Refinados de nacimiento,
escriben poesĂa barata,
algo que agrade al pueblo,
con sed de reconocimiento.


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DâCrossier Announces Golden Blend Refinados - Cigar News
DâCrossier Announces Golden Blend Refinados - #Cigar News @dcrossier #cigars
DâCrossier is adding another line to the Golden Blend Series. Refinados, which translates to âRefinedâ in Spanish, is a brand new blend in three sizes. The DâCrossier Golden Blend Series has been the flagship line of Pure Aroma Cigars since 2009. The Golden Blend pursued is the chase of my live time, Iâll not stop till Iâm fully satisfied and convinced that the golden blend has been accomplish,âŠ
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Historia de la aviaciĂłn en Colombia: el Douglas DC-3, âuna dama de modales refinados y gentilesâ â Ciencia â Vida 25 de julio de 1938. Termina la gran revista militar del Campo de Marte, en Santana, en el norte de BogotĂĄ.
farinha de trigo, açĂșcar e cocaĂna.
Se um dia alguĂ©m resolver erigir um monumento em praça pĂșblica Ă s boas intençÔes frustradas do pensamento cientĂfico, podia ser uma estĂĄtua monumental de um prato cheio de pĂł branco. Assim homenagearĂamos de uma sĂł vez trĂȘs enganos cientificistas: a farinha de trigo refinada, o açĂșcar branco e a cocaĂna. TrĂȘs pĂłs acĂ©ticos e quase idĂȘnticos, trĂȘs frutos do pensamento que dominou o Ășltimo sĂ©culo e meio: o reducionismo cientĂfico. TrĂȘs matadores de gente.
NĂŁo Ă© por acaso que os trĂȘs sĂŁo tĂŁo parecidos. Todos eles sĂŁo o resultado de um processo de ârefinoâ de uma planta â trigo, cana e coca. Refino! Soa quase como ironia usar essa palavra chique para definir um processo que, em termos mais precisos, deveria chamar-se âlinchamento vegetalâ ou algo assim. Basicamente se submete a planta a todos os tipos de maus-tratos imaginĂĄveis: esmagamento entre dois cilindros de aço, fogo, cortes de navalha, ataques com ĂĄcido. AtĂ© que tenha-se destruĂdo ou separado toda a planta menos a sua âessĂȘnciaâ. No caso do trigo e a da cana, o carboidrato puro, pura energia. No caso da coca, algo bem diferente, mas que parece igual. NĂŁo a energia que move as coisas do carboidrato, mas a sensação de energia ilimitada, injetada diretamente nas cĂ©lulas do cĂ©rebro.
Começou-se a refinar trigo, cana e coca mais ou menos na mesma Ă©poca, na segunda metade do sĂ©culo 19, com mais intensidade por volta de 1870. No livro (que recomendo muitĂssimo) âEm Defesa da Comidaâ, o jornalista Michael Pollan conta como a tal âcultura ocidentalâ adorou a novidade. Os cientistas ficaram em ĂȘxtase, porque acreditavam que o modo de compreender o universo Ă© dividi-lo em pequenos pedacinhos e estudar um pedacinho de cada vez (esse Ă© o tal reducionismo cientĂfico). Nada melhor para eles, entĂŁo, do que estudar apenas o que importa nas plantas, e nĂŁo aquele lixo inĂștil â fibras, minerais, vitaminas e outras sujeiras. Os capitalistas industriais tambĂ©m curtiram de montĂŁo. Um pĂł refinado Ă© super lucrativo, muito fĂĄcil de produzir em quantidades imensas, praticamente nĂŁo estraga, pode ser transportado a longuĂssimas distĂąncias. A indĂșstria de junk food floresceu e sua grana financiou as pesquisas dos cientistas, que, animadĂssimos, queriam mais.
Sabe por que esses pĂłs refinados nĂŁo estragam? Porque praticamente nĂŁo tĂȘm nutrientes. As bactĂ©rias e insetos nĂŁo se interessam pelo que nĂŁo tem nutriente.
