Tem alguém que passa pela sua cabeça em momentos inesperados, sem que você convide, mas que insiste em estar lá, como uma saudade bonita que, por mais que você não queira sentir, você sente?
Neide Torres

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Tem alguém que passa pela sua cabeça em momentos inesperados, sem que você convide, mas que insiste em estar lá, como uma saudade bonita que, por mais que você não queira sentir, você sente?
Neide Torres

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Uma mulher não pode ser reduzida a apenas uma pessoa que gesta. Quem faz isso ignora toda a grandiosidade que existe por trás de ser mulher.
Quando Deus criou o masculino e o feminino, Ele os fez com funções distintas, com corpos e características próprias. Cada um cumpre um papel essencial. O masculino foi dotado da capacidade de gerar a semente, enquanto o feminino recebeu a capacidade de germinar. Um não pode criar uma nova vida sem o outro.
Só Deus pode dar a vida e, depois Dele, o sexo feminino recebeu a capacidade de gerar, carregar e dar à luz uma nova vida.
A gestação, por si só, já é um fenômeno incrível. O corpo da mulher se transforma, se expande de acordo com as necessidades da vida que carrega. Os hormônios mudam e, com eles, também mudam os sentimentos, o humor e a forma como seu corpo funciona.
O parto é outro fenômeno extraordinário. A ciência compara a intensidade dessa dor à sensação de cerca de 20 ossos sendo quebrados ao mesmo tempo. E o sexo feminino suporta essa dor. No momento em que dá à luz, ela é capaz de esquecer a intensidade da dor, como se tivesse adormecido, abraçar e sorrir, porque a chegada daquela vida supera a dor que acabou de enfrentar.
Mas esse fenômeno não termina com o nascimento. Após o parto, acontece algo extraordinário. Aquela que deu vida a uma nova vida também passa a entregar a própria vida em prol daquela existência.
Com o passar dos anos, a mãe acompanha os passos daquela vida. E, quando essa vida corre perigo, ela adquire uma força que antes não conhecia. É capaz de levantar um carro, um portão de ferro, pular em um rio sem saber nadar, enfrentar leões e ursos, atravessar florestas e lutar contra perigos que parecem impossíveis.
Na Venezuela, uma mãe permaneceu por dez dias debaixo de escombros, sem água e sem comida, alimentando seus três filhos com leite materno, sem deixar que nenhum deles morresse de fome ou sede. Ela sustentou aquelas vidas com o próprio sangue. Mas quem alimentou essa mãe durante todos esses dias, quando ela mesma não tinha comida nem água?
Esse fenômeno não ocorre apenas nas mulheres. Ele também existe no feminino de outras espécies. Animais também enfrentam perigos, predadores e situações extremas para proteger suas crias.
São fenômenos que ultrapassam aquilo que a natureza consegue explicar.
Quem ignora que uma mulher é dotada de algo extraordinário, que não pode ser comprado ou adquirido, ignora a grandiosidade da criação e a própria mãe que um dia lhe deu a vida.
Neide Torres
Às vezes me sinto desconectada das pessoas, dos sentimentos e de tudo ao meu redor. Não é exatamente tristeza. É um vazio, como uma melancolia daquelas que tomam conta da gente em dias de chuva.
É um esgotamento sensorial e emocional, uma exaustão na alma, um vazio que me deixa sem vontade de socializar, conversar, ouvir ou falar. Nesses momentos, escolho a solitude do meu quarto escuro, me afastar e ficar quieta, ouvindo melodias tristes, porque, de alguma forma, elas se conectam comigo.
Porque, nesses momentos, as pessoas me cansam, me irritam e acabam me deixando ainda mais vazia.
Neide Torres
Nos últimos anos, tenho tentado compreender o amor, a profundidade desse sentimento. Tenho assistido a filmes, documentários e lido livros sobre esse assunto, tentando entender a essência do amor para não perdê-la.
E descobri uma coisa com tudo isso: quando você sente um amor verdadeiro, talvez nunca consiga simplesmente se livrar dele.
Você pode amar outra pessoa, construir uma nova história e ser feliz, mas aquele amor fica guardado em algum lugar do coração. E, em momentos inesperados, você pensa naquela pessoa e sente, no fundo da alma, um vazio que, por mais que você ame outra pessoa, parece não ser preenchido.
Você pode buscar essa pessoa em várias situações da vida, mesmo sem perceber. Pode querer saber como ela está, mesmo que ela nunca saiba disso. Porque, em algum lugar dentro de você, existe a sensação de ter perdido algo importante, talvez um arrependimento que nem sempre é admitido conscientemente.
Isso trouxe algumas respostas para perguntas que eu fazia a mim mesma, principalmente sobre sentimentos de culpa por sentir algo que eu gostaria de não sentir, mas que continua existindo.
Às vezes, parece que esse amor adormeceu, morreu, acabou. Até que, de repente, ele ressurge do nada: em uma música que eu escuto, em um pôr do sol que eu vejo, na onda do mar, em alguma coisa aleatória. E, naquele exato momento, vem o vazio.
Eu já amei depois desse amor e sei que sou capaz de amar outra pessoa. E não é que eu queira essa pessoa de volta, pois não a incluo nos meus planos futuros. Tenho consciência de que a nossa história acabou.
Mas esse sentimento ainda existe, escondido em algum lugar dentro de mim. Ele não depende do meu querer para ser sentido. Não é algo que eu escolho sentir ou que consigo simplesmente apagar.
Ele não tem mais o mesmo tamanho, nem a mesma força que tinha antes, mas ainda se manifesta em momentos específicos, em forma de melancolia e vazio. E, por tudo que aprendi sobre o amor, acredito que esse sentimento seja permanente.
Neide Torres
Na vida, a gente nasce sozinho e morre sozinho. Essa deveria ser uma compreensão ensinada desde o princípio da nossa existência: não construir a nossa jornada baseada na expectativa de que o outro estará sempre disponível. Mas somos ensinados que é melhor serem dois, que, se um cair, o outro vai levantar, que precisamos ser apoio uns dos outros. E é justamente aí que surge a decepção humana: quando percebemos que podemos estar presentes nos momentos difíceis de muitos, oferecendo o apoio que eles precisam, mas nem sempre teremos alguém disposto a fazer o mesmo por nós quando precisarmos. Talvez, se tivéssemos entendido desde o início da nossa caminhada que, em muitos momentos, ela seria solitária, não criaríamos tantas expectativas e nem teríamos tantas decepções.
Neide Torres

