Personagens: Shido, Rae.
Classificação: +12.
Observações: Log privada.
Já era tarde da noite quando finalmente pararam de praticar. Com o debut cada vez mais próximo, a agência os fazia passar horas e horas ensaiando e, apesar daquilo não ser saudável, eles aceitavam. Naquela noite Mujoe não estavam com eles, era o único que havia sido dispensado por passar realmente mal no dia e já deveria estar no dormitório que agora partilhavam. Pelo menos durante aquele período, ficariam juntos e iriam às aulas quando desse. Era a reta final para um grande evento que todos esperavam.
Quando a música finalmente acabou, Rae realmente não aguentou. Suas pernas falharam e o loirinho desabou no chão, soltando um gemido de dor. Cansado era pouco. Via os demais saírem com pressa para beber água ou fazer qualquer outra coisa, fazia um calor infernal dentro daquela sala, por mais que a temperatura em geral na cidade fosse baixa. Minhyun chegou a se deitar no chão, o que Nero havia dito era verdade: as coisas iriam piorar e pioraram. Era a prova viva disso. Ouvia as vozes ao fundo, sem o menor interesse nelas. Precisava de um tempinho até pra conseguir se levantar e se mover para a van que os esperava.
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Seu corpo implorava por descanso, mas tanto Shido quanto a empresa negavam tal pedido. Ele já estava completamente molhado pelo suor, o coração batendo rápido devido ao grande desgaste físico que tinha. Iriam debutar e precisavam mostrar seu melhor, e o rapper só iria parar no momento em que seu corpo se negasse a se movimentar. As coisas iriam ficar cada vez mais difíceis e ele sabia disso desde o momento em que aceitou ser do grupo, mas não se importava. O desafio para si era como o ar denso da sala que respirava. O aroma quente que estava impregnado na sala repleta de espelhos deixava sua vertigem ainda pior, e por mais que quisesse seguir com o resto do grupo ele não conseguiu, deixando que o corpo procurasse por apoio nos próprios joelhos quando já estava prestes a se render ao cansaço.
Mesmo que todos fossem embora ele iria continuar. Não se importava mais, a dor já era um estímulo para si. Xingava em sussurros em sua língua natal, tentando aliviar todo o estresse e pressão que sentia naquele momento. Mas algo tirou sua concentração dentro da grande sala de trainees. Olhou em volta com a visão completamente turva, e a única coisa que seus olhos conseguiram fixar foi Rae no chão. Seus olhos se abriram mais, quase não acreditando no que via. O colega de grupo estava realmente mal, e mesmo que estivesse fraco TaeHoon não lhe negou ajuda, se abaixando para que pudesse engatinhar pelo chão até que pudesse chegar no loiro. Estava sem voz a aquela altura, e não conseguia chamar pelos outros membros.Sua mão trêmula retirou um fio loiro que estava colado ao rosto do mais novo, podendo assim ver melhor sua expressão. A pele do vocalista estava pálida, as olheiras profundas e o suor impregnado em sua pele. — Minhyun-ah... Eu estou aqui... Se levante. — Ele sussurrava, pedindo ao mais novo para que juntasse o pouco de forças que achava que ele tinha. Mas ainda preocupado ele usou o próprio resto de força para puxar o corpo do menor para seu colo, deixando sua cabeça em suas coxas para que pudesse abanar seu rosto.
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Realmente...Só precisava daquilo. Foi um alívio para o corpo relaxar contra o chão, ele parecia mais gelado e era essa a sensação que queria. O corpo estava dormente e nunca em sua vida algo foi tão confortável quanto aquele piso. Ele só queria estar ali, talvez descansar...Os olhos se fecharam e ele deixou realmente o corpo relaxar, talvez mais do que deveria. Se perdia no meio das sensações, os sentidos iam se distanciando e tudo parecia muito bom, até ouvir a voz do mais velho.
Foi como acordar de um sonho maravilhoso. Não tinha nem forças para se irritar com aquele que o chamava e o tocava para ter certeza que o loiro abriria os olhos e ele o fez. A face se virou um pouco para o rapper, pouco antes dele puxar seu corpo e o acomodar. As mãos de Rae se apoiaram um pouquinho e mesmo que um pouco falhas, ele ergueu um tanto o tronco. — A gente tem que ir..pra van, né?
