Encontro das minhas duas avós: Afonsina e Maria Amélia, respectivamente.
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Encontro das minhas duas avós: Afonsina e Maria Amélia, respectivamente.

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Fotos do encontro de diferentes gerações: na primeiras, minha bisavó, avó, mãe e eu. Na terceira, Vó Nina, minha mãe e eu na Páscoa de 2002, na quarta minha avó e eu e, por fim, minha avó e sua mãe.
Minha mãe e meus tios Paulo (à esquerda) e Júlio (à direita).
Minha mãe e uma das duas primeiras turmas no Colégio São José.
Foto da minha mãe quando tinha 23, 24 anos.
Tataravó Maria Marcondes
Padrasto da minha bisavó, Neco Vitório (à direita). Não foi possível identificar o homem à esquerda.
Acima, registros da fazenda da tataravó Maria Marcondes
Gouvêa e Rios Cobra - mãe
A quarta filha de uma família de sete crianças, minha mãe foi a primeira menina e, assim, motivo de muita felicidade. Cresceu com muito carinho e atenção da mãe, apesar de todas as dificuldades que teve com o pai - ele nunca foi carinhoso, atencioso, pelo contrário, ele era muito bravo e todos os filhos tinham muito medo dele; então não havia abertura ou diálogo com ele. Mas a minha avó cumpria a parte dos dois. Eles eram felizes.
Eram pobres, mas a minha avó não deixava que faltasse nada; eles sempre tinham boa comida e ela tentava dar tudo que podia, dentro das limitações que tinham. Entretanto, como a minha avó fazia tudo sozinha, os filhos tinham que trabalhar. Desde sempre, então, minha mãe ajudou. Ia no supermercado, feira, carregando as compras pesadas até a casa em que moravam, onde tinham uma pensão. Também ia ao banco e principalmente ajudava na cozinha: lavava a louça - que era sempre muita, uma vez que só na família eram sete, e ainda tinham os jovens que moravam na pensão -, os legumes, as verduras e picava. Chegavam da escola no momento de maior movimento, então estavam muitas vezes morrendo de fome e não podiam almoçar, porque tinham que ajudar primeiro - daí depois, sim, comiam à vontade.
Abaixo, foto 3x4 da minha mãe com uns 12, 13 anos.
Conforme o tempo passou, as responsabilidades aumentaram. Sempre foi boa aluna, mas era algo de crédito dela mesma, uma vez que a minha avó nunca cobrou nada. Resolveu fazer magistério de manhã - comum para muitas mulheres na época - e o colegial à noite. Fazia o colegial quem queria prestar vestibular e o magistério era profissionalizante, para ser professora. Como não sabia se poderia fazer faculdade, optou por fazer os dois. No mesmo ano que terminou o magistério, foi chamada para trabalhar em uma escola muito tradicional da cidade, o Colégio São José - escola essa em que trabalhou até se aposentar, e onde eu e minha irmã estudaríamos até o fim do Ensino Médio. Então trabalhou no colégio de tarde, e ia para a faculdade de noite. Começou a se interessar por trabalhar no estado, e aí foram aparecer alguns bicos nessas escolas estaduais, que ocupavam a sua manhã. Assim foi até que passou no concurso do estado, trabalhando de manhã, de tarde, e estudando de noite. Ainda assim, nunca deixou de ajudar a minha avó, que já não tinha a pensão, mas ainda fazia bolachinhas, roscas e bolos para vender. Então chegava em casa 23h, tinha trabalhado o dia inteiro e a minha avó com uma bacia gigantesca de bolachas para enrolar; minha mãe conta que tinha vontade de chorar, mas não tinha coragem de deixar a minha avó fazendo tudo sozinha, então sentava lá e ajudava a enrolar a bolachinhas até 1h da manhã. E assim foi durante muitos anos.
Abaixo, fotos da minha mãe na sua formatura do Ensino Médio e de quando tinha por volta de 23, 24 anos.
