Conquistem
É nítido que os tipos de relacionamentos e como as pessoas se encontram evoluem com o tempo. Hoje qualquer um consegue se tornar consumidor-produto de um aplicativo de encontros qualquer. É um mercado grande e em expansão, mas até que ponto alguns toques na tela de um smartphone podem substituir toques reais entre as pessoas?
Chega a sexta-feira, a correria semanal com cursos, trabalho conversas com amigos e faculdade, que promovem contato direto entre pessoas, não permite que haja tempo para conhecer alguém profundamente. A alternativa para isso são os aplicativos e sites de relacionamentos, em poucos minutos você encontra uma alma-gêmea para curtir o final de semana, apresentar para os amigos e tirar fotos para o Instagram o diferencial desta nova alma, é que na maioria esmagadora dos casos, ela vem com data de validade. Se é doce demais, ou seca demais ou com notas realistas de amargor, o descarte é iminente, gerando demanda por novas almas-gêmeas.
E quem disse que você só pode ter uma? Se morar na cidade de São Paulo, é ainda melhor ter alternativas para os dias de rodízio. A indústria do amor um dia produzirá mais divórcios do que as montadoras produzem automóveis.
De maneira nenhuma eu condeno aqui as pessoas que preferem toques digitais ao invés de físicos. De certa forma, eu até entendo vocês, queridas mulheres: não existem tantos homens conquistadores como na época de nossas avós e é satisfatório acreditar na ilusão de que algum dia, ainda que por intermédio do Tinder. Vocês são as verdadeiras heroínas aqui, vivendo uma vida a trezentos por hora esperando algum príncipe encantado alcança-las à cavalo, é de uma coragem sem tamanho.
Mas vocês, meus camaradas homens, o que está acontecendo conosco? Cadê o romantismo herdado dos nossos avós? Cadê a vontade da conquista? Somos conquistadores naturais mas temos preguiça até de chegar aquela gatinha da faculdade por acharmos que ela “é difícil”. Talvez relacionamentos com homens preguiçosos e rasos que só se aproximaram dela pelo tamanho da bunda a tenham deixado “difícil”. Homens preguiçosos para a conquista são como peixes que não sabem nadar. Sejamos botos cor-de-rosa; sejamos Vinícius de Moraes e Caetano Veloso; sejamos todos mais paixão e menos bundas.
Não critico aqui a metamorfose dos amores e relacionamentos contemporâneos na questão de como as pessoas se aproximam, critico a forma errada com que os indivíduos estão usando estas ferramentas jamais imaginadas por gerações passadas. Deixo um conselho a vós: mulheres, não desistam de nós; homens, abram a porta do carro, sejam presentes, sejam conquistadores!
P. Ribeiro












