Encarou a jovem de cima a baixo, sem a menor discrição. Praticamente falando, a diferença entre os três e dois em Illéa não eram tão impactantes quando a caixa mais baixa tinha o mesmo tanto ou ainda mais dinheiro que a outra. E Calliope era, sem dúvida, herdeira de uma generosa riqueza que a colocava em um patamar equivalente a qualquer detentor do posto de dois. Ainda sim ---- bem, ela não era uma dois. Era uma três. E tecnicamente, encontrava-se abaixo da jovem que agora encarava de forma que alguém que visse de fora poderia muito bem pensar ter assassinado um de seus familiares. Mas ah, não, Condessa Moon colocava algo muito mais importante para Callie em jogo naquele momento. Já não era surpresa para qualquer um no reino que a jovem bonita de casta tão alta estava destinada ao posto de uma das favoritas, e estando em contato direto com inúmeros meios de mídia, Bellevue tivera aquela certeza em primeira mão. O alvoroço (desnecessário, a seu ver) parecia muito se dar ao estilo e beleza impecável da jovem, então... por que não testar o quão frágil era aquela imagem? Foi com todo o talento herdado da mãe que, de forma teatral, aproximou-se da garota no mesmo instante que o fotógrafo caminhava pelos jardins. A culpa recairia sobre as sandálias, mesmo que com a devida quantidade de oxigênio e água, Calliope poderia subir o monte everest de salto alto. “Céus! Sinto muito, querida!” Pediu, no instante que todo o suco de frutas vermelhas caíra sobre as vestimentas de tom claro da garota. “Já é a segunda vez que tropeço neste piso” Não era bem uma mentira ----- mas nenhuma das duas vezes havia sido um acidente. De todos os seus defeitos, desastrada não era um. “Acho melhor jogar um pouco de água. Poxa, será que suco de amora mancha fácil?”
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