Códigos da Milonga e da Pista Tradução: Maria Clara Carvalho
São hábitos que durante décadas se incorporaram tanto na cultura de Buenos Aires bem como em toda a Argentina. Este é um resumo de questões colocadas a ‘milongueiros’ com mais de 50 anos de experiência de baile e, actualizado com a dos novos ‘milongueiros’- feito em Buenos Aires por ‘airesdemilonga’ e Carlos Neuman. Dos Bailarinos - O convite ao baile é feito pelo homem á mulher - O convite usualmente faz-se com mirada (olhar) e ‘cabeceo’ (aceno da cabeça) do seu lugar na mesa, ou então aproximando -se um pouco da mulher para que esta note a sua presença (a mulher que não tem intenção de bailar com o homem que a está a ‘mirar’(mirada), nunca deve fixar o olhar sobre ele). Uma vez que hHoje também se aceita o convite á mesa, entre amigos, suave e prudente sem obrigar a mulher a aceitar. -A mulher olha fixamente o homem quando tenciona aceitar o seu convite para bailar. -Aceite o convite, a mulher espera sentada, a chegada do homem. -Entram juntos na pista por uma esquina, cuidando dos outros par. -Á excepção dos pares formais, não se dançam várias ‘tandas’ seguidas com a mesma mulher. -Terminada a ‘tanda’ o homem acompanha a mulher ao seu lugar. -Não se convida uma mulher acompanhada por um homem, nem uma que bailou várias ‘tandas’ seguidas com o mesmo homem, subentendendo-se que exista uma relação ou uma aceitação especial entre ambos que não se deve perturbar, exceptuam-se os pares que demonstrem bailar com outros. -É costume que os bailarinos se preparem para ir á Milonga com asseio e roupa apropriada. Da Pista - Baila-se ao redor da pista, no sentido inverso dos ponteiros do relógio e em filas paralelas, em linha e sem se invadirem umas ás outras. O centro é reservado para principiantes, e a exterior para os mais experientes. - A pista é para bailar, não se caminha e não se cruza nem para se aproximar da mulher que aceitou o convite para bailar. -Não ensaiar nem experimentar passos, para isso existem as aulas e as práticas. -Na Milonga não se realizam actos de carinho excessivo. São observadas regras de postura e bons costumes sociais. -O par começa a bailar integrando-se de imediato na pista evitando importunar os restantes pares. -Não se ultrapassa um par pelo ‘lado cego do homem’ ou seja pela direita. -Quando na pista há pouco espaço entre os pares, não se fazem ‘ganchos nem voleos altos, e baila-se de acordo com o espaço. -Choques e pisadelas, pedem-se desculpa subtilmente com um gesto, sem interromper o baile de ninguém, um sorriso ou um sinal facial são suficientes. Do Baile - O primeiro tango da orquestra não se baila, é para o seu reconhecimento e ouve-se em silêncio. - Durante o baile não se fala nem se cochicha. - Os primeiros compassos de cada tango não se bailam. Servem principalmente para o homem reconhecer o tema e ‘afinar’ os ouvidos. - Evitar acabar o baile antes de terminada a ‘tanda’ . O ‘obrigado’ para terminar o baile é interpretado como desprezo e só acontece quando a conduta do par fôr inadequada. Não se interrompe uma ‘tanda’ pelo simples facto de não se estar a gostar do baile. Alguém convidou e alguém aceitou e devem suportar-se até ao fim da ‘tanda’. -O convite e o comportamento entre amigos num grupo é diferente e não deve ser considerado como desrespeito aos códigos . - Quando a orquestra acaba as ‘tandas’ é comum acordo acabar o baile. - Á Milonga vai-se para bailar e nada mais. Aos que vão com outras intenções pede-se discrição e respeito pelos bailarinos pelos códigos e pelos costumes.











