Não sou exatamente a pessoa mais extrovertida do mundo, muito embora faça parte de um grupo de amigos com 8 integrantes e converse com grande maioria da sala, na verdade me considero bastante introvertida, faço piadas e converso, mas fico boa parte do tempo calada, em geral apenas anotando a aula, lendo ou vagueando pelo twitter.
Essa forma de agir sempre me foi absurdamente natural, por isso a vida toda simplesmente acreditei que isso se devia a minha timidez, introversão e falta de habilidades sociais (com sinceridade, nunca fui de ter muitos amigos e muito menos de conversar tanto, além disso sou exatamente aquela pessoa que precisa treinar como falar um "oiii, boa tarde" e quando a conversa passa disso começa a suar de nervoso), contudo recentemente fui confrontada por uma percepção e também pela vergonha de nunca tê-la considerado ( logo eu, investigativa de minha própria personalidade !!!).
Enfim, percebi que sou uma menina surda de 16 anos (fato que, pasmem, me esqueço com bastante frequência) e uso aparelhos auditivos desde os 5 anos. Essas estruturazinhas biônicas (e lindas) me permitiram não apenas descobrir o sonoridade, como também me concederam a dádiva de crescer com ela, quase como uma ouvinte. Mas que eu seja honesta, sou uma adolescente com surdez moderada severa, Então, sim, aparelhos auditivos são meus pequenos milagre pessoais (e como deficiente auditiva, são, para mim, uma das coisas mais brilhantes e emocionantes já inventadas), entretanto, apesar disso, eles não são perfeitos. Percebo com bastante frequência a naturalidade com a qual meus amigos conversam em ambientes mais barulhentos, falam ao cochichos e todos entendem tudo (como eles conseguem ????), tal naturalidade me é completamente estranha, então no decorrer de seus diálogos só ouço fragmentos pequenos do que dizem (e cansa pedir que cada fala seja repetida uma, duas, três vezes), assim, para mim, não há nada a se fazer além de permanecer quieta, falando apenas algumas ocasionais vezes.
No fim das contas, confundi meu auto isolamento como introspecção total porque amo estar sozinha, mas a realidade era, em parte, que simplesmente me sinto desconfortável em não ouvir quando todos ouvem, não gosto de pedir que repitam cada palavra e tenho medo de me tornar um fardo na conversa. Tal entendimento ( talvez equivocado, talvez correto) se sobrepôs ao fato de que sim, apesar de introvertida e tímida, eu amo conversar com meus amigos e me divirto com seus diálogos (quando os entendo, é claro), isso é tão fato que quando minha amiga senta atrás de mim, ato que permite uma conversa razoavelmente entendível, eu não calo a boca e quando revejo a minha melhor amiga eu também não calo a boca ( apesar que depois disso eu me sinto bem cansada).
Ps: quando tem barulho também não gosto de conversas entre muitas pessoas porque preciso me apoiar na leitura labial para entender e eu fico com torcicolo tendo que virar a cabeça para cada pessoa falando (e eu odeio torcicolo então desisto da conversa).