quando eu vi essa imagem no twitter me senti contemplada. não por ser um pensamento ou sensação cotidiana que você se identifica e pensa “é, sempre tenho essa sensação”. me remeteu a uma situação específica. nas férias, viajei com o pedro e com a família dele pra santa catarina, para as cidades de balneário da penha e de balneário camboriú. na maior parte do tempo era aquile idealizado turismo comercial, e apesar de não ser exatamente o que eu escolheria, não tenho do que reclamar - só a agradecer, na verdade -. no entanto, existiram momentos pontuais, em que as coisas aconteciam de um modo significativo e eu sabia o quanto significava. era quase como se meu espírito saísse do meu corpo pra assistir o momento e sentir falta enquanto ainda acontecia. sentir isso foi entre ser angustiante e surreal. a memória mais nítida que eu tenho foi da primeira noite no hotel. eu acordei de madrugada sem lembrar onde eu tava e com muito frio - inverno sulista -. me dei conta de que o pedro tava ali, comigo, e isso nunca tinha acontecido antes; nunca tinha acordado e tido ele simplesmente do meu lado. ele também por acaso - conexão - acordou no instante em que eu me dei conta disso tudo. a gente levantou e foi pra varanda. a varanda era de tijolinhos e tinha uma sacada de madeira azul. enquanto nós conversávamos saía fumaça da nossa boca, a noite era muito escura e o papo durou umas meia hora na minha cabeça, talvez tenha sido mais. voltamos pro quarto. eu conto isso agora, mas não lembro porque a gente levantou, nem o que a gente conversou. é como se eu pudesse assistir a isso agora com a mesma nitidez que eu vivi, mas quando de fato eu vivi, eu já tinha a sensação de ser uma memória distante. já tinha a consciência de que em breve ia ser só uma lembrança. foi angustiante achar que não tava totalmente ali e não estar aproveitando e sentindo o máximo daquilo - meio clementine mesmo -, porque eu senti o tempo como ele é e o quanto ele se esvai. mas em paralelo à angústia, também senti que eu nunca senti tanto na vida. foi o tipo de coisa que quando acontece, você sente que viver essa vida vai bastar. se você for uma pessoa além de mim e estiver lendo isso, provavelmente, vai achar banal, que não é pra tanto, mas eu discordo. não sei explicar o porquê, nem o grande sentido epitafista disso. só foi. não tem muita importância porque a gente levantou, nem o que a gente conversou, mas fico feliz por ter acordado e podido perceber a sorte que eu tinha. eu tava ali e só. não queria mais nada, além de que o dia não chegasse. foi estar em paz e eu sabia disso.
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