Há pouco tempo na nossa história, para expressarmos nossa admiração por uma pessoa que brilhou em nossos olhos, tínhamos de escrever cartas, selá-las, postá-las e esperar que fossem lidas. Era um exercício!
Esse tempo de espera nos convidava a pensar, criar e desfazer fantasias, inventar novas, sonhar, amadurecer as ideias, crescer. Até a chegada de uma resposta.
O tempo passou como um flash e hoje temos estabelecido um padrão quase que mandatório a ser seguido quanto a responder algo a alguém. E raramente alguém nos escreve um texto conciso, pensado, organizado, cujo tempo dispensado foi usado com energia e dedicação, como nos exigiam as cartas. O que recebemos são pedaços de pensamento via mensagens instantâneas. São fragmentos de ideias. Recortes!
Tão triste nos relacionarmos dessa forma! Tudo bem não ser uma redação, mas penso que se dedicarmos um pouquinho a mais de tempo escrevendo uma ideia completa do que queremos dizer, os encontros possam ser mais substanciais e os conflitos cairão aos montes!
Com essa nova ordem, estamos nos relacionando com uma sepulcral imaturidade. Já prevendo um fim breve para o romance. Escrevemos algumas “amostras grátis” do que pensamos; já certos de que virá logo uma resposta, para que aí sim, escrevamos mais, daí vir outra resposta. E assim, o ciclo segue por dezenas de minutos! O que não é gentil com nossos sentimentos, nem saudável para digestão do que está escrito, mesmo que em poucas palavras. Menos ainda para nossa construção enquanto seres com independência emocional.
É bom pensarmos que tipo de atitude e postura de mente queremos encontrar. No espelho e no mundo!
Fonte: inefavelrocha.wordpress.com