𝐏𝐀𝐍𝐄𝐌 𝐄𝐓 𝐂𝐈𝐑𝐂𝐄𝐍𝐒𝐄𝐒
TASK 03
⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ 28 de Março. Entre 18:00 e 18:45 PM. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀ ⠀
Para quem tinha Shindeul como irmão, o cheiro de enxofre do vulcão não era nada. O príncipe estava mesmo incomodado é com todo aquele calor e ar abafado abrindo espaço até seus pulmões. Porém, apesar do desconforto teve tempo o suficiente para admirar a terra fervente a sua volta, brilhando e engolindo tudo o que tocava.
A lava era mesmo uma coisa linda.
A princesa do Mônaco também não demorou a chegar. A dupla era pontual, ao menos nisso combinavam. E Gaeul lhe fez um pequeno aceno em cumprimento, pois ainda que estivesse completamente desanimado com o que viria, era bom vê-la.
Os dois eram responsáveis por fechar oficialmente o evento de duelos. E, sendo eles os últimos, deveriam ao menos dar um bom show ao público. Mas o norte coreano duvidava que fossem alcançar resultados grandiosos como das últimas batalhas. Seu desgosto com a adversária era bastante óbvio. Tanto por Geneviève ser uma das pouquíssimas pessoas que ele ainda suportava naquela academia, quanto por ser uma mulher miúda e delicada. Sim, seu lado machista gritava nessas horas. Como Yeeun noona havia anunciado para o mundo ele era um “boiola”. Não ligava, afinal se fosse um duelo de vida ou morte Gaeul não iria se importar com Gen ser do sexo oposto e lutaria até a vitória. Contudo, aquilo era só um treinamento bem inútil, infantil e nada diplomático - ao menos essa última parte lhe agradava.
O sinal de início para o duelo ecoou e Gaeul não mexeu um músculo sequer. A atenção voltada totalmente para Gen e o martelo de pólo que ela empunhava. Não acreditava que aquilo fosse lhe causar danos, mas era bom ficar de olho. Ele então esperou e esperou e esperou. Até que a princesa finalmente veio em sua direção, pronta para o ataque.
Os golpes dela pareciam em câmera lenta na visão de Gaeul e por isso ele conseguia desviar de todos com muita habilidade. O ruído do martelo contornando o vento era alto e sempre muito próximo da sua cabeça, mas nenhum fio rosado foi tocado.
Minutos se passaram até que o nortenho resolvesse fazer algo. Em meio a um dos golpes dado pela garota, Gaeul girou o corpo 360º dando um chute duplo (um de cada pé) contra a barriga da loira; o que resultou no corpo menor voando alguns metros de distância até cair na beira de uma das rochas, bem ao lado do rio flamejante. Aquilo deve ter doído, mas com sorte não teria quebrado nenhuma costela dela.
Esperou pacientemente até Geneviève recuperar o fôlego, a observando de longe. Foi então que as sobrancelhas se ergueram em curiosidade ao ver a amiga aproximar a mão da lava e, de alguma forma, começar a sugar e envolver todo o corpo numa armadura de magma. Que foda!, pensou com um sorriso de canto e não demorando a querer mostrar um de seus truques também.
Os braços de Gaeul borbulhavam enquanto a pele pálida era transformada em grossas escamas douradas, semelhantes a de um dragão. Ao invés das mãos, ele tinha patas com garras afiadas e resistentes ao calor extra que a monegasca decidiu trazer para a luta. Então, desta vez quem retomou o combate corpo a corpo foi o próprio coreano, engolindo a distância entre eles com passos rápidos e, assim que se aproximou o suficiente, disparando uma sequencia de golpes ferozes. Gen tentava atacar de volta, mas Gaeul não lhe dava muita oportunidade. As garras já arrancando lascas enormes de magma da armadura alheia de modo que já era possível para o coreano distinguir a parte lateral do tronco da garota ali dentro.
Só precisava de um único golpe para deixá-la inútil e vencer o duelo.
Todavia, algo inusitado tomou a cena: a rocha seca sob seus pés começou subitamente a tremer, como se passando por um terremoto. O corpo de Gaeul balançou, buscando um equilíbrio que nunca veio, pois quando firmou os pés novamente na rocha, uma enorme fenda se abriu, jogando tudo na garganta faminta do vulcão.
O Kwak usou as garras da mão direita para se agarrar ao que ainda tinha restado do chão. Seu corpo balançando na beirada daquele precipício, prestes a ser engolido pelo diabo que ainda parecia rir da sua cara.
Queime, Gaeul! Queime todos. A voz que ecoou em sua mente era feminina, fria e familiar. A presença de Kumiho era tão opressiva vinda de dentro que fazia todo o calor que ele sentiu até o momento ser apenas uma faísca. Os olhos de Gaeul ficaram completamente negros, refletindo o rio de lava abaixo como se sugassem todo o brilho que lhe era natural. Um sorriso grande e afiado tomou o rosto do príncipe, esticando a mão vaga em direção ao magma, determinado a sentir e dali separar a parte mais feroz e maligna que pudesse encontrar. O fogo negro. Gaeul conseguia senti-lo fluir, subindo até a superfície do vulcão como o sangue que corria por suas veias. Só mais um pouco e poderia atear fogo em tudo ali. Gen, os professores, até os alunos e funcionários que assistiam nas arquibancadas. Só mais um pouco.
“Gaeul?!? GAEUL!” Desta vez quem berrou em sua consciência foi Bora, sua daemon. Ela parecia assustada e desesperada enquanto compartilhava o que acontecia dentro dele. “GAEUL! NÃO!” O pedido foi como um chacoalhão que o tirou daquele transe, devolvendo o branco aos seus orbes e um olhar vagamente perdido. “JÁ CHEGA!” A raposa branca vociferou, puxando o olhar de Gaeul a ela como um imã.
Humano e daemon se encararam por alguns segundos, até Gaeul fazer um sinal de concordância com a cabeça e, logo em seguida, começar a puxar o corpo para cima, de volta para rocha firme. Lá, ele se colocou de pé e fitou Geneviève em silêncio.
E antes mesmo que o duelo pudesse retomar de onde havia parado, Gaeul ergueu a mão e anunciou:
━ Eu desisto!