Sempre se dedicou muito à sua profissão, fazendo cursos profissionalizantes em Belo Horizonte e outros lugares, depois fez pós-graduação, procurando melhorar sempre. Conheceu o meu pai e com ele namorou durante seis anos, até que resolveram se casar. Depois que se casou, continuou trabalhando os dois horários. Quando nasci, tirou uma licença do estado por um tempo e ficou comigo cedo e depois ia para o São José, de tarde. Depois, voltou para o estado e em seguida teve a minha irmã, Laura. Continuou nos dois empregos durante um ano, mas depois desistiu, trabalhando só no São José. Como já foi citado, lá ela trabalhou até a sua aposentadoria, 4 anos atrás, tendo trabalhado lá, então, durante 29 anos.

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Árvore genealógica criada com o My Heritage. Na primeira foto, podemos ver até os meus avôs e avós paternos e maternos. Já na segunda, temos uma extensão da família da minha avó, sobre a qual retratei bastante no blog e pensei que fosse ser de alguma ajuda. É possível visualizar a foto ampliada, simplesmente clicando nela :)
Então, quando a criança começava a andar (...) [e] caía, a minha mãe falava assim ‘vamos cortar o medo’, [por]que a criança tinha medo de andar; então ela falava ‘passa na porta’, passava em três portas e ela pegava no rastro da criança, pegava o machado e falava assim: 'eu corto, o medo do fulano', batia no lugar do rastro; quando chegava na outra sexta-feira passava as crianças de novo nas portas - não sei se é benzimento, [o] que que é isso
minha avó, contando sobre como a a Vó Nina, sua mãe, ‘cortava medo’ das crianças
Santos, Faria e... Cobra? - bisavô/vó, trisavô/vó e tataravô/vó
Os posts a seguir são derivados principalmente da entrevista que fiz com a minha avó, bem como informações passadas por uma prima de segundo grau, que conseguiu coletá-las da sua mãe, tia (minhas tias-avós) e outras fontes, além de conversas com a minha mãe e outros parentes - de tias a tias-avós -, que se prontificaram a ajudar a coletar essa história que, diferente da que foi contada pelo meu pai, é tão confusa e envolve tantas pessoas. Se a história da minha família materna for mais difícil de se entender isso se dá por causa dessa confusão em que eu mesma estou com a história, se não, quer dizer que eu não só consegui compreendê-la melhor, mas consegui transmiti-la efetivamente.
Com o intuito de não me confundir e consequentemente confundir o leitor, vou citar os nomes dos pais da minha avó, bem como seus avôs e avós e até mesmo os bisavôs! [Observação: ao fim desse parágrafo também decidi incluir parte da minha árvore genealógica criada no site My Heritage, com o objetivo de orientar na leitura desse texto. Infelizmente, os nomes que estão na árvore genealógica podem se confundir, pois eles tendem a prevalecer o sobrenome do homem sobre o da mulher. Além disso, os padrastos não aparecem nessa mesma vizualização.] Primeiramente, minha vó é a segunda de uma família com doze filhos. Seu pai se chamava José Mariano dos Santos e a sua mãe - que meus primos, tios, primos de segundo grau, mãe e eu conhecíamos como Vó Nina - era Maria Marcondes de Faria, Maria Marcondes dos Santos quando se casou. José Mariano era filho de José Mariano e Benedita Maria de Jesus. José Mariano, no entanto, foi atropelado quando era ainda muito novo e, assim, Benedita, sua esposa, casou-se uma segunda vez - e não com qualquer pessoa, mas com o seu cunhado, conhecido posteriormente como Vô Otaviano. Voltaremos à história deles depois. Maria Marcondes de Faria era filha de José de Faria Cobra e Maria Marcondes de Mira. Assim como aconteceu com o seu marido, Maria também perdeu o pai muito cedo e também teve um padrasto, conhecido como Neco Vitório. Os pais de José de Faria Cobra (ou seja, os bisavô e bisavó da minha avó) eram José de Faria e Souza e Anna de Oliveira Cobra. Já os pais de Maria Marcondes de Mira eram Alfredo Marcondes de Souza e Leopoldina Augusta de Mira.
