O Iluminado, de Stephen King: é o hotel, ou é o Jack?
Stephen King escreveu O Iluminado em 1977, mas este foi um ano difícil para o autor, como ele vem a revelar tempos depois, aquela foi uma época em que ele passava por graves problemas de dependência química. Aliás, foi nessa época e passando por estes momento difíceis que King escreveu muitos volumes da sua aclamada carreira, mesmo que tenha usado sombras da sua vivência na história.
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ENREDO:
Jack Torrance é escritor, marido, alcoólatra em recuperação e pai de um menino com um dom estranho (eles não sabem ainda). Aceita o emprego de zelador de inverno do Hotel Overlook porque precisava: foi demitido do trabalho anterior. Ele, a esposa Wendy e o filho Danny ficam isolados pelos meses de neve no hotel. Porém, o hotel tem história e presença, Danny é um garotinho de cinco anos que consegue sentir as duas coisas com uma clareza que assusta os adultos.
O Iluminado é o terceiro romance de King foi publicado dois anos depois de Carrie e Salem's Lot e é onde ele (King) para de escrever sobre monstros externos e começa a escrever sobre o monstro dentro de casa.
King não te assusta com o hotel de uma vez, primeiro ele te deixa dentro da cabeça de Danny. Por sua vez o garotinho é uma das mentes mais poderosas que o Hotel Overlook já tentou consumir. O dom que dá nome ao livro — o Iluminado — não é uma habilidade vaga no menino, tratam-se de premonições concretas e detalhadas, telepatia real, a capacidade de ver. Atrelado a Jack, a primeira grande âncora e um prato principal do hotel pelo seu temperamento e sua empatia com a ruptura, tal como Danny sabe o que o pai sente, o hotel também sabe. Dany carrega em silêncio seu próprio sentir e do do pai e o que tem visto ali a principio, porque parece ter aprendido cedo que os adultos não querem ouvir o que ele vê. E aqui entra Tony, este é o amigo que Danny tem desde pequeno, não é uma voz imaginária é uma projeção física do próprio Danny adulto. O nome completo de Danny é Daniel Anthony Torrance e Tony, Tony é ele mesmo; uma versão futura de si mesmo mandando avisos para trás no tempo.
Quando o hotel se torna insuportável, Danny usa o dom para mandar um grito de socorro e é essa é a escala do poder que o Overlook quer absorver, porque o hotel não quer Jack Torrance, ele quer Danny, Jack é a ferramenta, uma perfeita.
Se você acompanhou as últimas entrevistas da atriz que interpretou Wendy antes dela falecer, precisa também saber - caso não tenha lido - que Wendy Torrance no livro não é a figura que o cinema consagrou. Pelo contrário - excelente contrário - ela é ativa, corajosa, determinada. Exatamente o tipo que percebe que algo está errado antes de ter provas e quando a situação escapa ao controle, ela não espera ser salva, ela age e tenta proteger Danny com tudo o que tem, para mim ela é o pilar que mantém a família em pé enquanto o marido infelizmente afunda.
Jack Torrance é um pai que ama a família, ele luta contra o alcoolismo, mas também carrega o trauma de ter sido espancado pelo próprio pai quando criança e internamente teme repetir o que viveu. Anos antes dos eventos do hotel, Jack vivenciou o dissabor do que seu trauma quando foi o ator do trauma físico de Danny.
King descreve o som como o de um galho seco se partindo. -
Jack sabe o que fez com o filho, sabe como é e convive com isso todos os dias, mas é importante dizer que o hotel não encontra um monstro em Jack, ele encontra um homem em sofrimento e é nesse ponto rachado que ele preciosa até quebrar Jack e o usar como caminho de acesso até o filho. A deterioração de Jack é o coração trágico do livro: um homem que ama o filho sendo manipulado a tentar destruí-lo, porém no momento mais alto da tragédia, Jack ainda encontra, por um instante, a força de ser pai.
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E aqui que a gente entender o motivo de King não gostar da adaptação, mas também entende que o que Kubrick fez chamou audiência e tomou a frente para responder a pergunta.
O livro nunca responder diretamente, mas ele da contexto, coloca ingredientes na massa de Jack e solta piscadelas aqui e ali que fazem muito sentido se você ler algumas entrevistas de King, ou sites que afirmam ser entrevistas dele, sobre como o processo da época de escrita deste livro.
Uma pergunta clássica que fica: é o hotel, ou é o Jack?
No filme, a resposta é: era Jack. Sempre foi Jack.
No livro, a resposta é mais cruel e mais trágica: é o hotel, mas é o hotel usando o Jack para destruir o próprio filho.
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Alguns veículos de comunicação divulgam a nota de que King escreveu esta historia em épocas em que estava dependente químico e tinha medo de perder o controle frente a sua família… o próprio autor - e aqui voltando as frases iniciais - já comentou sobre a dependência química, mas esta outra linha eu ainda não confirmei. Embora, se olharmos para Jack Torrance, um homem tentando lidar consigo mesmo, com os agravantes de seus vícios e com uma família em busca de salvação, nós entendemos precisamente a mensagem de medo e angustia que King constrói em O Iluminado LIVRO quando Jack tentar lutar contra o poder do hotel e salvar Danny.
RATING: 💀💀💀💀 (4/5)
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Juba Oliveira - Biblioteca de Pandora
















