Dessa Vez Sou Obrigada
Hoje estou falando tanto que minha garganta até secou.
Ontem comecei a dobrar a dose do meu remédio, assim como a psiquiatra orientou.
Tenho percebido que estou mais tranquila em relação aos meus pensamentos, mas ainda agitada no corpo. Não tive nenhuma crise psicótica, mas, hoje, quando vi meu mini jardim todo revirado, com as coisinhas fora do lugar, sem minhas mudinhas que deixei crescer num lugar específico e meu enfeite que minha mãe me deu quando eu era jovenzinha desaparecido, tive muita raiva. Aconteceu uma visita aqui em casa enquanto eu estava fora reencontrando meus amigos que não via há anos, e havia uma criança destruidora de mini jardins nesta humilde residência. Meu pai que é muito inconveniente, ofereceu para mãe da criança levar meu enfeite. Minha mãe frisou que era meu e que ela não poderia opinar. Resultado: meu jardim está destruído, sem mudas - porque as levaram - e sem meu enfeite que marcou um fase específica da minha vida. É um enfeite que, absolutamente, não é recomendado para crianças e, provavelmente, será descartado posteriormente pelos pais. No local em que ele estava, completava uma história e retratava um objetivo. Por isso fiz caminhos com Pedrinhas Brilhantes escolhidas uma à uma e que agora estão misturadas na terra.
Meu ódio não surgiu devido à uma criança inocente estragar meu jardim, mas sim ter tido um espaço totalmente invadido, tanto pelo meu pai, quanto pelas visitas. Estou esperando meu pai chegar, pois ele precisa saber que eu não gostei do que ele fez.
Isso aconteceu no domingo e hoje é terça, significando assim, que não tenho saído tanto para visitar minhas filhinhas; ou já teria percebido o terremoto. Foi um sinal e já entendi, tenho que mudar. Inclusive tenho que cumprir a promessa que fiz para minha mãe, de entrar na casa do meu vô essa semana. Tenho até sábado.
O fato é que, desde sempre, eu odiei que mexessem em minhas coisas sem minha autorização. Sempre dei pití por causa disso. Quem me conhece me respeita, porém os de fora, que são os que mais faço questão que permaneçam longe, não. Daí os de casa deveriam colaborar para que não invadissem os pequenos e poucos espaços que, teoricamente, possuo aqui nessa casa.
Me deu desgosto quando vi meu jardim naquele estado. Uma sensação de que as coisas que penso sobre mim, as vezes, são muito corretas. Minhas intervenções rendem pouco e não duram, sequer, algumas alcançam seus alvos. Parece que morro no caminho, durante tudo o que faço.
Posso mudar meu ângulo de visão e tentar enxergar outras mensagens nessa história de um domingo doido, mas a que recebi até agora foi sobre minhas ações não irem para frente e não ser respeitada.
Conversei com minha psicóloga sobre meu recém nascido TOC em organização. Ela comentou que parece ser uma tentativa minha de organizar meu interior. Concordei com ela e disse que já pensava assim. Meu sentimento é este e, quando não consigo chegar ao final, me encaro como uma derrotada. Pesado mas é fato.
Eu me cobro tanto que acabo me atrapalhando dentro das minhas próprias exigências e depois olho pra cima e vejo que, na verdade, sou uma mini pessoa, num jardim gigante e destruído, com insetos devoradores de energia, foco e de força.
Quase falei com minha psicóloga sobre meu diário, quando ela me perguntou se eu tinha redes sociais, devido ao assunto ocupação profissional/ profissional liberal e afins. Ainda bem que não falei! Vai que um dia eu queira falar uma mentirinha? Não vai ter jeito!
Enfim, meu próximo passo será me ocupar com produção de plaquinhas com a frase “NÃO MEXER AQUI SEM MINHA AUTORIZAÇÃO”. Porque o ser humano não é inteligente o suficiente para entender que cada um tem seu espaço pessoal, este não deve ser invadido. Como o desconfiômetro de muitos não funciona, ou sequer existe, tenho que sair do modo convencional e fofinha e me tornar a chata, a estressada, a louca e mais o diabo à quatro. E mais uma vez entra meu pensamento que virou filosofia de vida: tudo o que eu queira fazer, antes tenho que pensar nos outros e me limitar? Não! Fókiú!
Bora fazer artesanato, porque dessa vez sou obrigada.
- APSF.










