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Quando a paisagem urbana sente saudades
(Originalmente postado em 24/02/2026) Muitas coisas aconteceram desde o final da graduação, o hiatus desse blog e as redes sociais em que ele estava transitando. Entre corporações midiáticas ditando regras absurdas de censura, dando pilha pra desinformação/fake news e/ou discurso de ódio, para situações mais locais e inéditas, ando recebendo em atraso o que os mais velhos chamam de: “fofoquinha de corredor”.
Ou “babado forte” como nós, degenerades com um bocado de “urbanidade” ainda nos sobrando.
Com o título meio críptico (ou a piada interna só minha e sou eu quem rio mais), eu recomeço esse modo de escrever sobre a vida de biblioteconomista nesse país desordenado. Pode ser que eu me sinto aliVIADE em voltar a escrever, ou quero apenas dar o tom da fofoquinha.
O termo juridiquês que me foi passado era sobre “falta de urbanidade”, e a constatação mais do que óbvia de que quando serumaninho movido pelo poder, ganância, cria da Inquisição Espanhola foi exonerado (isso, isso mesmo, olha só como o mundo não gira, ele capota!) por sua “falta de urbanidade”, sendo servidor público estável, isso levanta algumas orelhas atentas - e muitas bocas miúdas murchando por ficarem tanto tempo em silêncio conivente com a situação de urbanidade faltante.
Pois então, a tal da “falta de urbanidade” pode ser simplificada em uma expressão coloquial quando verificamos o caso: você é um c*zão e todo mundo sabe disso. Mas como o juridiquês é a forma mais bonitinha (e manipuladora) de expressar tais entendimentos de autoridade, vamos lá:
[Falta de urbanidade] Manifesta-se em condutas consideradas desrespeitosas ou que violam as normas de convivência e cordialidade no ambiente de trabalho, como xingamentos, grosserias, piadas ofensivas, mau atendimento, discriminação e/ou qualquer outro tipo de desrespeito para com outros servidores, colaboradores e/ou o cidadão em geral [x].
Para um servidor público no Brasil ser exonerado do cargo estável é quase como provar que uma fábula de contos da carochinha é verdadeiramente real. Há muitos escudos e benefícios, e também muitas garantias e privilégios, se for homem cis branco e hétero, “exoneração” não existe no dicionário desse famigerado. Não me levem a mal, eu defendo servidores públicos sempre por entenderem que são trabalhadores assim como eu e muitos outros, mas não quando é um notório c*zão que contamina todo um setor que lida e forma pessoas de diferentes backgrounds e realidades. E essa contaminação estava tão dissimulada que era palpável saber quem era o agente nocivo e quem estava se tornando um c*zão devido a isso. O silêncio? Sepulcral, quase como estar preso dentro de uma caverna por três dias seguidos.
Um servidor público pode ser exonerado (levar bota na bunda) se:
o cargo foi extinto (olá, olá pessoas bibliotecárias do meu coração! É pra isso que a gente dá a cara à tapa no associativismo e sindicalismo!)
se há pedido de aposentadoria e a pessoa quiser se livrar logo da burocracia;
se não atender às expectativas do estágio probatório;
se for provado através de investigação disciplinar (e ouvidoria, e auditoria, e fiscalização, e comissão de ética, e mais badulaques burocráticos…) que a pessoa foi/é/continua sendo um c*zão com os outros, levou umas advertências, suspensão e/ou se a coisa foi REALMENTE grave, a demissão (exoneração).
Algo importante salientar é que ser c*zão é inerente ao livre-arbítrio dos seres humanos, somos c*zões em algum ponto de nossas vidas (tá lá os 10 mandamentos pra dizer como não sermos c*zões na vida dos outros), mas ser c*zão por décadas, cultivando com louvor e obsessão de um presbítero delirante por um ambiente de trabalho tóxico, tratando os outros como lixo, deslegitimando carreiras, arruinando histórias de vida e talvez, talveeeez, tentando dar um golpinho administrativo para criar um novo setor DENTRO do setor que já existia (E ocasionando rixas, assédios constantes, chantagens, erosão de sanidade mental e fabricando mais c*zões na paróquia), pode sim ser caracterizado como vilania (aquele que comete atos de baixeza, perversidade, imoralidade ou idolatria) de acordo com o livro mais impresso no mundo e que muitos por aí seguem os ensinamentos.
Algo que me impressiona no juridiquês da “falta de urbanidade” é dar essa impressão que o dano causado pelo c*zão não é lá muuuuuito “grave” - mas quem tava nessa romaria SABE que foram décadas de prejuízo à sanidade de muitos. A expressão, se olhada por cima, é como se chamasse alguém de “não-civilizada”, alguém que descumpre as regras sistematizadas pela sociedade, rasurando-as com essa palavra chamada “falta”, é como se a escavação de um buraco estivesse des-civilizando essa “urbanidade”.
Mais perguntas do que respostas: o que é “urbanidade”?
Tratar as pessoas e animais com respeito e dignidade, zelar pela segurança e bem-estar dessas criações do tal deus monoteísta? Ser a figura do bom samaritano ou até imitar a figura messiânica da mitologia que dá a outra face para levar o tapa metafórico?
Toda vez que esse assunto volta - a tal da “falta de urbanidade” - não me vem passagens do famoso livro para acalentar o coração daqueles que anseiam serem corretos, mas sim daquele outro livro que salva vidas, DSM-5: versículo 301.81 e também CID-10: versículo F60.81.
Ou sei lá, já que a piada é só minha e é para rir sozinhe, lembro de uma música do Mestre Tom Zé que fala sobre a famigerada atriz Brigitte Bardot e como ela “agora está ficando velha, triste e sozinha / Será que algum rapaz de vinte anos vai telefonar / na hora exata em que ela estiver / com vontade de se s*icidar?” - o grito que sobrepõe a última palavra dá essa conotação do alívio de se livrar de algo que essencialmente era prejudicial a todo um ecossistema e alguém finalmente deu a descarga. Posso até fazer um paralelo com plantas parasitas, mas não creio que teria tanto lirismo quanto eu gostaria de expor.
Mas afinal quem sou eu - e muitos outros prejudicados pela “falta de urbanidade” - para julgar as ações e consequências dos atos de um c*zão que se considerava tão divino, não é mesmo?
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Filosofias de buteco
O que é ser humano No seu vser? No seu parecer Parece ser o ser, mas mais um ser a mais em terras demais
Demais Ster demais Por que o homem “em sua pequenez” é todo maior que ele mesmo
Chama-se ego
O homem-ego Alter-ego fisicomental Que infla acima de si mesmo e tromba em argumentos insustentáveis E nem 5 minutos passam, ele já está no chão Preso em sua hipocrisia
Hipocrisia que dá lucro Mentira tão mentirosa que engana o próprio dono
Guarnição de rancor Injúria de amor E baleia baleia baleia, E baleias baleiam baleias
O novo Guimarães Rosa desperto, Ser um crocodilo do tipo que voa com asas de borboletas OAB presente
-Caiho Carrara
...os meus amigos tem uma piada interna sem mim.
...eu e um(a) amigo(a) vemos alguma coisa que nos lembra uma piada interna nossa.