Quando passa o sucateiro
Você barulho de ventilador, eu latido de cães. Você abrindo uma casa de chás e eu ainda aprendendo a fazer pães. Quando paro e penso, percebo e vejo que estou mais distante que nunca de ti. E pelo andar da carruagem receio de você ainda mais se distanciar e nunca chegar aqui.
Eu sou perdido no tempo e nele nunca me encontrei. E você está sendo levada por ele, pois afinal, de todos nós ele é rei.
Um dia você vai conseguir voar com a mais fraca brisa rebatida desse seu ventilador. E eu vou ficar contando quantos latidos dão os cães quando passa o sucateiro, sempre perdendo a conta e tentando encontra-la embaixo de meu cobertor.
Aliás, esse sucateiro muito me admira, pode estar caindo a maior das tempestades, ele não cessa sua busca de todo santo dia: resgatar e reciclar os restos de outro alguém, pois ele sabe dar valor as coisas que esse alguém tratou com desdém. E um dia, esse sucateiro me viu levar o lixo, me viu e me chamou com um singelo sorriso: — Ei, menino! me avise quando você for jogar fora isso, tem muito o que se aproveitar aí. — Isso o que? — perguntei sem entender. — Isso! — Ele respondeu apontando para o centro do meu peito, com o indicador. Acho que estava falando de meu coração e da gigantesca paixão que carrego por ti e que faz ele inflar e parecer grande pra quem sabe enxergar. Coitado, eu sei muito bem que ele aproveitaria da melhor forma o restinho de nosso amor, talvez transformaria em outro, pra alguém necessitado. mas mal ele sabe que isso aqui eu nunca vou jogar fora.
É que apesar do excesso de carbono, andam frios os tempos. E o amor que me dá, consegue aquecer todos os meus mais congelados sentimentos.









