Narrativa de desabafo
A noite ia bem. As luzes da praças se acenderam no momento em que eu atravessava a estação, caminhando levemente enquanto sentia as moléculas de álcool se dissolver em minha corrente sanguínea, e o eco daquela conversa rápida e profunda com o senhor filósofo-teólogo que há pouco teria me parado.
Estava indo tudo bem.
O tempo ameno, o dia leve, o humor estável.
Caminhei pela rua, troquei sorrisos por trás das máscaras e olhares através delas.
Experimentei entrar no bar underground apenas para desfrutar de seu banheiro desconstruído, sem consumação.
Troquei idéias e descobri ideais.
Experimentei cerveja vegana e fumei uma planta que me elevou para níveis mais altos do que aqueles que ja me encontrava.
Senti. Sorri. Vivi.
Tudo estava indo bem. Até que não mais.
Eu deveria saber que, em meio à brisa fresca, aos sorrisos fáceis, e a leveza do sentir, sempre tem uma barreira.
Barreira disfarçada de porto.
Aquela que bate a face e sai em pedaços. Sem esperar. Sem imaginar. Apenas partes de si restaram.
E a volta foi triste, sem vida, sem animo, sem luzes.
Entre tantos protegida, porém, poderia ter tido outros fins...












