Enquanto seus irmãos aprendiam a atravessar os pântanos sem deixar rastros, reconheciam plantas medicinais e ouviam fascinados as histórias sobre videntes verdes e antigos heróis cranogmanos, Raya sonhava com vestidos de seda, salões iluminados e castelos de pedra. Desde pequena, nunca conseguiu entender por que sua família parecia tão satisfeita vivendo escondida entre lama e neblina quando existia um mundo inteiro além dos pântanos. Sempre fazia perguntas demais sobre as grandes casas, sobre torneios, princesas e damas da corte, para completo desgosto dos parentes, que insistiam em lembrá-la de que um Reed jamais precisaria de tudo aquilo para ser feliz. Quanto mais tentavam convencê-la a abraçar as tradições cranogmanas, mais Raya as rejeitava. Aprendeu a sorrir por educação, mas nunca deixou de sentir vergonha dos costumes da própria família. Não queria viver em uma casa que mudava constantemente de lugar, casar com um caçador dos pântanos ou passar a vida inteira escondida do resto de Westeros. Queria ser vista. Queria ser lembrada. Queria ser exatamente como as damas das histórias que conseguia encontrar sempre que algum mercador atravessava o Gargalo. Quando ouviu falar da Semeadura organizada pelo rei, enxergou nela muito mais do que uma oportunidade de montar um dragão: viu uma saída. Fugiu de Atalaia da Água Cinzenta sem pedir permissão, certa de que preferia morrer tentando do que aceitar o destino que sua família havia escolhido para ela. Contra todas as expectativas, inclusive as dela, sobreviveu. O dragão a aceitou, e pela primeira vez na vida Raya sentiu que os deuses haviam confirmado aquilo em que sempre acreditou: ela nascera para algo maior do que os pântanos. Tornou-se integrante da Guarda da Chama e, pouco tempo depois, passou a servir como dama na corte, mergulhando de cabeça no mundo que sempre idealizou. Ainda assim, a realidade se mostrou muito menos encantadora do que os contos que ouvia quando criança. Descobriu que as grandes damas podiam ser tão cruéis quanto qualquer guerreiro, que a nobreza escondia muito mais veneno do que elegância e que um sobrenome antigo não impedia ninguém de ser infeliz, mas com bastante jogo de cintura e venenosa tanto quanto as antigas damas, Raya está se posicionando principalmente pelo fato de ter um dragão.
RAYA REED — 25 anos, Nadia Perks.












