As almas se foram.
O fim da polialma (paskalaka)
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As almas se foram.
O fim da polialma (paskalaka)

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Corpo noturno
Sentimento ruim que só a noite traz; traz seu céu escuro para dentro do meu peito, suas estrelas, para minha cabeça, e a promessa de que não iria mais escrever, se vai.
Nem tento mais cantar palavras, pois saem desafinadas, fazem meu coração perder compasso, fazem minha mente entrar em colapso.
Por isso, noite, mesmo que me embriagaste, voltei a sobriedade; tentando nĂŁo me torturar, saindo dessa mira lunar.
A mente apertou, interior desparou. Deixo o meu atĂ© mais, pois um adeus dentro de mim para vocĂȘ, nĂŁo cabe jamais.
- Paskalaka
PS
 Quem sabe, até não ter vida é tema; pensamento na cabeça de escritor amador vira poesia.
pAsKaLaKa -Â
Sem tema
 Sem tema porque dentro de mim estå vazio, mal vivido, iludido. Sem tema porque me privo, aprisiono-me, deixo-me viver com grades. Sem tema porque desisti, recolhi-me, decidi não fazer, resolvi retroceder. Sem tema porque inibi meu sorriso, deixei de falar aquela frase que ninguém ia entender. Sem tema porque fiquei receoso de não ser viåvel, de ser idiota. Sem tema porque eu decidi não me entender, não me sentir, não me tocar, não amar. Sem vida, sem tema.
- Paskalaka
V o C ĂȘ
 Ă, eu estou te avistando. EstĂĄ voltando. VocĂȘ, que faz eu me revirar na cama, que arranca meu jeito taciturno, e extrapola as barreiras, fazendo eu falar como me sinto para o primeiro que aparece na minha frente. VocĂȘ que me soca e ainda me faz levantar sorrindo depois de ser nocauteado, tirando minha sanidade, arrancando minhas vestes e cobrindo-me de pensamentos mal ensaiados, de conceitos mal elaborados, de palavras bonitas, encantadoras, cheias, estufadas, INCHADAS de vazio.  VocĂȘ⊠vocĂȘ que me faz usar reticĂȘncias, sendo que eu odeio escrever esses pontos que dĂŁo ideia de vulnerabilidade, mas vocĂȘ faz-me ser vulnerĂĄvel. Calma. VulnerĂĄvel a ninguĂ©m nĂŁo, vulnerĂĄvel a mim mesmo. Ă. O sim. O nĂŁo. As certezas que se tornam tĂŁo relativas dentro de mim, transformando-se em âtalvezâ. E foi vocĂȘ quem fez isso. NĂŁo foi ninguĂ©m, foi vocĂȘ. VocĂȘ que nem precisa ser pessoa para me desmontar, bagunçar e atuar. E eu nĂŁo te deixo mesmo na nossa relação de uso, abuso, pegar e, por poucos momentos, largar. Porque vocĂȘ me faz, vocĂȘ, meu eu, minha mente.
- Paskalaka

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Gritos mudos
 Tudo bem, expulsarei de vez isso que estĂĄ entalado dentro de mim: eu precisava de vocĂȘ. Mas as vendas do seu orgulho, ou qualquer sentimento que eu desconheço, fazia com que vocĂȘ nĂŁo enxergasse isso. Caramba. Eu precisava tanto de vocĂȘ. Eu estava gritando e vocĂȘ nĂŁo ouvia nem o eco da minha garganta rasgando. Gritei atĂ© as minhas cordas vocais partirem, e, mesmo assim, vocĂȘ nĂŁo percebeu que eu fiquei mudo.  Imagino como seria se eu falasse tudo face a face com vocĂȘ, imagino o que vocĂȘ diria, se nem no meu histerismo e na minha ausĂȘncia de voz vocĂȘ notou que eu estava precisando de vocĂȘ. EU PRECISAVA TANTO DE VOCĂ. Minha misĂ©ria de afeto mental e sentimental crescia, e vocĂȘ apenas nutria nossa aparĂȘncia.  NĂłs Ă©ramos perfeitos, mas vocĂȘ nunca precisou de mim o quanto eu precisei de vocĂȘ pra enxergar meu interior, as raĂzes que estavam presas em mim e o tronco que me engasgava com seus galhos. VocĂȘ nĂŁo se importou em quebrĂĄ-los. Nem pensou em um dia chegar perto de mim e perguntar o que estava havendo, do mesmo jeito que chegava para contar algo engraçado.    Eu estava ali do seu lado implorando para ser regado e te regar, todavia, nossas folhas estavam secando, e acho que nunca mais a ĂĄrvore serrada voltarĂĄ a crescer e finalmente ser regada como deveria. Eu precisava de vocĂȘ. E vocĂȘ, jĂĄ precisou de mim? Que egoĂsmo meu, nĂŁo Ă© mesmo? Exigindo algo que nunca poderia me dar. Entretanto, eu precisava de vocĂȘ.Â
Precisava tanto que nunca superei o fato de nós termos sido assim. Devo precisar até hoje, mas não para meu interior, porém para descobrir o que se passa no seu.
- Paskalaka
Aparta-te de mim
 Eles estĂŁo gritando. O tumulto cresce por razĂ”es insignificantes. Estou desprovido daquelas emoçÔes, do entendimento sobre os dilemas com fundamentos tĂŁo solĂșveis. A cada dia Ă© um problema diferente, e ao mesmo tempo tĂŁo igual, com os mesmos pensamentos, os argumentos ensaiados, aquela zona que me deixa em desconforto.  Quero me apartar, mas a onda de vozes bradando reclamaçÔes vem para cima de mim, puxa-me a favor da sua correnteza, mas eu nado para sair. O fĂŽlego Ă© difĂcil, mas vou recuperando-o aos poucos. Meu cĂ©rebro por um tempo parou de oxigenar, um quase desespero.  Suspiros sĂŁo liberados de mim, alĂvio ininterrupto por nĂŁo ter misturado-me na massa, por ser heterogĂȘneo quando me junto a eles. Como podem ser assim? Fico indignado. NĂŁo habito ali, meu corpo reside, mas minha mente mora em outras terras.
â Paskalaka
Desgraça
 Eu conheço minha prĂłpria desgraça e admito.  Creio na filosofia do viver e existir. Sinto pena de quem sĂł existe, entretanto, eu tambĂ©m faço parte desse grupo. Ajo por impulso pra nĂŁo me entregar aos males da mesmice, porĂ©m a mesma nĂŁo se aparta de mim. Vomito liçÔes de moral, filosofia barata e o modo de vida, mas estou morto e sou morte.  Eu sou o poeta que se superestima, depois se afoga no orgulho e se submete a degradação. Sou poeta que pensa como um passarinho que nasceu na gaiola: nunca explorou outros horizontes e fala tanto sobre eles.  Sendo honesto, nem sou poeta. Sou um corpo vagando pela perdição dos devaneios mal elaborados. Sou um eu desmoronando, uma teoria mal comprovada. Sou um universo de drama disfarçado de idĂ©ias filosĂłficas. Sou tudo, menos poeta. Exalo a falsa poesia, a intensidade forçada, os atos que precisam de explicação para qualquer um. Sou a consequĂȘncia de uma mente alienada por algo medĂocre. Sou.  NĂŁo escrevo poemas, nĂŁo escrevo o que alguĂ©m um dia almejarĂĄ ler. Escrevo contaminação de um vĂrus chamado confusĂŁo, escrevo para mim, para alimentar o que mais causa minhas doenças, aquilo que nem sei.
â Paskalaka