Em um jardim vibrante, a borboleta vivia um amor platônico. Ela ansiava pelo Beija-flor, a joia alada que voava em velocidade e paixão. Seus encontros eram fugazes: ele, rápido e objetivo na busca pelo néctar, ela, lenta e contemplativa, pairando. A borboleta sonhava com um voo sincronizado, mas a diferença de ritmos e naturezas criava uma distância intransponível. Ele era a urgência da vida, ela, a paciência da flor. Assim, seu amor permaneceu: uma admiração silenciosa de cores vibrantes, jamais um toque. Beija-flor nem notava sua eterna fã, imerso na sua pressa doce. Ela, contudo, o amava no espaço desse impossível silêncio.