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— Eu... Eu preciso treinar mais, Min-ah... Eu não estou bom o suficiente ainda. E você precisa descansar, todos os outros já foram para a van. Bem que eu queria puxar o seu cabelo e dizer que foi o Mujoe-ssi, mas você tem que descansar. — Não gostava de agir assim perto do mais novo, mas em alguns momentos seu instinto protetor era forte demais em relação ao loiro. Ele manteve o menor em seu colo, alisando delicadamente o rosto exausto com a ponta dos dedos. Até nisso seu corpo falhava, afinal sempre fazia alguma brincadeira com Han, mas a exaustão não o permitia fazer mais do que aquilo. — Se pudesse ficar aqui... Eu me sentiria melhor para treinar mais, MinHyun-ah... — O moreno confessou, desviando o olhar e encarando os dois corpos que o espelho refletia. Era claro o cuidado que TaeHoon tinha com o colega de grupo, assim como o estado físico dos dois se mostrava ainda mais abalado, mas mesmo assim o rapper insistia em exigir mais de si mesmo. Ele sabia que para isso só não poderia estar sozinho naquela sala.
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As palavras bobas de Shido outrora faria o garoto revirar os olhos, mas naquele momento ele apenas riu baixo. Seria algo realmente comum de acontecer. O alemão não lhe dava trégua, nem mesmo entre os ensaios, mas aquele momento era diferente. Já não estavam mais tão dispostos assim. — Você é muito bom, TaeHoon...Sabe disso. — Palavras que talvez o mais novo não fosse admitir em outro momento. Mas eram levados ao limite e não apenas o físico. O mais velho realmente parecia tão cansado quanto ele, mas insistia em continuar ali. Treinando mais e mais. Se perguntava se em algum momento aquele frenesi acabaria, mas tinha suas dúvidas. Provavelmente seriam exigidos cada dia mais.
O olhar acabou seguindo o dele para o espelho. Ele nunca havia o reparado de fato e não era agora que ele o faria. Via o reflexo os dois e suspirava. Não, o alemão realmente não precisava de mais treino, mas o conhecia o suficiente para saber o quão teimoso ele era. — Nós podemos...descansar só um pouco mais? Está bom aqui...
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— Claro que nos podemos, Minhyunnie... Er, Minhyun-ah. Podemos sim. — O garoto sentiu o rosto queimar ao chamar o mais novo pelo apelido que considerava carinhoso. Estava estressado e descontente consigo mesmo, e quando ficava assim deixava que a emoção falasse mais alto que a sua razão. Mesmo sentado ele conseguia ter uma visão privilegiada da porta de saída da sala de treino, vendo se algum dos colegas de grupo iriam voltar. O silêncio se fez alto naquela sala, onde ambos podiam ouvir a respiração um do outro.
Se não fosse pelo toque estridente de um rap alemão em seu celular TaeHoon teria continuado a encarar os dois corpos diante daquele espelho, com a mão agora acariciando os fios loiros e um tanto longos. Realmente gostava de tal característica em Han, aquilo o tornava único diante dos outros trainees que conhecia. Não só o cabelo, mas a personalidade e habilidade do mais novo. — Não... Nós não vamos, sunbaenim... Nós precisamos treinar. Eu preciso treinar. Sim, eu sei... Mas a Koex vai nos dar autorização e nós a apresentaremos a diretoria. Tudo bem... Boa noite, sunbae. — O rapper se assustou com o próprio telefone, vendo que era o líder do grupo que lhe ligava. Não estava mentindo, precisava treinar. Mas aquele momento seria os seus "5 minutinhos" tão preciosos de pausa. Não se importou em jogar o telefone pela sala, deixando que o corpo pousasse sobre o chão frio da sala, suspirando de alívio ao receber aquele choque térmico em seus músculos. — Você anda se saindo muito bem.
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Por alguns segundos, um sorriso pequeno curvou os lábios finos. Não se lembrava de TaeHoon o chamando daquele jeito, mas particularmente, havia gostado. Se admitiria? Era óbvio que não. Mas talvez nem precisasse. O reflexo do espelho era responsável por mostrar aquele sorriso e trair os próprios pensamentos, já que em algum momento os olhos voltaram a se fechar. Não era sono, era cansaço. E se podia descansar um pouco mais sobre o colo do rapaz, ele o faria.
