Caralho (o adjetivo de intensidade)
São as caralhas aladas de 04:07AM e eu não dormi ainda porque, finalmente, foda-se tudo. Sem mais lágrimas, leves depressões, arrependimento e melancolia. Bom, quase.
Eu digo que sou grosso, chato, e que infernizo todos os amigos que tenho, mas quem disse que eles acreditam? Agora deve tá lá, dormindo (ou acordado também, espero, porque sou bem egoísta e nos conhecemos há dias), sonhando com qualquer coisa. E ainda sim ele parece perfeito - mesmo eu tendo a crescente sensação de que estou me “jogando de um precipício direto para o mar” mais do que ele. Meu Deus, eu não achava há uns 7 anos que ser adolescente iria ser, em parte, um saco. Relacionamentos românticos são maravilhosos, me apaixonar é maravilhoso, e chegar ao ponto de amar alguém é mais do que isso; é maravilindo. Mas os medos são terríveis. E a timidez pior ainda, porque não posso dizer quais são meus medos se tenho vergonha de tê-los. Principalmente, de tê-los por causa dele.
O que, convenhamos, é escroto pra cacete.
Até agora, eu só tenho reclamado, tanto aqui quanto em outros aplicativos. E inclusive eu me desculpei por isso, e se eu conheço ele bem (porque me conheço razoavelmente), ele deve ter pensado “Ok, que porra tá acontecendo aqui?” e depois criado várias paranóias e ido dormir. Daqui a pouco, na verdade, daqui há uns poucos-mais-ou-menos-muitos dias eu vou vê-lo. E é por isso que estou reclamando incansavelmente; eu tô nervoso! Ele vai levar amigos. Eu vou levar uma ( uma, unidade única) amiga - porque a outra vai me espancar de Santa Catarina - que por acaso é minha mãe, e com toda a certeza eles vão virar melhores amigos de infância. E eu vou pagar mico. E os amigos dele vão rir, não por serem as crianças que roubam o dinheiro do lanche das outras, mas por eu ser atrapalhado, desastrado (é um sinônimo?), nervosamente gago e circunstancialmente portador de Parkinson. Ele vai dar uma desculpa e me tirar escondido pra um lugar onde vai me beijar. E eu vou mentir pra minha mãe, e ao mesmo tempo me sentir o melhor e o pior dos seres humanos. Eu tô assustado.
Sinceramente várias coisas em nós me assustam: por exemplo, ele é mais baixo. Eu sou mais chato. Ele é mais descolado. Eu sou menos tímido. Ele é menos medroso. Eu sou mais cuzão. E é óbvio que, neste exato momento, estou fazendo cuzãozisses - ficando com medo! Ciúmes! Excitação! Nervosismo! - e deixando elas me levarem. E eu…acho que levei todo esse tempo pra dizer que, mesmo sem ter começado, eu já estou com medo de estragar tudo outra vez. De acabar com tudo - nossos corações, quero dizer. De quebrar o dele, como fiz com o do Alec. Tô com medo de me magoar magoando ele, deu pra entender? Tenho medo de ele ser como o Pedro e eu acabar entendo perfeitamente minha 2a melhor amiga no mundo. Tenho medo de ele ser como os caras por quem minha mãe se apaixona, tenho medo de nunca mais confiar em ninguém, tenho medo de ser uma decepção. De novo. De ser, outra vez, uma pessoa antiempática que não consegue pensar em como os outros se sentem quando ela esmigalha as poucas ou muitas coisas boas deles. Na verdade, eu tenho medo de me sentir como um monstro. Ou como o brinquedo de um.
E tudo por causa de um novo crush.
Eu sou um grande e espetacular idiota.
P.S: e sim, eu gosto. Porque é por ele.



