Tendo tudo isso mais claro, vamos começar a história e começá-la pelas lembranças que a minha avó tem dos avôs e avós, além das histórias que outros parentes contaram e contribuíram para que esse blog estivesse tão completo!
Sobre a morte do verdadeiro avô da minha avó, conta-se que ele (José de Faria Cobra) voltou da Borda da Mata - onde morava com a esposa e filhos - para Pouso Alegre, para tratar-se na casa dos pais - José de Faria e Souza e Anna de Oliveira Cobra. Quando sentiu que estava prestes a morrer, chamou o pai, pedindo que o abraçasse pois ia morrer, e assim foi, morreu abraçado com o pai.
A minha avó - e foi bem o que as tias Dirce e Ditinha contaram - era, de todas as crianças, a que mais frequentava e gostava de ficar na casa da avó, que era uma fazenda. Lá, a minha avó disse que tinham gado, tiravam leite, faziam queijo e tinham vários empregados. Essa fazenda ficava na área rural de Congonhal, uma cidadezinha próxima a Pouso Alegre. Neco Vitório também era fazendeiro, comprava gado e, quando casou-se com Maria, os dois juntaram as suas fortunas - a minha avó acreditava que Neco Vitório tinha muito dinheiro, porque ela lembra que “ele não contava dinheiro igual a gente [conta], ele enrolava o dinheiro com as pontas de um lenço e jogava dentro do armário”, junto com um rolo de fumo.
Esse Neco - que, apesar de não ser o avô verdadeiro da minha avó, era considerado e chamado como tal - mexia com engenho, então fazia rapadura, pinga, coisas voltadas para cana de açúcar, em geral. Segundo a tia Dirce (irmã da minha avó) ele ficava nas caldeiras e colocava as crianças na mina para lavar as formas de rapadura. Outra coisa sobre ele - essa quem me contou foi a minha prima de segundo grau, que carinhosamente chamo de tia Tata, e foi depois confirmada e complementada pela minha avó - é que ele não deixou as filhas mulheres aprenderem a ler e escrever. Neco pagava uma professora para dar aula para os filhos homens, mas não deixava que as mulheres tivessem aulas também, porque segundo ele assim elas iriam escrever cartas para os namorados - demonstração perfeita não só do machismo da época, mas, infelizmente, de um regime patriarcal que dura até os dias de hoje. A vó Maria - ou melhor, Vó Marconde, como chamavam-na os seus netos -, minha avó recorda, gostava de andar a cavalo. Ela colocava o sião para sentar de lado no cavalo, como as mulheres faziam na época - outro exemplo, embora mais bobo, do impacto do machismo na sociedade da época; porque uma mulher não poderia montar um cavalo como um homem? -, e a minha avó ia sentada atrás.
A família paterna da minha avó - de quem herdou o sobrenome dos Santos - era, segundo as lembranças dela, muito mais simples que a materna. Além disso, outra comparação que se pode fazer é que o Vô Otaviano - e isso é o que diz a minha avó - era uma amor de pessoa e super ativo na comunidade, dando aulas na roça - mesmo não tendo estudo formal - , cortando o cabelo das pessoas, benzendo crianças e fazendo trabalhos com madeira - fazia até caixão de defunto!
Um causo que as tias Dirce e Ditinha lembraram foi o do bisavô delas, Alfredo Marcondes de Souza, que teria saído de casa um dia, visto duas galinhas brigando e uma delas chamando a outra de sem-vergonha e, logo após contar a história à sua esposa - conhecida como Sinhá Cobra, na época -, caiu morto.
Por fim, algo curioso é como uma das minhas tataravós tinha o sobrenome Cobra e a minha mãe viria a se casar com um Cobra, trazendo o nome de volta à família.
Observação final: fico muito triste que esse post não teve nenhuma foto, mas juro que as fotos que vão vir nos próximos vão compensar!