Entenda o golpe do Pix errado e saiba como nĂŁo ser enganado
Reprodução: © Marcello Casal Jr / AgĂȘncia Brasil Criminosos alegam transferĂȘncia por engano e pedem devolução Publicado em 11/07/2024 - 16:59 Por Bruno de Freitas Moura - RepĂłrter da AgĂȘncia Brasil - Rio de Janeiro ouvir: Ă medida que o Pix vai sendo cada vez mais utilizado para pagamento e transferĂȘncia de dinheiro, aumentam tambĂ©m relatos de golpes que tentam dar prejuĂzo a clientes de bancos. Um deles, que viralizou recentemente nas redes sociais, Ă© o golpe do Pix errado. A AgĂȘncia Brasil preparou uma reportagem para vocĂȘ entender como funciona a artimanha dos criminosos e se proteger das tentativas de golpe.
O golpe
O Pix bateu recorde de transaçÔes na Ășltima sexta-feira (5). Foram 224 milhĂ”es de transferĂȘncias entre contas bancĂĄrias, segundo o Banco Central (BC). Com um nĂșmero tĂŁo grande de transaçÔes, nĂŁo Ă© difĂcil crer que algumas tenham sido feitas realmente por engano. Ă justamente neste cenĂĄrio que golpistas passam a praticar o golpe do Pix errado. O primeiro passo dado pelos fraudadores Ă© fazer uma transferĂȘncia para a conta da potencial vĂtima. Como parte das chaves Pix Ă© um nĂșmero de telefone celular, nĂŁo Ă© difĂcil para o golpista conseguir um nĂșmero telefĂŽnico e realizar um Pix. Logo em seguida Ă transferĂȘncia, a pessoa entra em contato com a pessoa pelo nĂșmero de telefone, seja ligação ou mensagem de WhatsApp, por exemplo. Uma vez feito contato, o criminoso tenta convencer a vĂtima de que fez a transferĂȘncia por engano e usa tĂ©cnicas de persuasĂŁo para que o suposto beneficiado devolva o dinheiro. âEstava precisando receber um dinheiro para pagar o aluguel, mas o rapaz mandou no nĂșmero errado. VocĂȘ pode transferir aqui para mimâ, relata um usuĂĄrio do X (antigo Twitter), cuja mĂŁe teve R$ 600 depositados na conta bancĂĄria. Na tentativa de convencimento, estĂĄ uma das chaves para o golpe dar certo: a pessoa mal-intencionada pede a devolução em uma conta distinta da que fez a transferĂȘncia inicial. Ă intuitivo pensar que a primeira forma de descobrir se o contato suspeito trata-se de um golpe Ă© checar se o dinheiro realmente foi depositado na conta da vĂtima. Para isso, basta conferir o extrato bancĂĄrio. O fator que leva a pessoa ao erro Ă© que realmente o dinheiro estĂĄ na conta. A partir do momento em que a vĂtima se convence e decide fazer um Pix para a conta indicada como forma de devolver o dinheiro, ela caiu no golpe.
Estorno
O prejuĂzo acontece porque, em paralelo ao trabalho de convencer a vĂtima, o golpista se utiliza de um mecanismo criado justamente para coibir golpes, o Mecanismo Especial de Devolução (Med). O mecanismo exclusivo do Pix foi criado para facilitar as devoluçÔes em caso de fraudes, aumentando as possibilidades de a vĂtima reaver os recursos. Os criminosos acionam o procedimento, alegando que foram enganados pela pessoa que, na verdade, Ă© a vĂtima. A transação alegada Ă© analisada. No entanto, quando os bancos envolvidos nas transferĂȘncias percebem que a vĂtima verdadeira recebeu o valor e logo em seguida transferiu para uma terceira conta, entendem essa triangulação como tĂpica de um golpe. DaĂ, ocorre a retirada forçada do dinheiro do saldo da pessoa enganada. Desta forma, o golpista que jĂĄ tinha recebido o dinheiro de volta voluntariamente consegue mais uma devolução, em prejuĂzo da vĂtima. Uma vez constatado que caiu no golpe, a pessoa pode tambĂ©m acionar o mecanismo de devolução. No entanto, a conta que recebeu o dinheiro transferido por âboa fĂ©â pode jĂĄ estar zerada, sem saldo para restituir o prejuĂzo.
BotĂŁo âdevolverâ
Ao orientar o procedimento que deve ser seguido em caso de receber um Pix por engano, o Banco Central explica que ânĂŁo hĂĄ normas do BC ou do CMN  sobre devoluçÔes em caso de engano ou erro do pagador, mas o CĂłdigo Penal, de 1940, trata sobre a apropriação indĂ©bitaâ. O ĂłrgĂŁo orienta que âbasta acessar a transação que vocĂȘ quer devolver no aplicativo do seu banco e efetuar a devoluçãoâ. A ferramenta Pix tem a opção âdevolverâ, ou seja, Ă© diferente de fazer outra transferĂȘncia. Ă um procedimento que, acionado pelo cliente do banco, estorna o valor recebido para a conta que realmente originou o Pix inicial. Esse procedimento desconfigura uma tentativa de fraude e nĂŁo seria considerado irregular, caso o golpista acione o mecanismo de devolução.
Med 2.0
Em junho, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) anunciou que sugeriu ao BC uma melhoria no Mecanismo Especial de Devolução que, atualmente, consegue bloquear dinheiro fruto de fraude apenas na conta que recebeu o recurso, a chamada primeira camada, que pode simplesmente ser zerada pelos golpistas. Com o Med 2.0, o rastreio e bloqueio passarĂŁo a mais camadas. âJĂĄ observamos que os criminosos espalham o dinheiro proveniente de golpes e crimes em vĂĄrias contas de forma muito rĂĄpida e, por isso, Ă© importante aprimorar o sistema para que ele atinja mais camadasâ, afirmou Ă Ă©poca o diretor-adjunto de Serviços da Febraban, Walter Faria. Segundo a federação, o desenvolvimento do MED 2.0 acontecerĂĄ no decorrer de 2024 e 2025 e a implantação serĂĄ em 2026. Edição: Maria Claudia
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