Fugir da paisagem, habitar os cantinhos, o lugar de sombra, eu e a ilha, a parte de mim em Urano, a parte de mim aqui, no espaço, nesta localização, o mapa que me segue, a sombra que se segue, o espelho, um pedido consentido, as línguas que me deram um nome, você é o espelho, a paisagem habitada, o lugar praticado, eu e você, você também tem uma parte de si em Urano, você também tem um mapa que te segue, um corpo que paga com o próprio nome, a impropriedade, parte da cidade, parte do corpo, parte do eu, os cantinhos de Urano que habito escapando, tudo isso é a fronteira, o delimitador, a linha de fuga pontualmente organizada no papel, eu e você nesta borda do humano e não-humano, nós é o deserto, desertar é ir para o deserto que habita em nós mesmas, meu nome é impróprio, sou uma ilha com um nome herdado, nós uranistas, eu e você no limiar, indefinição, indefinido, infinito, o mar, a ilha que emerge de um vulcão, imagens de dor, setenta cavalos soltos na serra do mar, uma escrita delirante, um desenho de alucinações, uma parte cega da linha, uma ponta amolada de faca, um traço incisivo na carne, dois pontos, impróprio, meu nome próprio, tudo tem seu duplo, a falta precede o exagero, e por isso vejo o oceano do lado de cá, cartografado, esquadrinhado, o impossível, vidas impossíveis, eu e você na serra do mar, na falésia, na dor da faca cega, nos traços do corpo, nas travessias de vida, me atravesso em você, você é quem quero atravessar, te vejo de longe e digo que é o mar, a dor, o tesão, a enxurrada do eu, e a sua sombra que te persegue seu nome que se paga com o corpo, o meu nome que paga com o corpo, paga caro pela sua sobrevivência de mulher, que já não é mais aqui, na cidade, a paisagem que quero fugir, habitar os cantinhos, o lugar de sombra, eu e a ilha, a parte de mim em Urano.