Encontro das minhas duas avós: Afonsina e Maria Amélia, respectivamente.
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Encontro das minhas duas avós: Afonsina e Maria Amélia, respectivamente.

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Rios Cobra - pai
É muito estranho passar para o estágio de contar a história do meu pai, uma vez que é uma história que é construída diariamente, não acabou e não há de acabar tão cedo, assim espero. Outro fator que traz estranhamento é o fato de eu conhecer essa história muito bem, diferentemente das outras histórias aqui contadas. Assim, mesmo com esse estranhamento, começo a contar a história do meu pai, João Carlos Rios Cobra.
Nascido em Pouso Alegre - bem como o resto da sua família -, meu pai é o mais novo de quatro irmãos, uma irmã mais velha, dois irmãos gêmeos e ele. Ele conta como desde criança preferiu atividades mais solitárias, ou sozinho ou com poucos amigos, evitando esportes, especialmente aqueles que envolviam esse entrosamento de equipe - característica essa que pareço ter herdado dele. Ganhou gosto por desenhos e, mais tarde, pela pintura, atividade que desempenhou - e muito bem, ouso dizer - até a sua juventude. Outra atividade que desempenhou ferrenhamente foi a sua coleção de selos. Abaixo é possível ver alguns de seus quadros.
Ao longo da entrevista, meu pai contou várias histórias da sua infância, mas uma dentre todas me chamou a atenção e pensei em transcrevê-la, uma vez que essa história para mim é muito marcante, porque o meu pai já me contou essa história diversas vezes.
“[Eu tive uma] professora que não tinha filhos, e o marido dela assinava um jornal - Folha de São Paulo, Estadão, algum desses jornais de ponta - e todos os dias vinha um suplemento para crianças e ela, dando aula para crianças, cada dia da semana levava aquele suplemento diário do jornal e dava para uma criança, pegando pela lista de chamada. (...) Eu sei que em junho, no final de junho, acabavam as nossas aulas, a gente ia entrar de férias e voltava em agosto e o meu colega anterior era o último a receber o suplemento - folhinha, não sei, tinha o Cebolinha, era muito bonitinho - e eu [pensei] puts, o meu colega foi o último, mas pelo menos quando voltarem as aulas eu vou ser o próximo. A hora que a gente voltou de férias, ela voltou a distribuir, mas não se lembrou aonde que tinha parado e começou do número 1, e eu fiquei sem o meu jornalzinho porque era muito tímido e fiquei com vergonha de falar para a professora; fiquei muito triste por muito tempo por causa daquele jornalzinho.”
Meu pai conta, então, a sua trajetória pelas diferentes escolas de Pouso Alegre, começando pela Escola Estadual Monsenhor Mendonça - que, pelo que entendo, hoje em dia é uma pré-escola municipal -, passando pela Escola Estadual Professor Joaquim Queiroz e, por fim, Escola Estadual Doutor José Marques de Oliveira, conhecida na cidade simplesmente como Estadual - que tinha um exame de seleção muito severo. Hoje em dia, ele acredita que não teria passado nesse exame, porque, apesar de ser bom aluno, o exame era muito rigoroso. Entretanto, descobriu depois que o seu pai era ex-combatente, quem serviu na 2ª guerra mundial, ele explica. Nesse momento fico muito em choque e o meu pai explica como que as coisas aconteceram, que o meu avô estava em Juiz de Fora, pronto para servir, quando ficou sabendo que a guerra tinha acabado. Como seu pai era ex-combatente, meu pai conseguiu entrar nessa escola com mais facilidade. Depois da 8ª série, passou a estudar no Colégio Pouso Alegre, cujo proprietário era um parente do meu pai - inclusive, o prédio em que funcionava esse colégio era a antiga casa da bisavó do meu pai. Estudou lá no 1º e 2º anos do Ensino Médio e depois fez o 3º ano integrado com o cursinho Anglo. Seu objetivo era passar no vestibular de medicina, mas como estava muito difícil e acreditava que não fosse passar, acabou, por incentivo do irmão, indo estudar direito na Faculdade de Direito do Sul de Minas. Inclusive, dessa desistência há uma história muito marcante para meu pai e também para mim, que ouvi-a diversas vezes. Meu pai conta que o dia que contou para a sua mãe que havia desistido de cursar medicina ele se lembra que ela estava passando bife e as suas lágrimas caiam na panela.
