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Déjame entregarte todo, que no me quede ni un suspiro, que ya no sienta yo el vacío… Déjame entregarte el alma, que duele y ya no siente, arráncamelo todo y dime que ya te la llevarás.
Entregarte todo. (Fragmento)
TAKE MY SOUL
Chapter 8 - Back home.
Eu sentia o sangue escorrer de meu nariz. Minha cabeça latejava devido as pancadas e minhas mãos estavam amarradas nas minhas costas, presas a cadeira que eu fui colocada. Eu tentava chorar mas não conseguia, tentava gritar mas não conseguia. Olhei para o chão e pude ver meu celular completamente pisoteado, a última lembrança que eu tinha dele inteiro foi quando ele tocou pela última vez, mostrando o contato de Jeffrey na tela. O celular estava na mão do Javier. Depois disso eu só me lembro de estar assim, prestes a morrer.
- Sua vadiazinha! - Ele apontou a arma para minha cabeça e disparou
Levaram alguns segundos até eu perceber que já estava em casa. Minha mão correu rapidamente pela cama em busca de meu celular, fiquei aliviada ao ligar a tela e ver que já era terça feira e eu estava realmente em casa, havia sido apenas um pesadelo.
No sábado javier dormiu desde a hora do filme até de madrugada, quando um de seus capangas o acordou e eles saíram, assim eu não o vi mais até ir embora no domingo.
Quando cheguei em casa tomei alguns remédios para dormir e fiquei igual um zumbi até finalmente acordar agora, no meio da tarde de terça-feira.
Depois de muito esforço consegui levantar de minha cama e fui em direção ao banheiro. Tirei minhas roupas e fui para de baixo do chuveiro, tomando o banho mais relaxante que pudesse. Ao sentir a água escorrer pelo meu corpo a minha mente trabalhava sem parar. O final de semana não havia sido tão ruim quanto eu pensava, apesar de eu ter sido tratada basicamente como uma boneca sexual, ele não me machucou. Muito pelo contrário, ele me tratou bem, na medida do possível é claro. Mas, ainda assim existia algo que embrulhava a boca do meu estômago e fazia meu coração disparar, eu tenho que continuar mas o pensamento dele acabar descobrindo tudo invadia minha mente.
Terminei o banho e assim que terminei de me vestir, ouvi a campainha tocar. Ao abrir a porta me deparei com Jeffrey e o abracei com força.
- Desculpa não ter conseguido vir antes, aquele filho da puta aprontou de novo. - Ele suspirou e beijou o topo da minha cabeça
- O que importa é que você tá aqui agora! - O abracei com mais força enquanto ele acariciava minhas costas
Depois de alguns segundos abraçados, Jeffrey segurou minha mão me guiando até o sofá, sentamos e ele alisou meu rosto.
- Como você tá?
- Fisicamente bem. - Suspirei
- Foi tão horrível assim?
- Bom, ele não me tratou mal em nenhum momento, mas eu…. - Respirei fundo - Eu tive que transar com ele. - Minha voz saiu fraca
- Ah! - Ele mexeu os ombros - Mas isso a gente já sabia que você teria que fazer, não é? - Eu concordei com a cabeça e ele continuou - O que importa é, ele pareceu confiar em você?
- Eu não sei, quer dizer, foi apenas um final de semana, ele obviamente não me falou nada.
- Eu preciso saber tudo o que aconteceu.
Depois de eu contar detalhadamente tudo o que havia acontecido no final de semana, Jeffrey me olhou com um brilho nos olhos.
- Isso é bom, isso é muito bom - Ele sorriu - O idiota definitivamente gostou de você, não vai demorar muito pra você descobrir algo!
- Jeffrey, eu não sei se consigo continuar… - Eu abaixei a cabeça
- Não, não, não - Ele segurou meu queixo com a ponta dos dedos e gentilmente ergueu meu rosto novamente - Agora você já começou e começou bem, a gente não pode parar agora. Você vai conseguir e não vai demorar muito. Eu tô aqui do seu lado, a gente vai conseguir prender esse desgraçado e ainda vamos descobrir quem fez aquilo com seus pais. Só confia em mim, tá?
Eu apenas concordei com a cabeça e Jeffrey se aproximou lentamente, selando seus lábios nos meus. O beijo que começou calmo foi se tornando gradativamente mais intenso, Jeffrey começou a me deitar no sofá mas eu o segurei pelos ombros.