Os trĂȘs tem efeito parecido na gente. Eles nos jogam no cĂ©u com uma descarga de energia e, minutos depois, nos deixam despencar. AĂ a gente quer mais. Como eles foram separados das partes mais duras das plantas â as fibras â nosso corpo os absorve como um ralo, de uma vez sĂł. Seu efeito eletrificante manda sinais para o organismo inteiro, o metabolismo se acelera. AĂ o efeito vai embora de repente. E o corpo Ă© pego no contrapĂ©.
CocaĂna, farinha e açĂșcar eram O Bem no final do sĂ©culo 19. Eram conquistas da engenhosidade humana. Eram a prova viva de que a ciĂȘncia ainda iria conquistar tudo, de que o homem Ă© maior do que a natureza, de que o progresso Ă© inevitĂĄvel e lindo. CocaĂna era âo elixir da vidaâ. Nas palavras publicadas numa revista do sĂ©culo 19, âum substituto para a comida, para que as pessoas possam eventualmente passar um mĂȘs sem comer.â Farinha e açĂșcar davam margem a fantasias de ficção cientĂfica, como a pĂlula que dispensaria o humano do ato animal e inferior de comer.
O equĂvoco da cocaĂna ficou demonstrado mais cedo, jĂĄ nas primeiras dĂ©cadas do sĂ©culo 20. De medicamento patenteado pela Bayer, virou âdrogaâ, proibida, enquanto exterminava uma população de viciados. A proibição amplificou seus males, transformando-a de algo que afeta alguns em algo que machuca o planeta inteiro, movendo a indĂșstria do trĂĄfico, que abastece quase todo o crime organizado e o terrorismo do globo.
Levaria muito tempo atĂ© que os outros dois comparsas fossem desmascarados. AtĂ© os anos 1990, farinha e açĂșcar ainda eram âO Bemâ, enquanto âO Malâ era a gordura, o colesterol. Os mĂ©dicos recomendavam que se substituisse gorduras por carboidratos e o mundo ocidental se entupiu de farinha e açĂșcar. Começou ali uma epidemia de diabetes tipo 2, causada pelas pancadas repentinas que farinhas e açĂșcar dĂŁo no nosso organismo. Começou tambĂ©m uma epidemia de obesidade. Sem falar que revelou-se que açĂșcar e farinha estĂŁo envolvidos no complĂŽ para expulsar frutas, folhas e legumes dos nossos pratos, o que estĂĄ exterminando gente com cĂąncer e doenças cardĂacas. Como cĂąncer e coração sĂŁo as maiores causas de morte do mundo urbanizado, chega-se Ă constatação dolorosa: farinha e açĂșcar sĂŁo na verdade muito mais letais do que cocaĂna. Ă que cocaĂna viciou poucos, mas açĂșcar e farinha viciaram quase todo mundo.
Agora os trĂȘs pĂłs brancos sĂŁo âO Malâ. A humanidade estĂĄ mobilizada para exterminĂĄ-los. HĂĄ atĂ© uma nova dieta vendendo toneladas de livros pela qual corta-se todos os carboidratos da dieta e come-se apenas gordura.
Em 1870, caĂmos na ilusĂŁo de que era possĂvel ârefinarâ plantas atĂ© extrair delas o bem absoluto, apenas para nos convencermos dĂ©cadas depois de que tĂnhamos criado o mal absoluto. Mas serĂĄ que o problema nĂŁo Ă© essa mania humana de separar as coisas entre âO Bemâ e âO Malâ em vez de entender que o mundo Ă© mais complexo que isso e que hĂĄ bem e mal em cada coisa? Trigo, cana e coca, se mastigados inteiros â integrais â sĂŁo nutritivos e inofensivos e protegem contra doenças crĂŽnicas. Precisamos parar de tentar ârefinarâ a natureza e entender que ela Ă© melhor integral.
(via http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/saude/farinha-de-trigo-acucar-e-cocaina/ )