Se plante!
Em meio ao eco de vozes desconhecidas Eu busco a minha voz: Silenciada. Fragilizada. Pelos gritos desesperados de quem pensa que falar alto é vencer.
Em meio a prazos E providências E reticências... Eu perco o fio da meada de mim. E desconheço completamente Sobre o meu papel aqui.
Eu paro o mundo por um segundo, em sonho. Um segundo apenas. De silêncio para eu escutar a mim. Não é que algo me afete diretamente.
Tudo me afeta. De todos os ângulos. Completamente. E esse bombardeio de sentimentos e conselhos e opiniões me destrói por inteira.
É absurda a violência com a qual o mundo me arranca de mim.
Antes me plantar os pés e as mãos E o corpo inteiro. Antes fosse uma possibilidade literal!
Transmutar-me em árvore no quintal da casa de Manoel de Barros e respirar apenas poesia e traquinagem de criança.
Sem prazo pra vencer. Júlia