- Desculpa, eu ainda não consigo.
- Tudo bem - Ele concordou mas seu tom de voz demonstrava claramente uma irritação - Ele falou alguma coisa sobre o próximo final de semana? Vanessa estava furiosa ao telefone e não quis me dar detalhes.
- Eles tiveram uma conversa sobre os homens de Peña não estarem mais satisfeitos com as mulheres que ela leva e ele mandou ela levar todas embora.
- E você ficou?
- Sim, ele exigiu que eu ficasse.
- Isso é bom, Helena! - Ele sorriu - Isso é muito bom! Ele falou alguma coisa sobre você ir pra lá no próximo final de semana?
- Ele saiu na madrugada de sábado pra domingo e eu não o vi mais.
- Foi quando ele nos fodeu de novo - Ele rosnou - Por que você não me avisou?
- Ele pegou meu celular! Só consegui pegar de volta quando eles vieram me deixar em casa.
- Eu tenho mais um problema pra resolver - Ele bufou sem desviar os olhos do celular
- O que foi?
- Frank - Ele me olhou - Ele me encheu o saco por você estar passando tanto tempo fora de casa, eu tentei desviar a atenção mas ele não tá nada contente com isso.
- Tem alguma coisa que eu possa fazer pra ajudar?
- Não, deixa que eu vou resolver isso - Ele se levantou - Eu preciso ir, só vim ver como você estava.
- Você não vai ficar? - Eu perguntei sem conseguir disfarçar o tom deprimido
- Não, eu preciso voltar ao trabalho. - Ele beijou o topo da cabeça - Assim que eu tiver um tempo livre eu volto pra gente combinar mais coisas sobre o plano.
Assim que Jeffrey saiu eu fui até a cozinha preparar algo pra comer, já que pude ouvir minha barriga roncar de fome. Fiz um sanduíche e quando me sentei no sofá para assistir tv pude notar uma mensagem de um número desconhecido em meu celular.
Senti um arrepio percorrer meu corpo após essas mensagens, ele agora havia meu número e essa merda ficava cada vez mais real. Meu estômago ficou tão embrulhado que foi quase impossível comer meu sanduíche, eu tive que apenas o empurrar pra dentro.
Decidi ir pra academia pra tentar ocupar minha cabeça, confesso que além de tudo estava um pouco chateada com Jeffrey e suas reações ao que aconteceu, mas novamente tentei me concentrar no meu principal objetivo que era descobrir quem havia matado meus pais, afirmando para mim mesma que não há nada que eu não faça para descobrir quem fez isso e vinga-los.
TAKE MY SOUL
Chapter 5 - A task
O que começou com uma promessa de ser só uma vez, se tornou no mínimo 3x na semana. Jeffrey vem de madrugada e vai embora antes que o sol nasça para não correr o risco de Frank descobrir.
- Achei que você não viesse hoje - Eu disse enquanto abria a porta
Era passado das 2 horas da manhã, Jeffrey normalmente chegava bem antes desse horário, eu já estava dormindo quando acordei ouvindo ele tocar a campainha.
- O dia hoje durou até agora e foi um inferno - Ele respirou fundo - eu precisava ver você - Ele beijou o topo da minha cabeça ao me abraçar
- Você está com fome? Acho que sobrou algo da janta - Fui em direção a cozinha, mas ele segurou minha mão.
- Eu só preciso de você…. E de um banho - Rimos - Me espera na cama?
Sorri concordando com a cabeça e me deitei novamente. Jeffrey tomou um banho rápido e logo se deitou ao meu lado.
- Quer conversar? - Perguntei puxando seu tronco para cima de meu corpo, acariciando gentilmente seus cabelos
- Acho que você já está cansada de me ouvir reclamando desse desgraçado. - Eu neguei com a cabeça e ele continuou - Passamos o dia tentando interceptar um carregamento de drogas dele, mas o desgraçado havia feito duas rotas diferentes e é claro que nós escolhemos a errada. - Ele bufou - Perdemos um dia inteiro além de dinheiro gasto com a operação enquanto ele trazia mais drogas e consequentemente terminou a noite muito mais rico.