Depois de ter saído da faculdade, estudou para concurso durante uns três anos - tendo morado em São Paulo, até, para estudar. Tinha até passado em um concurso para delegado, mas não passou no exame médico e teve que continuar tentando. Conheceu a minha mãe em uma danceteria/discoteca da cidade, o Maracanã. Começaram a namorar e, conforme o tempo foi passando, ficou incomodado com como para os familiares e amigos da minha mãe ele “só estudava para concurso” e decidiu abrir um escritório de advocacia com o seu melhor amigo da faculdade. Aos 26 anos, passou em um concurso em São Paulo, onde morou durante dois anos e oito meses. Conseguiu, então, passar em um concurso em Itajubá e depois pediu remoção de Itajubá para Pouso Alegre, com o cargo que exerce até os dias de hoje. Sobre esse cargo, gosto de lembrar de uma história que, apesar de meu pai não ter contado na entrevista, fica sempre comigo, porque já ouvi diversas vezes e é muito marcante. Meu pai conta que quando foi fazer a prova desse concurso o seu sobrinho lhe questionou sobre o porquê iria sequer fazer a prova, porque havia apenas uma vaga - ao que o meu pai respondeu:
“(...) Helder, eu só preciso de uma vaga.”
Abaixo, diversas fotos do meu pai, dentre elas uma identidade escolar, fotos 3x4 de quando era criança e jovem adulto, outra foto da sua juventude e, por fim, uma foto do seu casamento com a minha mãe - foto essa que faz o link para o próximo assunto que vou abordar no blog, a família da minha mãe.
Rios Cobra - avô e avó
Seguindo a linha de descendentes da minha família, o próximo galho da árvore genealógica seria o dos meus avô e avó - parte que sinto que vou conseguir contribuir mais, uma vez que, mesmo não tendo conhecido o meu avô e ter perdido a minha avó quando tinha uns cinco anos, me lembro de histórias sobre os dois.
Assim, meu pai retoma a história da sua família dizendo que João de Barros Cobra, meu avô, era muito querido pela sua família e era também muito inteligente. Aí surge, em mim, uma dúvida a respeito da escolaridade da minha família, fomentada principalmente por uma discussão que vi na internet sobre como quem teve os avôs e avós letrados são privilegiados - o que é uma realidade importante de ser reconhecida. Fico sabendo, então, que meus bisavôs e bisavós não foram alfabetizados, mas meu avô e avó, sim. Inclusive, meu avô quase completou o ensino médio da época! O que é ainda mais impressionante quando levamos em conta que ele tinha, por exemplo, aulas de latim e francês no colégio.
Saltando no tempo, meu pai conta a respeito dos trabalhos que o meu avô desempenhou ao longo da sua vida. Algum tempo antes de se casar - acontecimento que se deu quando ele tinha 33 anos - ele tinha uma olaria, uma pequena fábrica de tijolos.
Ele abandonou esse trabalho e passou, então, a criar porcos, dentre outros bicos, como vender bambu. Posteriormente, vendeu uma charrete e, com esse dinheiro a mais, conseguiu comprar a primeira casa que mais tarde alugou. Depois dessa, vieram outros imóveis que o mantiveram até o fim da sua vida.
Afonsina Rios de Barros, minha avó, percebi ainda mais com esse trabalho, foi uma mulher muito inovadora, independente e, com certeza, incrível! Por volta dos seus quinze, dezesseis anos foi copista - na época não utilizavam-se máquinas de escrever, era tudo escrito a mão em atas que iam, então para livros gigantescos - no fórum da cidade, emprego esse que conseguiu através de um tio que era juiz e devido à sua caligrafia.
Depois de sair do fórum, sem nem ter dezoito anos ainda, trabalhou em uma escola de datilografia como orientadora. A marca Remmington era a utilizada na escola e, em uma das visitas do representante da marca na cidade, minha avó perguntou ao vendedor como ela poderia abrir ela mesma uma escola de datilografia. Ele lhe disse que não poderia montá-la em Pouso Alegre, porque a marca era exclusiva da escola da Dona Eurídice, mas sugeriu que ela procurasse abrir essa escola em uma cidade próxima e muito próspera, Santa Rita do Sapucaí - hoje em dia um polo tecnológico -, onde de fato decidiu criar a sua escola, em uma das salas da Escola Estadual Sinhá Moreira (foto achada na internet abaixo). Logo em seguida também trouxe o convite para a formatura da minha avó em datilografia - o seu é o primeiro nome.
Outra coisa incrível sobre a minha avó é como, por volta dos dezoito, dezenove anos, decidiu ir para Campinas. Lá, arrumou onde morar e trabalhar e depois voltou para Minas Gerais para trazer toda a sua família, principalmente os irmãos - alguns deles chegando, até, a ficar na cidade até o fim da suas vidas.
Para finalizar o post, abaixo coloquei fotos do casal!
Rios - bisavô e bisavó
O post a seguir é, como o anterior, um recorte da entrevista com o meu pai. Dessa vez, no entanto, veremos um pouco sobre a família da minha avó paterna, os Rios.
Vocês se lembram que o meu pai disse que só conheceu o seu avô materno? Então, aqui vou falar um pouco sobre ele. Na verdade, meu pai não tem muitas lembranças dele, já que ele morreu quando o meu pai tinha por volta de cinco anos - mas, como no caso dos Cobra, ele sabe de histórias sobre seu avô e avó maternos graças a outros familiares que mantiveram vivas as suas histórias.
