eu queria te perguntar tantas coisas. te contar tantas outras. mas eu aprendi a engolir as palavras antes que elas criem raízes. antes que eu me convença de que elas importam.
queria deitar minha cabeça no teu peito e me esquecer lá. me esconder do mundo na tua respiração. te observar enquanto você cozinha, cantando baixinho uma música que eu nem conheço, enquanto a gente rir de qualquer bobagem. queria passar o final de semana contigo, e depois a vida inteira.
mas ao invés disso, eu tenho um vazio do tamanho do teu nome dentro de mim.
esse mês faz um ano que você foi embora, e eu não deixei de pensar em você um único dia. um ano inteiro de ausência, e ainda assim, você é a coisa mais presente na minha vida.
me sinto patética. porque eu fui atrás, tantas vezes. e todas elas, você fez questão de me lembrar que eu não sou quem você quer.
mais patética ainda porque, numa noite qualquer, sem peso na voz, sem tremor na respiração, você me disse que ela é o amor da sua vida. que todas as outras foram só distração. que eu fui só distração.
e mesmo assim, eu fico.
fico esperando não sei o quê. talvez um erro no universo. um milagre.
mas milagres não acontecem.
e então me vem aquela frase na cabeça: “esperar por você é como esperar a chuva nessa seca: inútil e decepcionante.”
e é.
mas sabe o que é mais triste? eu ainda olho para o céu. eu ainda espero chover.
só que agora, eu tô tentando ir embora. porque a verdade, a verdade mais cruel de todas, é que você nunca veio.
- redatora, redatora…seus textos não me comovem (mas hoje eu queria que comovessem).