- Isso é foda! - Suspirei
- Sabe o que é realmente foda? - Ele se virou para mim - É que eu só preciso de um erro dele, uma única vez que ele pise em falso e eu vou fazer ele pagar por isso, mas as vezes isso parece tão impossível.
- Esse dia vai chegar! - Acariciei seu cabelo - Tem que existir um jeito de você conseguir antecipar os passos dele.
- Eu já estou a alguns anos tentando descobrir esse jeito, querida.
- Se eu pudesse te ajudar..
- Bem - Ele pausou a fala por alguns segundos - Talvez há um jeito de você me ajudar! - Ele pausou novamente e abaixou a cabeça - Mas não sei se você toparia.
- Eu quero muito te ajudar. - Eu disse olhando em seus olhos
- Bem, talvez com você tenha um jeito. Mas, primeiro eu preciso analisar isso direito, ok?
- Eu fico feliz em ajudar no que eu puder - Sorri e ele depositou um beijo carinhoso em meus lábios
- Você se importa se a gente dormir? Eu estou morto! - Ele bocejou
- Claro que não, você precisa descansar - Nos ajeitamos na cama - Boa noite!
- Boa noite, princesa! - Ele me beijou novamente e se virou, logo caindo em um sono profundo
Jeffrey estava realmente tão cansado que simplesmente não conseguiu acordar cedo para sair sem correr o risco de ser visto. Acordamos quase meio dia com o celular dele tocando.
- Porra! - Ele encarou o visor do celular - É o Frank.
Jeffrey atendeu a ligação enquanto já se levantava e se vestia, ele se desculpou pelo atraso e disse que já estava indo para a agência.
- Bom, ele já está lá - Ele riu aliviado - Pelo menos vou ser massacrado apenas por me atrasar e não por estar dormindo com o serviço - Eu ri ao entender que ele estava se referindo a mim
Jeffrey se despediu rapidamente e saiu com pressa. Levantei-me e após fazer minhas higienes, fui direto fazer o almoço. Enquanto cozinhava recebi uma ligação de Anna, coloquei no auto falante para que pudéssemos continuar conversando enquanto eu preparava o almoço. Contei a ela sobre Jeffrey e sobre tudo o que vinha acontecendo nesses quase 4 meses que estou aqui. Desliguei a chamada assim que a comida ficou pronta e almocei bebendo uma taça de vinho enquanto assistia o jornal local. Obviamente o único assunto era sobre Javier Peña e suas operações, eu nunca havia visto seu rosto, os jornais nunca mostravam uma foto sequer dele.
Terminei de almoçar e fui ler um livro, até que recebi uma mensagem de Jeffrey.
Passei o resto do dia fazendo apenas mais do mesmo, fui malhar na academia do prédio, li algumas páginas do meu livro e quando foi 18h40 tomei um banho.
A noite em Santiago fazia frio, então vesti uma blusa de alças vermelha levemente decotada, uma jaqueta de couro e calças jeans também na cor preta, nos pés meu bom e velho vans e deixei o cabelo solto. Fiz uma maquiagem leve porém apresentável e quando foi exatamente 20h Jeffrey me ligou avisando que já estava lá embaixo.
Guardei apenas meu celular, documento e carteira na bolsa e saí de casa.
- Você está linda! - Jeffrey sorriu ao me ver entrando no carro - E cheirosa - Ele cheirou meu pescoço e em seguida beijou meus lábios
- Que bom que gostou! - Sorri de volta
Levamos cerca de 30 minutos até chegar no bar, me pergunto o motivo disso já que haviam tantos bares perto do meu prédio.
- Sei o que está pensando - Ele parecia ter lido meus pensamentos - Mas precisávamos de um lugar longe para mantermos a discrição.
Concordei com a cabeça e assim que entramos no bar, Jeffrey segurou minha mão e me guiou até uma mesa onde já havia uma mulher sentada.
Ela era, bem…. diferente! Era uma mulher ruiva, seu cabelo ondulado ia até metade de suas costas, ela possuía seios enormes que eram claramente próteses e vestia uma mini saia com uma blusinha e jaqueta.