Comecemos, então, por esse avô que o meu pai, mesmo que brevemente, conheceu. Seu nome era Antônio da Costa Rios Filho e, diferentemente dos Cobra - ou melhor, não tão diferente assim - não era ele que tem uma rua nomeada depois dele, mas o seu pai, o meu tataravô - já estou me perdendo na árvore genealógica -, o vereador Antônio da Costa Rios. Como ainda não consegui foto da placa em si, fica o nome da avenida com o nome dele no mapinha abaixo.
A respeito da sua avó, Benedita Teixeira Rios, meu pai não sabe muito mais do que o seu nome. Aqui, é interessante pensar como que a história das mulheres muitas vezes é apagada e nos resta saber apenas a história dos homens das nossas famílias.
Bem, quanto ao que os seus avô e avó maternos faziam, meu pai não sabia responder, mas sabia que a família do Sinhô - como os conterrâneos da época chamavam meu bisavô Antônio - era abastada, porque eram fazendeiros. Inclusive, depois de cada um dos irmãos ter recebido suas heranças, os irmãos dele vieram a ter bairros inteiros de Pouso Alegre, enquanto o vô Antônio, por conta da má administração do seu dinheiro, acreditamos, não chegou a tanto, precisando - isso também é suposição nossa - de bicos de vez em quando.
Termino, por aqui, mais um capítulo da história da minha família. Logo mais retorno com outros posts retratando, dessa vez, os meus avô e avó paternos.
Cobra - bisavô e bisavó
Essa postagem é um recorte da entrevista feita com o meu pai - formato que pretendo seguir com o resto das entrevistas também, se for bem sucedida nas minhas intenções. Aqui, vão encontrar falas do meu pai sobre o que ele sabe da sua família paterna, os Cobra, relacionando com fotografias.
Bem, vamos lá.
Começo perguntando se meu pai tem alguma ideia a respeito da origem dos ascendentes da família, ao que ele responde que - como a maioria dos brasileiros - não sabe ao certo. Ele diz que já ouviu dizer que a sua avó era descendente de alemães, mas não sabe muito além disso.
Em seguida, ele me informa que só conheceu o seu avô materno - lembranças essas que deixarei para um futuro post sobre a família Rios - e que o que sabe do avô e avó paternos ouviu dos irmãos, pais e outros familiares. O nome deles era, respectivamente, Saturnino de Barros Cobra e Afonsina Guimarães Cobra. Aqui, lembro que o meu pai já tinha comentado sobre os dois terem ruas em Pouso Alegre com os seus nomes. Abaixo, é possível ver a foto da placa da rua com o nome do meu bisavô, cuja família tinha propriedade no loteamento da época - hoje em dia, parte movimentada e importante da cidade - e, por isso, conseguiu dar esse nome à rua.
Meu pai conta, então, uma curiosidade sobre o seu avô e a época, em que era possível comprar títulos do exército. Ele diz que o avô Saturnino queria muito uma patente de coronel, mas como era cara e ele não tinha condição de comprá-la ele decidiu por comprar a patente de tenente. Ele era, então,Tenente Saturnino de Barros Cobra, mas não era um tenente militar de fato.
A fim de conhecer mais sobre os privilégios da família, perguntei sobre o que os Cobra faziam. Meu pai disse que o avô desempenhou vários papéis na cidade - desde juiz de paz até delegado municipal, cargo que nem existe nos dias de hoje. Já a sua avó era mulher do lar.
Enquanto a conversa acontecia, a minha mãe - que estava na cozinha conosco, procurando fotos da família - encontrou uma foto da família: Saturnino, Afonsina e os sete filhos que tinham na época - dos nove que criaram, já que os outros dez que a bisa Afonsina teve morreram devido a doenças da época. Nesse momento, meu pai aponta que seu pai era o mais simpático da foto - que o leitor pode encontrar abaixo -, o único que sorria.
Voltando à questão dos privilégios, quero saber se algum dos dois tinha formação acadêmica e ele responde que não.
A seguir, recorto uma fala interessante do meu pai a respeito do relacionamento entre os Cobra e os Rios antes mesmo da união dos meus avô e avó:
“Uma coisa muito interessante é que o pai do meu pai e o pai da minha mãe eram amigos e sempre que o Saturnino ia na casa do meu outro avô ele fazia propaganda do meu pai para a minha mãe. Depois de um tempo, minha mãe veio a namorar um João, que depois ela veio saber que era o tal ‘João meu filho’ de quem ela tanto ouviu falar antes.”
Assim, encerro a perspectiva sobre os avô e avó paternos do meu pai, dando continuidade à história da família Cobra em um futuro post.

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