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Se você tem alguém que te admira e te ama incondicionalmente, mesmo com todos os seus defeitos, não corra o risco de perder essa pessoa. Porque, nos dias de hoje, está difícil encontrar alguém que ame e admire até as nossas qualidades, quanto mais as nossas imperfeições.
Neide Torres
Neste século, nunca foi tão fácil manipular a percepção da maioria. Basta dizer o que a pessoa quer ouvir ou ser alguém com influência na mídia, com ou sem conhecimento da causa da qual fala. Isso não significa que o influenciador seja alguém inteligente ou tenha grande conhecimento sobre o assunto, apenas que encontrou pessoas suscetíveis a serem manipuladas por aquele determinado tema.
A maioria das pessoas que se deixa manipular não é por incapacidade, mas por excesso de confiança ou pela falta de disposição para pensar, refletir, questionar, buscar compreensão e construir a própria opinião. Por isso, acaba validando tudo aquilo que ouve e vê, passando a enxergar o mundo através dos olhos dos outros.
O mal deste século não é o excesso de informação ou de tecnologia, mas a falta de disposição para buscar conhecimento, além da romantização de tudo que vem fácil, pronto e mastigado, fortalecendo a superficialidade intelectual.
Por outro lado, sabemos que é difícil ser um questionador, um crítico, alguém que pensa além das narrativas prontas e desafia as certezas da maioria. Frequentemente, quem faz isso é cancelado. Não porque esteja errado, mas porque muitas vezes é minoria, enquanto a arrogância dos tolos se sobrepõe à busca pela verdade, sem deixar espaço para considerar perspectivas diferentes.
Quando ninguém admite a possibilidade de estar equivocado, o diálogo desaparece. A verdade cede lugar à vaidade.
Enquanto isso, aqueles que buscam compreender vão cedendo espaço para aqueles que apenas repetem. Não por incapacidade de argumentar, mas pelo desgaste de tentar dialogar com quem já decidiu não estar disposto a ouvir.
Neide Torres
Foi de imediato, na primeira conversa. Aquela pessoa me despertava algo que ninguém mais havia despertado na minha vida. Bastava pensar nela para que meu corpo inteiro reagisse. Imaginá-la era quase uma experiência física intensa, como se a presença dela existisse em mim mesmo à distância.
Eu a amei de um jeito que nunca imaginei ser capaz de amar. Foi algo profundo, extremo, desproporcional até. E isso se manteve por muitos anos. Durante muito tempo, eu tive a certeza de que nunca conseguiria esquecê-la. Parecia uma marca definitiva, como se esse sentimento fosse me acompanhar como uma espécie de condenação emocional.
Ela me fez chorar muito. Não pouco, muito mesmo. E por muito tempo isso definiu a forma como eu a lembrava.
Mas hoje, quando olho para as fotos dela, não sinto mais nada. Todo aquele impacto, todo aquele fogo que existia só de pensar nela, desapareceu por completo. Não é que tenha adormecido esperando voltar. Ele simplesmente deixou de existir. Se transformou em outra coisa, uma espécie de gelo interno que apagou qualquer vestígio do que já foi.
Hoje eu não penso nela. Não sinto saudade. Não me pego imaginando se ela vai me procurar ou se vamos voltar a falar. Não há expectativa, não há dor, não há lembrança emocional ativa.
Não sinto nada.
Neide Torres