- Helena, quero que conheça Vanessa - A mulher me olhou rapidamente com um leve sorriso falso - Vanessa, essa é Helena! - Retribui o sorriso e nos juntamos a ela na mesa. - Garçom - Jeffrey o chamou - Pode me trazer um copo de whiskey com gelo, por favor? - O garçom assentiu - E você? - Ele virou seus olhos para mim
- Uma cerveja, por favor! - Sorri para o garçom que logo saiu com os pedidos
- Helena, Vanessa é uma…. antiga amiga minha - Jeffrey parecia desconfortável ao explicar e ela riu
- É, antiga amiga - Ela falou ironicamente - Ele me pagava para satisfazê-lo, mas de uns tempos pra cá, somos apenas amigos.
- Ah, entendi, uma prostituta.
- Acompanhante! - Ela me corrigiu e eu deixei uma risada escapar - Qual o problema? - Ela me encarou
- Nenhum. - Dei de ombros e o garçom se aproximou com nossas bebidas
- A questão é - Jeffrey começou a falar após tomar um gole de seu whiskey - Que Vanessa tem um grupo de meninas que fazem esse serviço de… acompanhamento com ela. E muitas dela atendem Peña e seus capangas.
Olhei confusa para Jeffrey, eu realmente não entendi o ponto que ele queria chegar, Vanessa notou minha dúvida e tomou a palavra.
- Jeffrey, eu acho que a garota não entendeu o que você quer - Ela riu - Se você quer que ela faça isso, você vai ter que ser sincero - Ela deu de ombros
- Bem - Ele respirou fundo e pausou por uns segundos, procurando as palavras certas para dizer - Talvez, se você se juntasse a elas, poderia conseguir se infiltrar e descobrir os passos do Peña antes que ele faça, assim me ajudando a prever as atitudes dele.
Eu congelei ao ouvir suas palavras, parecia muita informação pra minha cabeça naquele momento, fiquei em silêncio por alguns segundos até que finalmente consegui elaborar uma pergunta.
- Você quer que eu me infiltre como uma prostituta? - Perguntei incrédula
- Acompanhante. - Vanessa me corrigiu novamente
- Acompanhante - Repeti e rolei os olhos - Eu não sei se posso fazer isso….
- Seguinte - Vanessa voltou a falar após tomar um gole de sua cerveja - Conheço o Peña a muitos anos, sei bem exatamente o tipo dele. Ele é um escroto que gosta de dois tipos de mulheres: As que ele usa somente para sexo e as que ele usa de fantoche.
- Como assim? - Jeffrey perguntou curioso
- Peña separa as mulheres em duas categorias: As que só servem pra sexo, como eu - Ela deu de ombros - E as que ele usa como fantoche. As fantoches são as que acompanham ele, passam dias na casa dele, as vezes até viajam com ele. As fantoches são as mulheres que ele usa como troféu para os amigos e outros traficantes. E você - Ela me olhou de cima a baixo - Você é exatamente o tipo de mulher que ele gosta como fantoche. Você é bonita de rosto, tem um corpão, é loira, tem um olhar marcante, tem presença… As fantoches do Peña são sempre assim.
- Isso facilitaria um pouco as coisas - Jeffrey disse me olhando, mas eu seguia sem conseguir esboçar nenhuma reação
- E atualmente Peña está sem uma fantoche, inclusive já faz um tempo, então assim que ele botar os olhos em você….
- O que aconteceu com a última? - Perguntei encarando o vazio
- Elas viram como eu - Ela riu - Quando ele enjoa de uma fantoche, ela passa a servir apenas para sexo. Não se preocupe - Ela continuou após notar minha preocupação - Em todo esse tempo que eu conheço o Peña, nunca vi ele machucar alguma mulher que sirva a ele.
O silêncio reinou em nossa mesa por alguns minutos enquanto eu ainda tentava abstrair todas as informações que foram simplesmente jogadas em mim durante aquela conversa.
- Bom, eu vou deixar vocês conversarem e vou ao banheiro - Vanessa se levantou
- Você está bem? - Ele alisou minha mão
- Jeffrey… Eu não posso fazer isso. - Minha voz saiu baixa - Não tem como, me desculpa.
- Helena, por favor, pensa bem. Eu preciso muito da sua ajuda - Ele alisou meu rosto - Eu prometo que nada vai acontecer com você e não vai durar muito, eu só preciso que você descubra qualquer plano dele e aí a gente pega ele, está bem?
Pensei por alguns segundos mas aquilo ainda não me parecia certo.
