isso dói, dói ver famílias, amores, vidas serem perdidas, sentir o peso do mundo, o peso que é lutar para estar vivo, ver tantos de nosso povo indo embora e um buraco sendo feito no peito daqueles que os amam. Saber que eu não posso mudar isso, que não há mais praias cheias de energias incríveis, sentindo a força da natureza e a doçura das melodias que as ondas cantam, é tão doloroso, que me parte a alma.