O silêncio não era ruim, pelo contrário. Era bem agradável estar ali com o outro. Se antes era uma coisa impossível de imaginar, agora Rae já se sentia mais confortável e arriscava a dizer que gostava. E o toque sobre suas mexas dessa vez não foi visto como um problema. Além de deixar, Minhyun se ajeitou um pouco mais, em sinal claro para ele continuar. No entanto, toda aquela calmaria se acabou quando o telefone tocou. Por algum motivo aquilo despontou uma dor de cabeça leve no loiro que, se Shido não tivesse atendido muito rapidamente, Rae o faria e não no melhor humor. Resmungou alguma coisa quando ouvia as respostas do mais velho, deveria ser alguém perguntando por que estavam demorando e quando finalmente ele desligou, havia paz de novo. O menor empurrou o próprio corpo de encontro ao dele quando o alemão se deitou, de modo que sua cabeça se apoiava no braço dele e não mais no colo. E suspirou, antes de responder. — Eu estou péssimo...
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Estava completamente distraído, seu corpo clamava por mais do piso frio que relaxava seus músculos. Algumas gotas de suor ainda escorriam por sua testa e molhavam seus fios negros, morrendo no piso tão bem preparado para a dança. Só voltou a abrir os olhos quando sentiu a movimentação do mais novo em seu colo. Era bom ter ele tão perto de si, embora não quisesse admitir, e o pior de tudo, se negava a admitir para si mesmo. A destra continuava a fazer uma leve carícia nos fios loiros enquanto o outro braço envolvia o corpo exausto, o trazendo para mais perto de si. TaeHoon o aninhava em seu braço, analisando as feições tão bem desenhadas e delicadas que o colega de grupo tinha.
Mesmo que sua mente gritasse para si para que parasse naquele instante os olhos não conseguiam mais se afastar dele, sendo novamente desperto por MinHyun. A voz fraca e cansada o deixou extremamente preocupado, e como seu hyung, acima de tudo, sua função era tomar conta do mais novo. Ele se afastou lentamente, tendo cuidado para que o corpo do menor pousasse com calma no chão. Mesmo com toda a exaustão os passos eram rápidos em direção ao banheiro que tinha ali, aproveitando para pegar uma das toalhas brancas e a deixar completamente molhada, torcendo o tecido apenas para que não restasse um excesso muito grande de água.
Quando voltou Han se deitou novamente ao lado de Rae, deixando a toalha sobre sua testa, enquanto uma das mãos procuravam por uma do garoto, entrelaçando levemente os dedos. — Eu vou cuidar de você, MinHyunnie.
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Realmente, estar ali com TaeHoon não era uma coisa que aturaria antes. Certamente se afastaria dele o mais rápido possível em outra ocasião, mas naquela...Naquela era bom. Mesmo que os corpos estivessem quentes, talvez o de Rae mais quente do que deveria, já que haviam parado há alguns minutos. Mas não se importava, talvez nem ele mesmo percebesse isso. Tudo o que queria era ter um local macio para deitar sua cabeça e o mais velho era exatamente o que buscava. Os olhos fechavam a respiração entrava em um ritmo parecido com o dele, fazendo os corpos subirem e descerem juntos enquanto se permitia relaxar. Tantos lugares para isso e o loiro simplesmente se deixava levar ali sobre as carícias do mais velho. E Shido continuasse, teria um Rae adormecido em seus braços no chão mesmo. E somente despertou quando o rapaz se levantou, o deitando completamente no chão. Não queria que ele se afastasse, mas não teve como o segurar também. Ele apenas esperou o rapper ir e voltar com aquelas toalhas e notou que, talvez, ele tivesse percebido a febre de Minhyun. Estava sempre a tendo após ou durante os ensaios, era nervosismo unido com o pouco descanso; o loiro não deixava claro para os demais o quão agitado estava, mas sentia-se transbordar por dentro com todas aquelas mudanças. A toalha sobre sua testa fez com que os olhos buscassem o moreno e assim que a mão encontrou a dele, Rae a apertou, puxando um pouquinho o rapper. — Eu estou bem, hyung...