- Além de que - Ele levantou meu rosto, me fazendo olhar em seus olhos - Estando no meio deles, pode ajudar você a descobrir quem fez aquilo com seus pais.- Senti um calafrio percorrer meu corpo - Não foi para isso que você veio pra cá? Esse é o jeito mais fácil de descobrir quem mandou matar seus pais, Helena!
Então tudo mudou. A sede de vingança simplesmente invadiu meu corpo, a vontade de descobrir quem era o responsável pela morte dos meus pais me corroía por dentro e a possibilidade de finalmente conseguir descobrir me fez responder sem hesitar.
- Eu vou!
- Você tem certeza? - Ele perguntou com um brilho nos olhos
- Só me diz o que eu tenho que fazer. - As palavras saiam secas da minha boca
- Conversaram? - Vanessa se sentou novamente a mesa
- Eu vou! - Ela me olhou surpresa - O que eu preciso fazer?
- Bem - Ela tentava entender a mudança da minha postura - Todo final de semana Peña organiza uma festa, nesse próximo você vai comigo. Mas eu já deixo avisado, você não pode negar nada do que te mandam fazer. Nada! - Ela enfatizou e eu concordei - E não seja burra de chegar perguntando sobre o trabalho deles, apenas faça sua parte como uma acompanhante. E eu vou avisar você - Ela apontou o dedo em direção a Jeffrey - Se esse plano der merda e você me envolver pra tentar me foder, eu vou contar tudo o que eu sei. - Ela disse ríspida - Não tenta me foder que eu vou te foder o dobro.
- Você sabe que eu jamais faria algo pra prejudicar você, Vanessa. - Ele disse gentilmente
- Bem, eu tenho que ir - Ela se levantou - Antes do final de semana eu entro em contato. Helena, vejo você em breve - Ela sorriu e saiu
Jeffrey pagou a conta e fomos para o carro, o caminho até meu prédio foi em completo silêncio.
- Você quer entrar? - Perguntei hesitante
- Acho melhor deixar você descansar - Ele beijou o topo da minha cabeça - Eu confio em você, sei que vai descobrir tudo o que a gente precisa saber.
Sorri e desci do carro, ao chegar em casa fui direto colocar meu pijama e me joguei em minha cama. Os pensamentos estavam gritando em minha cabeça, tomei um remédio para dormir com uma taça de vinho e apaguei.
TAKE MY SOUL
Chapter 4 - Never more?
Hoje completa exatamente um mês desde que cheguei no Chile. Foram 30 dias completamente normais, minha rotina consiste basicamente em ficar em casa assistindo tv, ir à academia do prédio e receber Jeffrey e Frank algumas noites para que possamos conversar sobre como está indo as investigações, mas até agora nenhuma pista surgiu. Sob ordens de tio Hank, eu só posso sair do prédio em casos extremamente necessários. Tudo o que eu preciso de mercado e coisas assim, eu tenho que fazer uma lista e entregar para Frank trazer pra mim. Por enquanto isso ainda não me incomodou, mas não sei quanto tempo até eu cansar de ficar somente aqui dentro. As vezes subo no rooftop do prédio para pegar um pouco de sol e aproveito para ler.
Já é final de tarde e eu comecei a preparar o jantar, hoje é sexta-feira e como de costume Frank e Jeffrey irão jantar comigo, mas nós combinamos que nas sextas seria um dia apenas para comermos, bebermos e conversamos sem falar de trabalho.
Lembrei que Frank havia comentado durante a semana que estava com vontade de lasanha e decidi fazê-lá. Enquanto cozinhava lembrei que essa era uma das receitas favoritas de minha mãe e algumas lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. Ainda era tão difícil, eu sinto falta dos meus pais a todo momento. A cada música que eu escuto, cada filme que eu vejo. Tudo me lembra eles. Tudo!
Sequei as lágrimas e respirei fundo, não posso ficar me lamentando, a única coisa que posso fazer para honrar a memória dos meus pais é ser forte e descobrir quem fez isso com eles.
Quando eu ia colocar a lasanha no forno ouvi a campainha tocar. Me assustei ao abrir a porta e ver Jeffrey sujo de sangue.
- O que aconteceu? Você está bem? - Perguntei preocupada
- Não é meu sangue - Ele entrou no apartamento, passando reto por mim e foi em direção ao banheiro - Posso tomar banho aqui? - Ele gritou já adentrando o mesmo
- Claro! - Fui atrás dele - Vou ver se tenho algo pra você vestir.
