Minha versão do nosso “adeus”
Estava aqui escutando desde às 23h, no último volume do fone de ouvido John Mayer - Free Fallin' em loop, deitada do sofá da sala, com todas as luzes da casa apagada, pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo. Uma puta dor de cabeça, os olhos querendo ficar cheios de lágrimas - mas acho que até meu corpo está rejeitando que eu fique assim, mais uma vez. A garrafa de água na mão (felizmente não tem bebida alcoólica em casa, porque se não, eu com certeza estaria abraçada com uma garrafa agora) para tentar amortecer a queda, de novo. E eu não estava entendendo o por quê de eu estar assim one more time - vamos colocar em outra língua para não ficar tão repetitivo - mas logo eu me dei conta do motivo.
Como eu dou muito valor à datas comemorativas, me lembrei que quando aqui desse meia-noite, seria o seu aniversário. E como eu percebi que não iria dormir tão cedo, decidi de uma vez por todas escrever. Não seria a primeira vez sobre você, mas seria a primeira vez do tão famoso "adeus" que a gente insiste em adiar. Lembra quando falamos uma vez sobre despedidas e eu disse que não gostava? Você concordou com a cabeça e disse que também não gostava. Então, talvez, seja por isso que adiamos tanto o fechamento dessa história. Pode ter sido por isso que você desapareceu, para não se machucar, ou até mesmo para não me machucar, achando que isso era o melhor a se fazer no momento. Mas acho que já passou da hora de eu dar um fechamento nessa história. E não tentar entender o que aconteceu, o que poderia ter acontecido, se eu soubesse a sua versão. Afinal de contas, acho que não mudaria nada. Porque eu ainda ficaria com os 'e se' na cabeça - mas pelo menos com os motivos certos. A verdade é que já passou muito tempo. Tenho um carinho imenso por ti e isso não vai mudar nunca. E eu já aceitei (faz uma caralhada de tempo, inclusive) que não era o momento para ficarmos juntos. Talvez depois a gente entenda o por quê de tudo isso, talvez não. Eu preciso muito parar com essa mania de viver no mundo imaginário e focar no que é real. E a realidade é que, esses dias eu levei um tapa na cara de um amigo que me disse o que estava acontecendo e PASME ele está totalmente certo. Eu estou em uma posição que eu me acostumei a estar: distante, idealizando e esperando a próxima vez que vamos nos encontrar. Resumindo a obra, romantizando algo que, na real, eu não me importo tanto assim. Confesso que chorei muito ao som de Sum 41 neste dia (o combo With Me, Pieces e a mais nova, Never There, nunca falha).
E foi aí que eu me dei conta que eu realmente não me importo tanto assim. Não é mais você o problema. Na verdade eu me apeguei ao sentimento que você despertou em mim. Algo que eu achei que seria impossível, que era só "coisa de filme". Eu conseguia ser eu mesma, sem máscaras e também não precisava ser perfeita, bastava ser eu, que você estava ali comigo. Você me fez acreditar de novo, que é possível sim e que vale a pena se apaixonar. Depois de anos não querendo saber disso. Você veio e me mostrou que é real e que eu posso sim ter reciprocidade - quem diria, não é mesmo... Percebi o que realmente mereço e que não devo aceitar migalhas. E olha só que ironia do destino: nos distanciamos e você me oferecia migalhas e eu me apegava a elas pelo mesmo motivo que citei acima. Eu me acostumei. Mas a partir do momento que a gente se toca, fica muito mais fácil desapegar e desacostumar. Eu não posso esperar para que talvez a gente se encontre, que talvez a gente converse e talvez a gente chegue a uma conclusão disso tudo. A vida é muito curta para viver esperando. Tenho que viver o aqui e o agora, com quem quer estar comigo nessa jornada. E olha só, tem gente que está disposto a fazer isso. E eu louca pensando ainda na possibilidade. (Tá maluca, minha filha?) Todos os dias a gente faz escolhas e temos que arcar com as consequências. Isso também é válido para os sentimentos. E adivinha o que eu escolhi hoje? Eu estou totalmente aliviada por estar escrevendo essas palavras, de finalmente poder encerrar essa história e dar paz para o meu coração. E por incrível que pareça, eu comecei e terminei esse texto sem nenhuma lágrima nos olhos. Isso é um ótimo sinal. Espero que você também esteja em paz com o seu coração e que também viva a sua vida com toda a intensidade, sem nenhum arrependimento.