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O estresse e o nervosismo faziam com que os músculos de Shido tivessem espasmos por causa da dança excessiva, mas nem isso o fazia parar, tão pouco parar de cuidar do colega de grupo. O pequeno aperto em sua mão o fez ficar com a expressão mais séria, se aproximando mais de Rae. O mais novo sempre se destacava no grupo não só pela beleza que tinha, mas isso era algo que o rapper não podia negar naquele momento que o observava com tanta atenção. Cuidava de sua respiração, dos olhos fechados, dos lábios rosados levemente abertos. Se xingou mentalmente na língua natal, sabendo que jamais deveria ter tais pensamentos. Mesmo que fosse momentâneos o mais velho se repreendia, sabendo dos problemas que aquilo poderiam acarretar para ambos. As fãs iriam adorar tal interação entre os dois que seriam recompensados pelo bom fanservice, mas ambos sabiam que tudo aquilo ia muito além de uma mera atuação. Desde o dia que se conheceram, até o dia onde começaram a passar a noite juntos se conhecendo no dormitório da Koex até o momento em que TaeHoon o reparou como algo além de um colega, um pensamento rondava a cabeça do maior: curiosidade.
Com muito receio e até mesmo medo Shin aproveitou a proximidade entre os dois e selou os lábios de MinHyun. Um beijo breve, doce e delicado, se fazendo somente pela união dos róseos. Um contato superficial para outros, mas de extrema importância para o alemão. Seu coração desparou ao sentir o contato, não o prolongando muito, afinal, não sabia qual seria a reação do menor.
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Apesar de já ter se acostumado com os demais membros do grupo, havia uma coisa que não podia negar. Não sabia se era porque Shido foi o primeiro que conheceu ou se era porque de uma maneira ou outra o rapaz estava sempre por perto, mesmo que fosse para implicar consigo. De todo modo, se sentia realmente a vontade com o rapper, a ponto de não se incomodar de demonstrar o quão cansado estava ou então somente o puxar para que ele ficasse perto. Pelo menos sabia que com Shido ele não diria aos outros que estava passando mal. Confiava nele para isso.
Sua mão o puxou somente para que ele continuasse ali, realmente não queria pensar em dançar naquele momento e seria bom chegar um pouco mais tarde do que os outros membros. Não levantariam suspeitas ou veriam como o loiro estava. Mas a aproximação de Shido tinha outro destino e Rae se surpreendeu um pouco quando os lábios se encontraram, naquele selo delicado que ganhava do alemão. Os olhos se fecharam, experimentando daquele toque bem sútil que fez o mais novo relaxar e ao mesmo brigar consigo mesmo. Deveria usar suas mãos para empurrar o outro, mas simplesmente não conseguia. Havia gostado, afinal. Mas assim que ele se afastou, a razão o tomou e o menor soltou a mão dele, usando as próprias não para empurrar TaeHoon, mas para fazer seu corpo deslizar um pouco pelo chão liso e poder ele mesmo, ainda com dificuldade, se levantar. — Acho melhor irmos...
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Aquele beijo fora diferente de qualquer outro que já dera. TaeHoon se divertia em sua terra natal, e beijos eram algo constante em sua vida. Mas existia algo de especial naqueles lábios. Não sabia se era pela conexão turbulenta que mantinham, pela adrenalina, pela exaustão ou então pelo que ambos insistiam em negar: a união de todas essas sensações somado ao sentimento que sentiam um pelo outro. Com o passar do tempo ambos foram desenvolvendo uma amizade especial, um laço profundo que ia muito além de serem colegas de grupo. O alemão sentia o rosto queimar ao observar o mais novo se afastar, e por instinto acabou fazendo o mesmo. Se perguntava se tinha sido certo ou errado, mas acima de tudo se MinHyun tinha gostado.
Com a dificuldade que sentia devido ao treino excessivo o maior se levantou, ficando um pouco tonto quando se colocou de pé. Ambos precisavam de um pouco de espaço naquele momento, mas Shido tinha feito uma promessa ao loiro: iria cuidar dele em todos os momentos. E assim ele se posicionou atrás dele, o segurando por debaixo de seus braços para que pudesse levantar. O corpo já fraco também cambaleou, e o mais velho puxou um dos braços de Rae para que ele envolvesse seu pescoço, podendo sustentar seu corpo com a outra mão. — Vamos sim, MinHyunnie. Hoje foi um dia longo. — E de fato, ambos tiveram um dia repleto de acontecimentos. Talvez aquele último em específico fosse o mais importante de todos, e talvez aqueles cinco minutos tenham sido somente o início para os dois garotos.