Ouvi o barulho do chuveiro sendo ligado e fui até meu quarto procurar algo que ele pudesse vestir, mas não encontrei nada a não ser um roupão que provavelmente ficaria pequeno nele.
- Ei - dei duas batidas na porta do banheiro - deixei um roupão pra você em cima da cama.
Não tenho certeza se ele ouviu, mas voltei pra cozinha colocar a lasanha no forno para não atrasar o jantar.
Alguns minutos depois, Jeffrey surgiu na sala vestindo o roupão que eu havia separado. Era extremamente curto, suas canelas estavam completamente de fora e seus braços grandes haviam transformados as mangas do roupão em quase uma regata, além de seus músculos estarem extremamente apertados.
- Bem… - Eu tentei formular uma frase mas ao nos olharmos, acabamos caindo na risada
- Isso tá ridículo, fala sério! - Ele bufou
- Me da suas roupas aqui, vou colocar na lava e seca, no máximo em uma hora você já pode se vestir de novo. - Fui em direção a máquina e coloquei suas roupas
- Eu não tinha noção de que você era tão pequena - Ele se analisou em frente ao espelho
- Ou talvez você seja grande demais.
- Isso nunca foi um problema pra mim. - Ele riu malicioso
Jeffrey foi até a geladeira, pegou uma cerveja e sentou-se no sofá.
- Antes que você pergunte, podemos não falar sobre isso, pelo menos até o Garcia chegar? - Ele me olhou com uma expressão cansada
- Peña de novo? - Ignorei seu pedido
- O dia que eu botar minhas mãos nesse hijo de puta…. - Ele simulou como se estivesse estrangulando alguém e eu gargalhei
- Vamos comemorar muito nesse dia - Fui até a geladeira pegar uma cerveja e a campainha tocou - Tá aberta! - Gritei e Frank entrou, congelando assim que viu Jeffrey sentado no sofá.
- Mas que porra é essa? - Ele gargalhou
- Tivemos um pequeno encontro pacífico com alguns capangas do Peña - Ele sorriu sínico
- Algo que eu deva me preocupar? - Frank retomou a expressão seria enquanto largava a sacola com uma garrafa de vinho na mesa
- Mais do mesmo - Jeffrey deu de ombros - Uma troca de tiros, um dos nossos foi baleado e eu o carreguei até o carro, mas ele já tá bem. Me sujei de sangue e vim direto pra cá, precisava de um banho.
- Você quer alguma roupa emprestada? - Frank abriu uma cerveja - O vinho é pra janta - Ele piscou pra mim e voltou até a sala
- De acordo com a querida aqui em menos de uma hora minha roupa estará seca - Ele me olhou por alguns segundos - Ou foi algum tipo de golpe dela na tentativa de me ver assim por mais tempo.
- Você é ridículo! - Eu ri
Seguimos bebendo e conversando até que o forno apitou.
- A janta está pronta! - Levantei do sofá
- Eu não vou comer assim! - Jeffrey continuou sentado enquanto Frank também levantava
- Que?
- Eu não vou comer sem cueca, porra! Eu não sou religioso, mas eu acho que isso é até pecado.
- Ah, pelo amor de Deus! - Rolei os olhos, mas por alguma coincidência divina a máquina também apitou
Jeffrey se levantou animado e rapidamente foi se vestir, quando ele voltou já estávamos os dois sentados na mesa nos servindo.
- Mortos de fome - Ele riu e se sentou também.
- Ah, meu Deus! - Frank fechou os olhos após a primeira garfada - Helena, isso aqui tá divino!
Sorri em agradecimento e cheguei a conclusão de que a lasanha realmente estava boa pois a janta se seguiu praticamente em silêncio.
- Eu sinto que vou explodir a qualquer momento - Frank se jogou no sofá - Caramba, já são 21h, tenho o aniversário do cunhado da Fátima hoje.
- Quer que eu fique com as crianças? - Me ofereci, Frank tinha um casal de filhos adorável
- Não precisa, eles vão ficar na casa da irmã dela com os primos e uma babá.
Seguimos mais alguns minutos conversando até que Frank tivesse forças para se levantar. Ele agradeceu o jantar e se despediu.
- Bem, ainda tem uma garrafa de vinho quase cheia - Entreguei uma taça para Jeffrey - Me acompanha?
- Eu jamais negarei um convite desses - Ele sorriu
Depois de muita conversa e algumas (ok, talvez um pouco mais do que deveria) taças de vinho, Jeffrey respirou fundo e jogou a cabeça para trás.
- Eu tô cansado! Essa guerra tá cada vez pior, eu só quero acabar com o Peña de uma vez.
- Você vai conseguir - Encostei a cabeça em seu braço
- Já faz tanto tempo, ele tá sempre um passo a frente. Eu só queria um jeito de terminar com isso!
E então um silêncio atingiu a sala, nossos olhares se encontraram e permanecemos assim durante um tempo. Jeffrey lentamente se aproximou de mim e quando eu já podia sentir sua respiração em meu rosto, ele fechou os olhos.
- Se eu pudesse…
Meu corpo se contraiu ao sentir seu hálito de menta misturado com vinho, o álcool em meu corpo já não fazia mais discernimento do que era certo ou errado e naquele momento eu necessitava muito senti-lo.
- Você pode. - Me aproximei mais, tocando meus lábios nos dele
Jeffrey gentilmente passou a mão entre meus cabelos e demos início a um beijo, que de calmo logo passou para desesperado, encostei minha mão em seu rosto enquanto ele enrolava seus dedos em meu cabelo. Nossa respiração ofegante fazia da situação completamente excitante. Jeffrey tirou a mão de meus cabelos e me puxou com facilidade para seu colo. Pude sentir seu membro já duro dentro da calça e rebolei levemente.
- Por favor… - Ele murmurou
Levantei de seu colo e estiquei a mão, o chamando para o quarto. Ele rapidamente levantou e ao adentrarmos no quarto, ele empurrou meu corpo na cama, se posicionando sobre mim.
- Se você soubesse que eu queria fazer isso desde que eu te vi a primeira vez naquele aeroporto - Ele tirou a camisa e eu pude reparar em seu corpo.
Apesar da idade, Jeffrey tinha um peitoral e abdômen definidos, obviamente por conta do trabalho. Seu peito era tatuado e com alguns fios brancos que combinavam com sua barba.
Ele rapidamente retirou a blusa que eu usava juntamente com meu sutiã
- Você é tão linda! - Um arrepio percorreu meu corpo ao senti-lo alisar meus seios.
Respirei ofegante e levei minhas mãos até seu cinto, desabotoando o mesmo.
Levaram-se poucos segundos até estarmos completamente nus, Jeffrey rapidamente se levantou e pegou uma camisinha em sua carteira. Ele retornou para cima de mim e ao fechar os olhos, pude sentir sua primeira colocada. Gemi alto e ouvi ele soltar um grunhido de prazer, levei minhas mãos até suas costas e as apertei com força quando ele começou a me foder repetidamente e com força.
- Se você soubesse o quanto eu precisava disso - Ele repetiu, afundando o rosto em meu pescoço e o cheirando - Você é tão gostosa!
Jeffrey me fodia com vontade, como se estivesse comendo um prato de comida após passar o dia sem se alimentar. Eu simplesmente não conseguia controlar meus gemidos, e aparentemente esse era o objetivo dele ao sorrir me vendo morder os lábios.
- Geme pra mim, princesa. - Ele disse docemente em meu ouvido
Senti um gemido alto quase como um grito escapar de meus lábios e apertei suas costas com força, quase arrancando um pedaço ao sentir ele aumentar mais ainda a força.
- Isso, me faz gozar pra você. - Ele me beijou
Levei minhas mãos até seus cabelos e os puxei com força, o fazendo soltar um gemido e morder levemente meu pescoço.
Jeffrey mais uma vez aumentou a força e eu pude sentir seus músculos se contraindo em cima de mim. Um gemido alto anunciou seu orgasmo e ele então relaxou seu corpo por cima do meu.
Depois de alguns segundos de descanso, Jeffrey rolou ofegante para o meu lado na cama e me colocou deitada em seu peito.
- Ninguém pode saber disso. - Ele tentava sem sucesso controlar sua respiração
- Não! - Concordei
- Vai ser só dessa vez. Não vai acontecer mais.
- Nunca mais!
E aconteceu. No outro dia. E no dia seguinte. E na semana seguinte. Mais de uma vez.

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